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UM MORTO, MAS VIVO, NA PENSÃO NUMA CIDADE DO INTERIOR.



     Sábado, 6 de Outubro de 2018


     Ao lembrar-me de uma viagem de trem num dia comum indo para o trabalho, lembrei-me de uma outra. Esta, realizada bem no início dos anos sessenta, aos meus 9 ou dez anos de idade, foi uma verdadeira epopeia.

     Muita gente nesses dias atuais não sabe que os trens ligavam distâncias longas de um lugar para o outro no Brasil. E foi assim que junto com minha mãe, meus dois irmãos mais novos e um grande amigo da família, quase um irmão, e que faleceu há poucos dias atrás, fomos até o estado de Sergipe num deles.
     Com mais de cinquenta anos passados, não chego a lembrar-me detalhadamente dessa viagem. Lembro, sim, de alguns curtos episódios, como por exemplo, levamos muitos dias até chegar ao destino. Também que havia a necessidade de se trocar de trem por motivo da troca de bitolas. A linha que ia do Rio de Janeiro até Belo Horizonte era mais larga. A partir dali era mais estreita.
     De Belo Horizonte até o final, paramos por três vezes. E numa das paradas a cidade chamava-se Monte Azul, MG. Era muito pequena, pelo que lembro. Então nos dirigimos ao lugar do pernoite. Não dava nem pra chama-lo de hotel. Talvez nem pousada. Pela época poderia ser chamada de "pensão".
     Ali não havia rede elétrica. Tudo era iluminado à base de velas ou de lampiões )lamparinas). No trajeto, lembro-me, passamos por uma fogueira, onde havia várias pessoas ao redor. Não lembro se era período delas. Mas como numa cidade do interior de antigamente tudo era possível, nem chegou a nos causar tanto espanto.
     Mas um fato marcante que ocorreu nessa ocasião foi em nossa saída desse lugar. Ainda era madrugada, tudo escuro. E tínhamos que nos dirigir de volta à estação do trem, para seguir viagem em direção a Sergipe. Mas lembro perfeitamente dessa situação. Eu e meu irmão até morremos de rir porque havia um sujeito dormindo sobre uma mesa, iluminado por velas, mas não era nenhum morto. Era o vigia ou o dono do lugar. Mas a situação foi tremendamente inusitada. Principalmente para dois garotos da grande cidade, que nunca haviam visto tal procedimento.
     Foi, sim, muito divertido, naquela circunstância. E inesquecível. Tanto é que a relato aqui neste espaço.
Aloisio Rocha de Almeida
Enviado por Aloisio Rocha de Almeida em 10/10/2018
Reeditado em 10/10/2018
Código do texto: T6472315
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Sobre o autor
Aloisio Rocha de Almeida
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Aloisio Rocha de Almeida