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VALE DOS MURMÚRIOS

*Fanny*

«Ela abraçou as palavras e a seguir despiu-as, letra a letra...» respirou o aroma que se desprendia de cada uma... como se de uma flor se tratasse... desfolhou cada pétala que se soltava daquela carta perfumada... e suspirava como se o eco da sua alma voasse até ao coração do seu amor....
Arrumou-as uma a uma de novo. Soletrou sílaba a sílaba... todas pronunciavam a palavra AMOR... agasalhou-as meigamente no peito e sorriu uma lágrima de saudade.

Os seus olhos eram pontes que a ligavam ao mundo proibido, havia avenidas de sonhos por concretizar... havia segredos que ela abrigava no tesouro das estrelas... jardins suspensos de poemas por escrever, oásis de sentidos por saciar...
Submersa nos instantes do Ser, atravessava lugares resplandecentes, miragens de infinito passeavam no universo do seu espírito, penetrava na luz transparente e fulgurante, como se os seus sentidos recebessem poderes misteriosos de inebriamento e vertigem.
Qual pássaro em voo, flutuava em enigmas, dissolvia inquietudes que se enraizaram na sua essência... nós profundos de dor que ela queria deslaçar... para sempre.

Ser livre...infinitamente livre!...

A noite, eterno mar no cósmico azul, seduzia-a, levava-a para esse País Mágico das Utopias. Lá encontrava bosques encantados, colhia beijos e carícias que ele deixava embrulhados em fitas de seda... e demorava-se na intensidade desse instante inefável e delicioso onde até as brumas ganham vida, cor e sabor.

- Princesa, quando a distância nos apartar o olhar, entra na Floresta dos Sonhos, segue as brisas do entardecer e aninha-te no Vale dos Murmúrios. Fecha os olhos, abre o coração e sonha... Cada estrela no céu é um beijo meu reluzente colhido nos jardins do meu pensamento, do meu amor... Adormece, mansamente. Escuta a canção da terra e dos astros que te envolve nos véus da noite. Quando abres as janelas do sentir, a tua alma torna-se livre, porque nada pode prender os voos diáfanos do teu Ser. É neste esvoaçar de quimeras que tocarei a pele dos teus sentidos... e te amarei até ao raiar do dia.

Quando a aurora rasga o firmamento, aromas de rosas e jasmins dos bosques mágicos inundam o espaço do sonho... Ela acorda enfeitiçada... incensa cada canto do seu ser com Pétalas Brancas do Sentir e afaga as letras que, mais uma vez, poisaram nos seus lençóis de cetim bordados de sonhos e fantasia... e sorri...


Fanny Estrela
Enviado por Fanny Estrela em 12/02/2008
Reeditado em 12/02/2008
Código do texto: T857081

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Sobre a autora
Fanny Estrela
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