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Diante do espelho


 


Houve uma fase da minha vida, onde a insônia
tinha uma triste repercurssão, um remoer
de problemas, coisas que hoje parecem pequenas.

Felizmente venci, insônia é reciclável,
hoje não me incomodo.
A minha insônia é poética,
atualmente para mim tudo é prosa, é verso,
bem como um café...
não consigo tomar um café, só por tomar,
cada café tem uma história, uma alegria,
sozinha ou em alguma companhia.

No canto da boca, e do olhar de saudade,
um  plano para as próximas horas.

Enquanto o café esfria, os pensamentos
vão e voltam em sua fumaça.
Viver é uma felicidade, aqui lembranças 
espalhadas dentro e fora da casa.
Inesperada, veio a chuva, daqui a pouco ela passa...
conheço, é chuva de final de inverno,
vai e deixa saudade, dando lugar
a um calor que mais parece o inferno.

Quando eu era menina,
eu achava que os velhos tinham muita histórias
para contar, e pensava;
Quando eu envelhecer, eu vou ser diferente.
Que ironia,
agora nem tenho para quem contar histórias,
as conto para mim mesma, meus fracassos,
minhas conquistas e vitórias.
Tenho tudo o que preciso, aconchego e silêncio,
nenhuma lembrança amarga,
gosto de assistir o tempo passar, olho as minhas rugas,
nada nelas mudaria,
nem que tivesse muito dinheiro,
são marcas da vida, expostas diante do espelho.

Sou viajante,
carrego tantas lembranças,
lembro da primeira vez que peguei esse trem
que se chama vida... era uma procissão,
eu nos braços do meu pai, ali adormeci,
era onde eu me sentia segura,
quando despertei estava em casa,
à minha mãe eu perguntei
- Mamãe onde está o papai era verdade
ou com aquela multidão, só sonhei?

A noite de insônia hoje promete,
será bem vinda, tenho muito à sonhar, acordada,
muito para recordar, logo eu que não
gosto de passado, descobri que tenho
da infância tantas lembranças lindas!
A minha paixão pelas borboletas, pelos rios,
pelos pássaros, pelo verde, pela chuva!
Tudo veio
da minha infância, como seria maravilhoso
se as crianças passassem pelos caminhos que passei,
fossem de férias para o lugar que eu fui,
se tivessem o pai que eu tive, que acompanhou
na minha vida todas as minhas fases,
do meu nascimento, do meu crescimento
à minha maternidade, foi um avô maravilhoso,
acompanhou o meu sucesso e as decepções,
só tenho à agradecer, ele em minha memória 
nunca irá morrer.

É cedo ainda,
agora vou ali a minha alma, quer dar uma volta
no futuro, daqui a pouco irá amanhecer,
por enquanto o que me espera, está por lá,
quero fechar os meus olhos e ver.
Liduina do Nascimento
Enviado por Liduina do Nascimento em 29/06/2020
Reeditado em 30/06/2020
Código do texto: T6991804
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Liduina do Nascimento
Fortaleza - Ceará - Brasil
2529 textos (79580 leituras)
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Liduina do Nascimento

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