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CAMINHOS FLORIDOS




               Eu tenho os pés no chão, mas estranhamente sempre a sensação de voar. Descobri que tal sensação vem, não apenas nas muitas asas que tenho espalhadas pelo corpo e pela alma, mas também de um imenso tapete coberto de flores que me acompanham a cada passo. Pétalas de todo tipo, de todo formato e de todas as cores. Principalmente, vale dizer, os tons mais vivos e intensos.

              Tenho as portas abertas, ainda que pareçam o contrário. Em algum momento, pensei que estavam fechadas e com trancas, mas outro coração, de portas abertas mostraram-me a que eu tinha esquecido. Vejam: só é preciso que outros corações tenham suas portas igualmente abertas para que possam perceber isso. E, claro, corações assim, são sempre muito bem recebidos na minha casa interna. 

             Meus olhos enxergam a realidade como ela é e não pintada das cores que me agradam. Entretanto, e com tudo que isso poderia implicar, sigo tendo os olhos lotados de sonhos, cheios de esperança e as poucas lágrimas que ainda vertem, são as recheadas de emoção e alegria, com cores de arco-íris. Alguém viu em mim o que nem o espelho conseguia me mostrar. E eu abri os olhos para a beleza das coisas simples e a felicidade que é feita delas.

           Conheço bem o que pensam a meu respeito. Nem sempre, e pra ser bem honesta, na maioria das vezes - me atrevo a dizer - não é lá uma imagem das melhores. Ainda assim, me compadeço dos que me enxergam tão mal. Lamento que seus olhos usem lentes tão escuras ou que, até estejam completamente vendados. O que pensam de mim, nestes casos, é um caso pra se lamentar: ou porque perderam completamente a sensibilidade ou porque espelham em mim suas próprias infelicidades. Por estes, pouco ou nada posso fazer, senão torcer para que encontrem alguém que lhes possa mostrar que as cores e a vida e as pequenas felicidades certas podem fazer por nós.

          Não me interessa agora muita coisa: meu caminho é de flores, minha alma tem asas, meus olhos tem sonhos e essa mulher já não tão jovem tem uma alma que usa roupas de menina, brinca na chuva e se emociona com pequenas margaridas. Ainda que tudo mude a minha volta, eu ainda serei o que sou. E não conheço muita gente que tenha chegado aí.

          E agora, com licença, preciso ir. Tulipas, rosas, jasmins, papoulas me chamam de volta à caminhada... Acompanhe-me, se quiser, mas faça a sua parte, cuide de seu jardim e traga suas próprias flores. 

http://www.deboradenadai.prosaeverso.net
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 11/02/2008
Código do texto: T855484

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
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Débora Denadai