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ALMA EM PRANTO

Pouca suculência
Rie-me coisa tola – aquele molho.

Sou instável, volúvel, um nada
Sem sentir, não há mosto
Não secreto caldo nem raspo tacho.

A sós, convalesce mente minha
Percorre a corda esticada e fedorenta
Azeite de linho em vestimenta.

Quis saber das horas, só percalço!
Nó encaracolado com fisgo, trigo e pouco óleo
Ó marasmo inquieto, corriqueiro e demoniacamente certo!

Causa-me dor as peugadas e os troféus mofados
Assim, não durmo; sumo – saudade – e assumo
O pó lento que há nas veias sem idade.

Sem imagem nem memória
Sem mensagem nem história
Nem beijo visceral nem plural, nem pejo
Só escória, limo e fantasma.

Verso meu, amarelecido e relinchante
Escusando-se aos alvéolos, escassez apetitosa
Sangria inútil, verme a corroer
Agindo à noite, de dia, de novo.

Palmas para ele, enquanto ceia
(e me rastreia).
Cesar Poletto
Enviado por Cesar Poletto em 26/10/2007
Reeditado em 24/04/2008
Código do texto: T711075

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Sobre o autor
Cesar Poletto
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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