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CANÇÃO DESESPERADA.

 

Minha ânsia última.

 

Oh ardente lua, mulher magra e branca, mulher minha que amo! O meu anseio de ti será sempre eterno, pois outrora, tu foste a minha luz e o meu caminho cheio de esperanças.

Estou longe de ti e dos teus lindos olhos, por isso, agora percorre por todo o meu ser, uma saudade dorida que aumenta muito mais quando eu escuto Enya, com os seus acordes plangentes que mais se assemelham a latejos de dor.

Os meus olhos não se encantam mais com os teus lindos olhos e, neste momento, sinto-me perdido como aquele golfinho que buscava a imensidão do oceano, para depois se esconder de nossas vistas na linha azul e infinita do horizonte.

Juro-te minha linda que, se novamente a solidão pairar sobre mim e os teus olhos se eclipsarem para sempre, eu comporei canções ternas e tristes, todas serão entrelaçadas com versos desesperados de amor.

Essas canções, se eu voltar a compô-las, elas se transformarão para ti em vestígios vivos do meu amor, pois além da elegância e da humildade com que as escreverei, tu verás que nelas também ficará impactado o meu sentimento pétreo de lealdade.

Às vezes, eu tive muitas dúvidas se realmente merecia o teu, até então, despojado amor. Hoje, acontece uma reversão doida, pois o meu coração está povoado de sérias e lamentáveis dúvidas a respeito do teu amor.

Lembra-te que nos desesperamos e nos abraçamos em declarações mútuas de amor, tínhamos a viva impressão que não viveríamos um sem o outro. Agora, já não posso mais jurar-te amor eterno, pois te fizeste exilada nas brumas do campo do esquecimento e do frio desdém.

Ó feroz cova das minhas torturantes dúvidas! Em ti eu pensei encontrar a firmeza de rocha que nos agregaria num sentimento duradouro, e que nos levaria aos campos da eternidade.

Tu foste a minha grande ilusão, uma verdadeira utopia, talvez um súcubo ardente e tentador que eu via na miragem, dentro do oásis acolhedor da minha existência permeada de sonhos.

Já não se encantarão os meus olhos com os teus lindos olhos, agora me sinto desolado porque fingiste e te camuflaste com a máscara da indiferença. Doravante somente os fantasmas habitarão a tua consciência, e assim, os terás como companhia até que compreendas e te submetas à necessária contrição.

 

 

 

Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 17/10/2007
Código do texto: T698256
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 75 anos
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Eráclito Alírio da silveira