Gato emparedado

As retinas no retrovisor do carro

perseguem o espectro em passos

lentos na calçada.

Pedaços do mundo me alcançam,

Outros alcançam o mundo.

 

Linhas do texto na sala do analista costuram espaços vivos e fragmentados. Eles falam por si.revelam,remendam talhos cortados.

 

A natureza a flor da pele,

O sol da tarde a espera da lua.

Chega de longe a noite escura

São quebra-mares que afugentam.

 

As ressacas me desmistificam,

Em brasa põem meus pés na busca.

Essência madura e dores caducas

Na face enrugada é tinta fosca.

 

 

Tento ler a alma enigmática,

Ser íngreme em fardo fado.

Quebro a barreira do acaso,

Encontro o verbo pronunciado.

 

A introdução do romance místico

ao contexto, ao parágrafo, ao ácido

É a fenda do início do monólogo,

É uma personagem de Edgar Allan Poe.

 

 

O gato emparedado me olha, olha

pelo avesso.

Pedaços emendam os hábitos averso.

Outros tantos sufocam e retalham.

Becos escuros retratam o cenário,

 

 

Eu, posta, composta na composição do grito.