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Libertação



Guardei o grito contido
Acalentei a dor que rasgava-me
Transformei o estampido, o clamor
Em melodia aos meus ouvidos

Era preciso sentir-me viva
Guardei toda dor, como se guarda um tesouro
O mesmo que sangrava a alma, dilacerava
Era o mesmo que acariciava.

Por medo de nada sentir, do vazio que restou, de ser somente um corpo mapeado de vestígios
Projetei-me no meu proprio limbo
Fiz desta dor meu antidoto.

Despi-me do medo, te todo pudor
De sentir exatamente o que minh'alma sente
Dos falsos risos, do falso labor
Despi-me no secreto refúgio de toda alegria aparente.

Acostumei sim, todos os dias toco minhas feridas, entre lágrimas toco mais fundo pra sentir que ainda estou viva

No silêncio em minha própria companhia
Solto esse grito contido de dor
Vejo vida, vejo cor no sentir sincero transformado noa versos da poesia.

Pra mostrar que poesia nem sempre denota beleza, de flores e melodias
Poesia é desfazer-se,

Derramar-se em lágrimas que borram a escrita, poesia quase sempre...é a dor mais profunda da alma que geme.

Viro-me do avesso, de alma nua
Arranco de mim a dor que acaricia
Fiel a dor cortante e crua
Clamor escrito conscrito, no ardor da poesia

Dor que alimenta, que vicia, que grita em meus vazios...que talvez um dia, seja tão somente uma vaga lembrança do caminho pela alma, percorrido.

Aa vezes que submete almas a condenação, também é vida e inspiração.





Andreia O Marques
Enviado por Andreia O Marques em 23/02/2021
Código do texto: T7191316
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Andreia O Marques
Nova Iguaçu - Rio de Janeiro - Brasil
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1 e-livros (26 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 28/02/21 03:38)
Andreia O Marques