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Confessionário

               


Quanto azul se espraia nos mares que desdenho alcançar
E quantas margaridas murcharam nos canteiros
Pelo descuido de não as regar
Agora que folheio as páginas enegrecidas pelo bolor
Guardadas nas águas-furtadas da existência passageira
Apercebo-me de quão desajeitado elaborei
As narrações que fui escrevendo
Repletas de erros e de frases desconexas
Relatos precipitados de um boémio viver avesso.

Agora que míngua o papiro para reescrever a história
As manchas de tinta impregnam-se no papel pardo
Das minhas inseparáveis sebentas
O salitre corrói-lhes as folhas empapadas
Realçando a maldição
De uma tortuosa caminhada.

Afinal de que me queixo?
Delineei o trajecto e aparelhei a montada a bel-prazer
Escolhi por onde ir opinando que não iria por aí
Mas por onde andei caminhei errado
Sem que a culpa fosse minha ou de outrem
A fatalidade nem sequer me convém
E este desabafo não interessa a ninguém.


Moisés Salgado
alestedoparaiso
Enviado por alestedoparaiso em 15/11/2007
Código do texto: T738613

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