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O que tens feito de bom?



Constantemente, chegam-me os hipócritas e me perguntam, com desfaçatez e cínicas intenções, o que eu tenho feito de bom. Ora, como se não me conhecessem, ou não já fosse de praça pública, nem do burburinho alheio, a minha ignóbil imagem de louco extravagante, fadado a uma oscilação repentina de humor, que vai de uma extroversão avassaladora, a uma timidez excêntrica, e a tal ponto erótica, mas, sobre tudo, misteriosa, que por assim ser, sempre me conserva altivo.
Pois bem, assim respondo, sobriamente: "Meus caros, confesso honestamente que continuo mundano, admirando sem práticas a santidade, mas no entorno dela, como um alvo a ser atingido de assalto, sem a misancene que é praticada descaradamente e que já se tornou coisa trivial. A busca da verdade, assim como o vinho, embriagaram-me em um sonho eterno e, por isso, resolvi entregar esse momento transitório de vida à leitura, de questões que para a grande maioria ainda é perda de tempo, fora amar, que é sentimento constante, forte, árduo e rejuvenescedor, que conduz minha vida e me tonteia a visão, mas sem que ao menos eu deixe de me conservar lúcido, dentro dessas minhas constantes e misteriosas quedas, e desses fabulosos recomeços. Esse é meu centro gravitacional, fora do lufa-lufa dos humanos previsíveis: prefiro o desgaste dessas minhas ilusões, se é que nelas há algo de ilusório ou desgastante. O superficial e o supérfluo, esses dois extremos de insignificância: o primeiro por não nos ajudar pela falta e, o segundo, por nos faltar a ajuda pela sobra, e que sempre tem destruído as grandes paixões das pretensões espirituais dos homens, tem sido um estímulo a me distanciar do fútil. Não me satisfaço com banalidades, a busca "simples" de quem sou, já está tomando, em verdade, toda a minha vida, sem contudo, ainda ter, nem em ínfima quantidade, abatido-me, ou roubado-me o ânimo, pelo contrário, sinto que está aí o meu dilema dos encontros paralelos, pois de certa forma, essa é minha vereda de vida no para me dar satisfação para transpor as barreiras das minhas lutas profanas nesse mundo de estupidez, confessado pelos que acreditam estar com a resposta cerrada nas mãos e com a ampulheta do tempo escondida no bolso. Eu apenas vivo o hoje, na experiências de cada segundo, e assim pretendo permanecer, sem arrogância, a encontrar o caminho no labirinto.
Se me perguntares se eu sou louco, responderei a ti: "Sim!.. Notadamente que sim. Mas, tu? Quem tu eis?”.
Erasmo Sales
Enviado por Erasmo Sales em 02/07/2020
Reeditado em 29/07/2020
Código do texto: T6994491
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Erasmo Sales
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 45 anos
3 textos (18 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/08/20 09:11)