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Sede.

Madrugada solidão.
Retratos na tela refletem o que já não estão.
Instantes de pessoas que já fizeram.
Pessoas que já não estão.
Apenas retratos.
E as pessoas fizeram algo.
Na madrugada, tudo que é presença reflete uma ausência.
Sinto a falta.
Sinto a falta do que foi feito.
Está apenas em um instante fotográfico.
O instante fotográfico é ausência do que a fotografia registra.
Procuro encontrar a presença e amenizar a solidão,
A sede que me consome,
Sede de vida.
Ah, como tenho sede.
Pensei que era cansaço.
Não é cansaço.
É sede.
Por isso não morro, não descanso, não me vicio em nada que entorpeça.
Quero a lucidez para sugar os instantes de vida, nacos de atenção, de carinho,
De risos, de ação que me dão para sair do marasmo dessa sede.
Ah, que sede.
Tenho sede e não há água que me sacie.
Arpejo
Enviado por Arpejo em 20/11/2007
Código do texto: T744177


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Sobre o autor
Arpejo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 43 anos
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