Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

UMA VIAGEM DE TREM E UM SUFOCO TREMENDO NELA.

     Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2018.




     Sexta-feira, 5 de Outubro de 2018




     Não sei se  hoje em dia os trens da Rede Ferroviária possuem situações iguais a que passávamos há três, quatro ou cinco décadas atrás. Nessas épocas as composições era precárias, bastante deficientes, e que não atendiam à necessidade dos que precisavam usar tal tipo de transporte público.
     A situação era pior nos horários de pic, muito cedo pela manhã e do final da tarde para a noite. A massa se deslocava nesses períodos e era uma verdadeira briga Para entrar, permanecer dentro das composições e até pra sair, ao final do percurso.
    E já rapaz, na faixa dos meus dezessete, dezoito anos, fui usuário deles por um bom tempo. E como morava em Anchieta, um bairro distante do centro da cidade, tinha que enfrentar uma verdadeira batalha, se não uma guerra, para deslocar-me de casa até o trabalho, no centro da cidade.
    Certa vez, muito cedo, embarquei num deles. Estava acompanhado de dois outros colegas, irmãos, que faziam esse mesmo percurso. E nos colocamos em certo lugar dentro da composição. Até aí tudo bem. E ele já vinha superlotado desde o início do percurso, Japeri. Parava nas estações sequenciais até Deodoro. Dali, em Madureira, Cascadura, Engenho de Dentro, São Francisco Xavier e, no final, na Central do Brasil.
    Costumeiramente ele segue na mesma linha. Então os usuários já sabem de que lado é a plataforma em que desembarcarão. E saem pela porta desse respectivo lado. Mas num dia qualquer, quando o trem se aproximou da estação do Engenho de Dentro, todos notaram que ele desviou-se daquela linha, seguindo por outra, onde a porta ficava invertida. Ou seja: o desembarque naquele dia e hora fugia ao costume diário.
    Daí que todos os que iriam saltar nessa estação, deslocaram-se para o lado contrário dentro do trem. Só que foi uma movimentação feroz. Era um empurra-empurra, até se costumava trocar cotoveladas. E eu, como era pequeno e raquítico, fiquei ali naquele meio de gente estúpida. E vi-me em situação até de risco. Porque não conseguia deter aqueles que me massacravam.
    A minha sorte foi, exatamente, estar acompanhado pelos dois irmãos, que tinham bom porte físico, e eu pedi-lhes socorro. Sem constrangimento algum. Porque se não, eu acabaria todo moído e quebrado naquele meio. E eles, felizmente, me auxiliaram, protegendo-me com seus próprios corpos. E assim vi-me salvo daquela contingência.
    Contando assim é tranquilo. Mas só eu sei o sufoco que passei naquele dia e naquela circunstância. E quem foi ou é usuário de trens, sabe muito bem o que acontece nesse meio. Felizmente os trens atuais são de níveis absurdamente superiores àqueles tempos citados no início dessa assertiva. O pessoal mais novo dos dias atuais não faz nem ideia do que passamos nessas décadas atrás.
Aloisio Rocha de Almeida
Enviado por Aloisio Rocha de Almeida em 05/10/2018
Reeditado em 05/10/2018
Código do texto: T6468089
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Aloisio Rocha de Almeida
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
2213 textos (32394 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/12/18 10:04)
Aloisio Rocha de Almeida