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A SEMENTE

Era apenas uma minúscula semente vinda nem sei de onde, talvez trazida pelo vento.
Apareceu ali, sobre uns papéis em minha mesa de trabalho.
Poderia ser deixada de lado, jogada ao chão, onde certamente iria parar no lixo numa próxima faxina.
Despertou minha curiosidade.
De onde e de qual planta seria essa semente, pretinha, do tamanho de um grão de arroz. Curioso também eu estar pensando tudo isso. Sempre gostei de plantas e flores, mas só de ver, admirar.
Nunca tive dons de jardineiro.
Fui até nossa varanda, onde numa prateleira estão alguns vasinhos com plantinhas floridas.
Num dos vasinhos, num cantinho, plantei a pequenina semente.
Nos dias seguintes, após algumas regas e expectativas nada aconteceu.
Até que numa manhã, lá estava ela, germinando, uma pontinha de folha aparecendo.
Nos dias que se seguiram, ela cresceu, outras folhinhas vieram.
Agora já era uma linda plantinha. Verde, viçosa, bonita...
Tomou conta do vaso em pouco tempo.
Não se parecia com nenhuma das outras plantas, nem da varanda, nem do jardim.
Vizinhos não tinham nem conheciam também.
Logo surgiram alguns botões e em dias belas flores de um amarelo ouro jamais visto em outras flores por ali
Hoje ela é a rainha do nosso jardim.
Está nos vasos, floreiras, canteiros.
Vizinhos levaram sementes, mudinhas.
Pessoas de longe levaram também.
Enfeita já, com certeza, muitas casas, muitos olhos, muitos corações...
E pensar que tudo isso começou com uma mera sementinha perdida, trazida não sei como, nem por quem, até minha mesa...
Um anjo talvez? Sabe-se lá.
Isso sugere refletir...
Tem pessoas sementes...
Perdidas, esquecidas, não notadas. Precisando de alguém que nelas preste atenção, acredite, dê chances delas germinarem, crescerem, florirem e frutificarem
E deem de si tudo que podem dar.
Quantas pessoas passam por nossas vidas desapercebidas. Vem, vão e nem notamos, tão ocupados estamos, presos no nosso mundinho
individualista cada vez mais pequeno.
Que tenhamos olhos pra ver e coração pra sentir.
Que acreditemos mais nas pessoas.
Onde menos imaginamos, pode estar um diamante que não lapidamos.
As vezes é tão pouco o que pedem.
Basta abrirmos uma porta, acendermos uma luz, darmos uma oportunidade, uma chance...
Tudo mais vem naturalmente
E podem surpreender.
Maravilhar nossos olhos.
Tal como fez aquela sementinha que um dia
encontrei ao acaso, perdida, ali em cima de minha mesa...

= Roberto Coradini {bp} =
05//05//2012
BETO bp
Enviado por BETO bp em 05/05/2012
Código do texto: T3651670
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
BETO bp
Jundiaí - São Paulo - Brasil
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