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Ao Deus dará...

Acorrentado pelos pensamentos torpes, vai o garoto, morta-fome, posposto. Entregue à realidade, crua, acabar com a sensação de morte, ou morrer com a sensação da vida? Perdeu-a diluída na dor, no sofrimento da miséria sem guarida, sem ida nem volta, estática amiga da morte com a foice enegrecida de tanto sangue de antigos mortais. Nu, desoxigenado pela cola impura, esôfago anestesiado, estômago ardendo, pulmões já colados, sem armas pois sem rima, desatina a gritar cores, de imberbe que é nem sabe o próprio nome, mas chama por algo que o inconsciente clama, mas não sabe nem o que é, mas "saca" que existe em alguma instância. Que tolerancia ao se ajuntar ao grupo de zumbis que toda noite vem à tona imortalizar a eterna repetência da fome, do não Sêr, do não ser, do não ter, sem jeito, sem esperanças, porque sem pança, não há mudança, muda tudo, o sexo rola mudo, não há explosão sem energia, alimenta o excremento seco e inodoro da criatura que nem crê, porque soer...é impossível...nesse abrigo ao deus dará, que o homem pode dar, mas esqueceu seu próprio Deus, que tudo lhes deu, e vai pagar, cedo ou tarde vai pagar, e o paraíso reinará, somente para os escolhidos, aqueles do abrigo, ao Deus dará....
Cabeça de poeta
Enviado por Cabeça de poeta em 19/11/2007
Código do texto: T743669

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Sobre o autor
Cabeça de poeta
Fortaleza - Ceará - Brasil, 64 anos
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1 e-livros (44 leituras)
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Cabeça de poeta