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The Dark Side of Rio Grande do Sul - Santa Cruz: The Another Side

                        The Dark Side of Rio Grande do Sul
                           Santa Cruz: The Another Side



            Qual o propósito de ser belo? Toda vontade deste estado de mostrar suas diferenças com o resto do país já é histórico. Estado que se diz ser o mais belo, o único. Uma partilha da cuia de chimarrão que passa de boca em boca em um salão repleto de pessoas é motivo o suficiente para muitos afirmarem: Nós, gaúchos, somos unidos. Não tiro a razão. Porém, o que há por trás disto?
Unidos pelo mesmo movimento. Unidos entre só eles. Gaúcho e gaúchos. Rio Grande do Sul para os gaúchos. Por esta crítica, me baseio na famosa frase: “o justo paga pelo pecador”. O que significa, que nem todas as cidades desse estado têm a característica de máximo conservadorismo com bastante falta de humildade.
Contarei agora, como para um diário, a parte negativa de minha nova vida (fato real).
Como descendente da belíssima Fortaleza, TERRA DO SOL, me deparei com pessoas típicas da região. Afirmo que não apenas os cearenses, mas como todos os contemporâneos nordestinos, temos uma felicidade perpétua de conhecer e conviver com qualquer um. Independente de qualquer coisa. Somos uma região cujas inscrições, “SEJAM BEM VINDOS”, são bem claras.
Há um ano em uma cidade em particular do Rio Grande do sul, chamada Santa Cruz do Sul, venho sofrendo diversos preconceitos, que nunca e em momento algum, precisei aturar em minha cidade natal. Que fique bem claro; á partir de agora, irei me referi apenas à esta cidade em particular.
Tive que conviver com dezenas de pessoas daqui; quanto mais eu os conhecia, mais queria me afastar. O ego desta cidade tem um peso incalculável. Típica e nascida cidade alemã, ainda mantém o alto nível do individualismo. Já se dizia e é conhecido o preconceito dos sulistas para com os nordestinos, sendo óbvio que, na prática, apenas o conhecimento não se compara.
Citarei agora alguns exemplos reais de fatos ocorridos com o autor.
Sendo de pele morena e olhos muito castanhos, com cabelos ondulados de comprimento significante, comecei a notar a diferença de tratamento no momento em que decidi procurar algo relativo a trabalho. O olhar com que era recebido, digno de raiva, era baixo e esnobe. Com poucas exceções. Era encarado (aparentemente estudado) de cima a baixo em todos os ambientes em que me prestei a distribuir meu curriculum vitae. Vale ressaltar que iniciei esta procura no início do ano de 2007 e que, até hoje, mesmo não tendo desistido da busca, apenas duas empresas me chamaram (em todas, meu envio de currículo foi via internet, não fui pessoalmente ao local).
Em uma delas, uma escola de línguas (seria antiético citar), passei com ótimo desempenho nas provas iniciais, que se limitavam à conhecimento lógico, redação, informática e psicológico. Confiante de um resultado positivo, me dirigi ao último teste; entrevista com o diretor. No momento final da entrevista, ele se apressou em completar: “Se você for chamado, sabe que terá que cortar o seu cabelo”, e o próprio afirmou por fim: “As pessoas de Santa Cruz não vêem com bons olhos gente com cabelo comprido.”. Engoli todo orgulho de ter esperado por tanto tempo meu cabelo ter ficado do tamanho em que estava, e terminei: “No momento em que receber a notícia positiva, cortarei!”.
Nunca recebi esta notícia.
“Diga com quem andas, que te direi quem és” muda para: mostre seu cabelo, que te direi quem és.
Apenas como observação, cerca de três meses depois decidi por cortá-lo.
Como próprios moradores de santa Cruz já me falaram ironicamente, se tu não tiveres olhos verdes e teus cabelos não brilharem de um loiro radiante, não conseguirás nada.
Fora da lista de grupos que me chamaram, me candidatei ao cargo de distribuidor de uma empresa, em tudo parecida com a famosa Herba Life, na qual, tendo dinheiro, você entra. Tornei-me um vendedor externo. Trabalhava nas ruas durante horas sem nenhum retorno financeiro. Por quê? Eu não usava um paletó ou uma roupa de alto nível de gala para atrair ou segurar os clientes. Vestia-me com uma jovem calça jeans, blusa e um comportado moletom de lã por cima. Nada muito social tanto quanto desleixado. Há aqueles que podem afirmar a minha falta de experiência. No início, foi complicado manter a vontade, mas com o tempo, me tornei completamente bom no negócio. Pouquíssimas vendas eu fiz. Com censo de humor falo; acredito que algumas pessoas fugiam de mim.
Minhas disciplinas matriculadas na universidade local, por serem em turnos distintos, me impossibilitam ou, no mínimo, dificultam uma disponibilidade de horário para estágios. Sendo estes, remunerados, por se tratar de uma instituição particular.
Como já dito, estudo em uma universidade particular. Isso requer bastante dinheiro. Somado com o aluguel de minha nova morada e meu sustento, meu custo é bastante alto. Para dar mais drama ao restante da narração, é preciso que eu revele que estou a centenas de quilômetros de qualquer familiar meu. Minha namorada é meu único refúgio pessoal.
Como todos estes problemas para serem enfrentados, quis seguir a idéia elevada por amigos e familiares. Continuar a dar aulas particulares.
Com alguma experiência contada, segui por produzir cartões de aulas, assim como os distribui. Os frutos não foram como esperava, porém, não foi absolutamente em vão.
Eis um fato que quero destacar. Atualmente, me veio a idéia de criar um tópico no conhecido site de rede social, orkut, em uma comunidade em particular. Esta, foi feita por usuários da cidade, e tem como tema principal os animes e mangás ( desenhos e quadrinhos japoneses) junto com suas músicas típicas. Por se tratar disto, me propus a formar novas turmas de japonês (sendo a língua de interesse mútuo entre os participantes da comunidade).
O título do tópico criado era: “Aulas de Japonês”. Sendo de caráter óbvio propositalmente. Os interessados, com um clique, leriam a proposta de aula, o restante, passaria em branco. Ótimas novidades eu muito esperei de minha idéia.
Durante alguns dias, permaneci sem contato. Decepcionando-me pelo fato, visitei novamente o website para ler possíveis comentários. Muitos haviam deixado suas “amáveis” opiniões à respeito de minha proposta. Insisto em citar algumas delas:
------ x ------
- Você tem algum diploma de japonês? Tem certificado do MEC lhe permitindo ministrar aulas de japonês? Onde você se formou nesta língua?
- Quem é você?
- Sabe o que digo à sua proposta? “HAUHAUHAUHAUHAUHAU...”
- Precisamos que uma prova de que você não é mentiroso.
- Como saber que você não é caloteiro?
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À estes, tirem vocês suas próprias conclusões. Não é preciso diploma algum para alguém dar aulas particulares. Universidades e escolas escolhem seus melhores alunos a darem reforços na própria instituição para colegas atrasados ou de outras turmas. Sou prova disto. Meu japonês é bom o suficiente para ministrar aulas até um certo nível de aprendizado. Mas para alguns, isso não é o suficiente.
Concordo com aqueles que prezam por bons professores, porém, nem de perto estes comentários que recebi são sinceros e honestos. Houve aquele que riu esnobando. Para ele, faço a simples pergunta: Qual motivo te levou à isto? Na minha opinião, não há nada de hilário em uma proposta séria, principalmente quando ao fundo dela, está a vida de uma pessoa.
Não é certo o motivo de tanta estupidez patética. Sim, patéticos, esta foi a primeira palavra que me veio ao ler os ditos comentários. Imaturidade, individualismo, ego acima dos limites, impossível de imaginar a causa. Posso iludir que alguém da idade deles conhecedor de uma língua que eles tanto prezam possa intimidar um pouco. PATÉTICO. Seus egos os fazem perder uma grande oportunidade. Infantilidade certa. Creio que nenhum deles tenha menos de 18 anos.
“É brincadeira”, falou algum, “Eles querem apenas curtir”. Acredito existir uma linha limite entre brincadeira e total desrespeito, assim como esta primeira e a maldade. Na profunda e mais terrível hipótese. Estas pessoas a quem me refiro são de má índole, são pessoas dignas de serem castigadas pela própria vida, pessoas más.
Eu não acho que, mesmo com tudo, merecia este outro problema. O que eu fiz, qual minha culpa? Explicaria a mais brilhante teoria do mais brilhante cientista, mas a esta pergunta receio não saber a resposta.
Entrar em um tópico relacionado, mesmo que não tenha interesse, desprezar por completo orgulho e depois disto, ter a VONTADE de magoar alguém, a VONTADE de digitar comentários maldosos que irão, por conseguinte, também “sujar”(não no sentido literal da palavra) o recado criado... O que se pode deduzir disto?
Pó isso, escrevo este conto, símbolo de minha revolta para com esta cidade e muitas das pessoas que aqui vivem. HUMILDADE é a palavra perdida, ao que parece, a muito em Santa Cruz do Sul. O tom de seu verde e a impressionante beleza de suas mulheres (outra prova do pecado orgulho visto aqui: até mesmo em super-mercados, as garotas da cidade vão como que para um desfile de moda) escondem todo seu lado negativo.
Uma região como esta, e como algumas outras, são, na linguagem popular, “uma pedra no sapato do Rio Grande”.
Mesmo contrariando o início da narrativa, acho este estado esplendido e sua Porto Alegre, uma modelo de capital. As exceções perturbam a grandiosidade que isto aqui poderia vir a ser.
Para aqueles que perguntam o lógico; o que ainda faço vivendo aqui... Respondo apenas que há um motivo muito mais forte e maior do que todas estas barreiras que tenho que enfrentas. Um motivo pelo qual se vale a pena viver.

Santa Cruz do Sul, the dark side of Rio Grande do Sul.

     

 
Roberto Morel
Enviado por Roberto Morel em 20/09/2007
Código do texto: T660541

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Sobre o autor
Roberto Morel
Fortaleza - Ceará - Brasil, 31 anos
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