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BEBENDO ÁGUA DE RIACHO E COMENDO FRUTA DESCONHECIDA

     Segunda-feira, 8 de Outubro de 2018


     Ao relatar a viagem que fizemos eu, minha mãe, meus dois irmãos mais novos e um amigo de família, quase um irmão, ao estado de Sergipe, terra natal de meus pais, sou forçado a lembrar-me de sua morte, recentemente. E durante sua doença, em que o visitei duas vezes no hospital, chegamos a falar dessa nossa viagem. Até acertei com ele que quando saísse dali, eu gravaria uma conversa envolvendo aquela passagem. Isto porque ele, naquela época, já era um adulto. Mesmo novo.
     Infelizmente não tivemos nem essa chance e nem oportunidade em função de sua morte uns dias depois. Mas chegamos a conversar sobre ela. E morremos de rir de algumas lembranças. Uma delas era a festa que acontecia em cada parada do trem nesse trajeto.
     Lembro-me muito bem disso, quando o trem parava, vinha aquele monte de gente vender uma série de coisas aos passageiros. Também traziam latas d'agua para matar a sede deles. E não esqueço o estado delas. Era uma água turva, meio barrenta. E todos a bebiam sem nenhum contratempo ou horror. Até porque era a única disponível para todos.
     A oferta de frutas também era comum. E lembro-me que uma delas, o umbu, era ofertado em latas, também. Tipo a que era usada pelo leite em pó. E as frutas verdinhas e frescas. Mas essa, especialmente, possuía um azedo forte, e só os que não ligavam para essas circunstâncias, as chupavam. E nós, crianças, de uma cidade grande, nem a conhecíamos. Mas pelo menos a experimentamos e ficamos a conhecendo.
     Mas eram ofertadas outras frutas. Laranjas, mangas, goiabas, etc. E essas, mais conhecidas, já simplificavam o nosso gosto e consumo. Mas era divertida aquela situação. Os vendedores ficavam agitados com a presença do trem e a possibilidade de fazer um dinheirinho. Para eles era uma forma de subsistência. Mas isso acontece até nos dias atuais nos três da rede ferroviária.
     Só não lembro exatamente quantas dessas paradas o trem fez. Mas recordo-me da alegria que sentíamos por essa viagem, bem como em suas paradas. Como seria bom, já um sexagenário, poder reviver tais tempos com uma outra viagem de trem para um destino distante. Mas a malha ferroviária brasileira, praticamente está quase desfeita. Uma pena.
Aloisio Rocha de Almeida
Enviado por Aloisio Rocha de Almeida em 10/10/2018
Reeditado em 10/10/2018
Código do texto: T6472331
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Aloisio Rocha de Almeida
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Aloisio Rocha de Almeida