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Ébrio ou Poeta

Em retribuição a dedicatória
do Nobre Poeta Waldriano

     Em uma noite clara de verão, uma Trupe de Artistas, que, ora, encontrava-se acampada as margens do rio da cidade ribeirinha, perguntaram ao homem trôpego, que cambaleante descia o morro íngreme:
     – De onde vens, ó andarilho?
Ao que, com a voz balbuciante e embargada, o andarilho, prontamente lhes respondeu:
     – Venho do Monte Olimpo, do Palácio de Zeus, onde, há pouco, me encontrava sentado a mesa, banqueteando-me com os deuses, as ninfas e as musas... Ciceroneado por Apolo, o deus da minha devoção. E quando Hélio, o deus do sol, terminara o seu turno, recolhendo o sol para o poente; e Selene, a deusa da lua, acendera bem alto a lua prateada em toda a sua magnitude; e Baco, o deus do vinho, transbordara a minha taça, com o mais doce e inebriante dos vinhos, foi aí então, que totalmente inebriado e já sem nenhum pudor, não me contive e comecei a cortejar a bela e encantadora Erato, a musa da poesia, a quem confessei em prosas e versos todo meu profano e humano amor!
     Quando dei por mim, já me encontrava aqui, neste caminho, à beira do rio, e entre vocês insensíveis artistas...
     Logo após, a sua mal compreendida dissertação, o andarilho, entre praguejos e soluços, continuou a sua jornada...
     Enquanto que a Trupe de Artistas e inquiridores, de soslaio seguiram lhe os trôpegos passos, desdenhando e resmungando entre si:
     – Ou este homem é ébrio ou é poeta, o que dá no mesmo!
Odeon Alves de Almeida
Enviado por Odeon Alves de Almeida em 01/12/2019
Código do texto: T6808460
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Odeon Alves de Almeida
Feira de Santana - Bahia - Brasil, 57 anos
228 textos (5210 leituras)
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Odeon Alves de Almeida