Bromélias

Às margens daquelas ruas cristalinas, sob um rubro despertar de nostalgia: qualquer que seja essa memória... devo ao silêncio pedir para ficar.

Eu carregava minha bagagem nas costas, um turbilhão de coisas que bordei nas estradas, uma costura que feria cada recorte existente em meu ser...

Eu queria ser a moradia dos sonhos de casa, ter feito do verão um indício de chuva passageira. Naquela tarde, recolhi o peito em folhagem, bordei o terço das rosas sob minhas palavras, sem sentir em qual momento as chorei, olhei para o alto; testemunhei o inverno de sua falta, a incompletude residente nos anos infantis, eu... deixei que terminasse em mim, que finalizasse o entardecer dessas bromélias sem fim...

Como se a vida fosse o afeto das letras intransitáveis, e viver ainda seja uma questão de doação, mediante ao que submeto a minha verdade sobre a sua vida.

Qualquer que seja essa sua lembrança, ao desdobrar a rua, por um único instante: meu coração não pode conter a manifestação antecipada das lágrimas,

Enquanto a mãe não olha e diz que as palavras mataram sua alma, que eu morrerei pela ausência do sentido delas, que um eu te amo não quer dizer quase nada...

Talvez fosse verdade... e a verdade quando não é dita, logo se torna uma omissão: eu te amei, pai.

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 17/08/2020
Reeditado em 17/08/2020
Código do texto: T7038446
Classificação de conteúdo: seguro