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ESCREVER... O dom de dividir e eternizar sentimentos.

           
               Houve um tempo em que escrever (para mim) era fácil como respirar.
              As palavras brotavam com a facilidade do pensamento de uma criança.
             Com o passar do tempo e com as experiências vividas, elas vão sendo substituídas nos pensamentos e se tornando mais complexas por causa de seus novos significados.
            Os verbos vão representando emoções e não ações.
            Andar seria apenas dar passos para frente, lado, trás, apenas pelo prazer da ação de caminhar, e depois, se transformam em andar para onde? Ir para que lado? Retornar para quê? As emoções vão ditando nossos atos.
            Fazemos coisas por prazer, por obrigação, por necessidade, por medo, por coragem, por loucura, por amor, por desamor, por mágoa, melancolia, tristeza, por aventura, desânimo, por falta do que fazer, como esse texto, por exemplo, fazemos como forma de expressão de sentimentos, como forma de esconder sentimentos, como uma maneira de conversar com quem mais nos entende (nós mesmos).
            Estou resgatando uma coisa que já havia esquecido de como era: escrever. Engraçado como uma coisa que muitas vezes nos apresenta como um problema, de repente pode se transformar numa solução para extravasar os sentimentos que não conseguimos expressar ou não possamos gastar por um motivo ou outro.
            Passamos tempos de nossa vida adormecidos como ursos hibernando e não mais que de repente somos despertados pela primavera que invade nossas vidas com sua luz e aroma. Vemo-nos então diante de uma nova estação, tendo que procurar alimento e compainha para novas aventuras, alimento para alma, compainha para alma (isso já é uma aventura e tanto).
            Já me esquecia dessas emoções: ansiedade, angústia, êxtase, noites mal dormidas, pensamentos que vagam de um pólo a outro entre o sim e o não, entre o ficar e o partir, entre o orgulho e o amor próprio, o ridículo e o aceitável. Falar o que vem a cabeça pelo prazer da expressão das palavras. Um simples “oi” que representa uma carta de palavras não ditas e que pode ser interpretada da maneira que quem o ler quiser, onde se possa escolher significados, promessas, pontos finais, esperanças e desesperanças.
            Não sei o que me move para escrever, mas, sei que dependo sentir, e não é qualquer situação que me faz sentir o que fazer das palavras quando elas ficam gritando dentro de mim (o que me leva a encher a paciência de algumas pessoas, alguém tem que me ler). Se você foi o escolhido, tenha paciência, não estará sozinho.
            Gosto de mostrar para aqueles que me servem de inspiração do que são capazes de conseguir com suas presenças em minha vida, são meu combustível. Como o ar que respiramos que precisa misturar hidrogênio e oxigênio, precisamos de sentimentos bons e ruins, amor e dor (não respectivamente nesta ordem) para equilibrar nossa existência. Só não podemos nos deixar levar por um deles apenas, se nos deixarmos levar pela dor nos tornaremos amargos, desiludidos, frustrados e não saberemos reconhecer quando alguém poderá nos trazer um pouco de felicidade; se nos deixarmos levar apenas pelo amor nos tornaremos por demais sonhadores e não estaremos preparados para aprender a amar e aceitar os outros como realmente são, não aprenderemos a ser felizes apesar de, e sim, por causa de e então não seremos felizes de verdade.
           Voltei para as palavras depois de longo tempo por conta de ter precisado falar sozinha por algum tempo atrás. Isso foi um presente dado sem querer por um amigo que não responde as minhas correspondências. Não sei ao certo se ele as recebeu, talvez, não tivesse apenas o que dizer de volta, talvez soubesse que eu não precisava da resposta por saber exatamente o que me diria, talvez quisesse que eu desistisse pela falta de notícias dele. Enfim, muitos seriam os motivos para o silêncio que me levou a querer falar com a escrita.
     
           Escrever tem algumas vantagens: podemos consertar o que escrevemos, o que não acontece com as palavras depois de ditas; não somos interrompidos até terminarmos o que queríamos dizer; não sabemos se o outro leu realmente o que escrevemos, o que não nos desilude; temos coragem de dizer tudo que sentimos por não nos sentirmos avaliados pelo outro que nos ouve e etc.
                            Nem sempre tudo é do jeito que se deseja, isso é bom se pensarmos que também não somos como os outros esperam que sejamos. É preciso que se consiga ver a alma do outro, estar atento a tudo que não diz em palavras e atos, saber que quando se está sozinho, toma-se decisões, sonha-se com toda a felicidade que se deseja, mas, que para consegui-la é preciso que deixemos de lado tudo àquilo que aprendemos a vida inteira sobre como devemos nos comportar diante das situações normais de uma vida chamada normal. Algumas pessoas quase nos levam a repensar sobre nossas decisões sobre o que é melhor para nossas vidas, mas estamos tão enraizados nos ensinamentos que nos obrigaram a decorar, que por vezes quando vemos a oportunidade de mudar já passou.
                          Creio que hoje em dia, eu tenha conseguido ao menos pensar sobre isso em algumas situações. Não podemos viver sozinhos. Precisamos compartilhar, não podemos nos dar amor, nem carinho, nem nos contentarmos com nossa própria compainha sempre. Precisamos nos dividir até mesmo com aqueles que não querem se dividir, nem estão interessados na parte de nós que precisa se encontrar.
                         Sem romantismo, nem falso sentimentalismo, somos viajantes uns na vida dos outros, e às vezes temos que descer antes que cheguemos onde desejamos. Enfim, vale a experiência da caminhada. Andar faz com que conheçamos melhor o caminho, e quanto mais devagar, mais poderemos apreciar a paisagem. E se a descrevermos no papel, então serão imortais, porque além de nós mesmos, milhares poderão viver infinitas experiências e emoções através de nossos olhares pela vida afora.
       

           



             
           

Maria Cecilia Hequidorne
Enviado por Maria Cecilia Hequidorne em 31/03/2009
Reeditado em 31/03/2009
Código do texto: T1515846
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Cecilia Hequidorne
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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