Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

0007 – Minha História – VIAGEM COM MEU ANJO DA GUARDA – Vol. 07 de 13

*****************************************************
0007 – Minha História – VIAGEM COM MEU ANJO DA GUARDA – Vol. 07 de 13
Autor da Biografia — FERNANDO MARINS LEMME — https://www.marinsartedigitalredacoes.com.br
*****************************************************
Gênero & Título do Trabalho = Minha História – VIAGEM COM MEU ANJO DA GUARDA – Vol. 07 de 13
*****************************************************
Número de SEQUENCIA do Trabalho = 0007
Ano que FOI FEITO o Trabalho = 20 de NOVEMBRO de 2019
*****************************************************
MARINS ARTE DIGITAL REDAÇÕES — Passatempos de Educação e Dissertações
— Textos Dissertativo ou Narrativo, conforme minha interpretação dos livros que li, lendo, futura leitura, e Autobiografia, e outros trabalhos que tenho, além de CURINGAS DA COZINHA, – Receitas da Família Marins & Lemme, além de outras de Chefes renomados da Cozinha Brasileira e Italiana.
— Este blog é um projeto educativo de sucesso, onde todos respeitam a individualidade a importância do perfil para melhor aproveitar o que eu me proponho em benefício de alunos, é uma prioridade, com intuito de divulgar informações sobre dissertações que escrevo. Mas acima de tudo é o espaço onde os alunos sentem-se valorizados sem desistência, acreditando na base essencial de auxílio com aprendizagem de sucesso. É uma lida sem fins lucrativos, permitindo-me desenvolver um robe sobre a educação.

Todas postagem que não é de minha autoria, Sempre constará “O NOME DO AUTOR” – “ENDEREÇO” e “DATA DE ACESSO”.

Cordialmente
Fernando Marins Lemme
*****************************************************
Pesquisa e Formatação de FERNANDO MARINS LEMME
Cidade: ANCHIETA — Estado: ESPÍRITO SANTO — País: BRASIL
*****************************************************
MEU BLOG: BLOG WORD PRESS
MARINS ARTE DIGITAL REDAÇÕES – Passatempos de Educação e Dissertações:
<https://www.marinsartedigitalredacoes.com.br >

MEU BLOG: RECANTO DAS LETRAS
MARINS ARTE DIGITAL REDAÇÕES – Passatempos de Educação e Dissertações
<https://www.recantodasletras.com.br/autores/fernandomarins>
*****************************************************
MEU E-MAIL:
<glyptos@marinsartedigitalredacoes.com.br>
<marins.lemme1@hotmail.com>
*****************************************************
0001 – Minha História – QUEM É FERNANDO MARINS LEMME – Vol. 01 de 13
0002 – Minha História – MEU NASCIMENTO (RJ) & INFÂNCIA (Petrópolis – RJ) – Vol. 02 de 13
0003 – Minha História – CONTATOS COM MEU ANJO DA GUARDA – Vol. 03 de 13
0004 – Minha História – VIAGEM AO CHILE & PRIMEIRA NAMORADA – Vol. 04 de 13
0005 – Minha História – SAÍDA DE PETRÓPOLIS (RJ) & KATHARINE MEU GRANDE AMOR (SP) – Vol. 05 de 13
0006 – Minha História – EXPERIÊNCIA MILITAR & VIAGEM A EUROPA – Vol. 06 de 13
0007 – Minha História – VIAGEM COM MEU ANJO DA GUARDA – Vol. 07 de 13
0008 – Minha História – SÃO PAULO (SP) – SÃO LUIZ (MA) – FEIRA DE SANTANA (BA) – ANCHIETA (ES) – Vol. 08 de 13
0009 – Minha História – VISÕES DE MÃE APÓS SEU DESENCARNE – Vol. 09 de 13
0010 – Minha História – MORTE DA ELIZABETH – Vol. 10 de 13
0011 – Minha História – CHEGADA & VIDA EM ANCHIETA (Espírito Santo) – Vol. 11 de 13
0012 – Minha História – OS CÉUS ME TRANSMITEM A ASPROANI – Vol. 12 de 13
0013 – Minha História – HOSPITAL VETERINÁRIO DA ASPROANI – Vol. 13 de 13
*****************************************************
CONHEÇA AS ATIVIDADES ESPÍRITA BRASILEIRA:
http://www.programatransicao.tv.br
http://www.tvmundomaior.com.br
http://www.radioboanova.com.br
http://www.mensajefraternal.org.br
http://www.tvalvoradaespirita.com.br
http://www.febrasil.org.br
*****************************************************
Biografia de Fernando Marins Lemme

MINHA VIAGEM DE ESTUDO COM MEU ANJO DA GUARDA.

MEU QUARTO CONTATO MEDIÚNICO
“PARA ESTUDO SOB A ORDEM DIVINA”
SÃO PAULO – CAPITAL

Foi quando tive a honra de ser convocado para um novo aprendizado, sendo avisado pelo meu “protetor espiritual”, para que me preparasse, pois faríamos uma viagem de estudo, conforme autorização e ordens superiores, quando fui assaltado opor uma visão que para o meu consciente era algo novo, inédito e desconhecido me aguçaram drasticamente os meus sentidos extrassensoriais.
Senti o desprendimento de meu corpo espiritual, foi um desligamento parcial das minhas células e moléculas que trabalharem em velocidade quase ou igual à da luz. Meu consciente assistia extasiado e apavorado esta metamorfose, era uma manifestação que no instante “tempo terra” via este “algo” dentro de mim, se desprender, ora seguindo para “baixo” do ponto em que me encontrava, e imediatamente retornando em direção oposta, rumo ao infinito. Em determinado momento, instantaneamente em algum ponto entre o planeta terra e o nosso sol, tinha eu a impressão de estar estacionado, mas notava que o “nosso amado Planeta Água”, pois em determinada altitude, a Terra desaparecia, somente tendo a visão de um Globo Azul, coberto por água e nuvens.
Via o nosso estimado Lar Planetário, lentamente desaparecia na negritude do Cosmo, nesse instante, notei que não me encontrava desacompanhado. Meu Anjo da Guarda este por sua vez, como de costume e sereno, com um encantador e sereno sorriso que me transmitia paz e harmonia, informou-me que estaríamos começando um novo aprendizado, em sua instrução inicial, explicou que tudo aquilo que eu presenciara e sentira, tinha ocorrido devido eu ainda estar encarnado e o que eu presenciaria a partir desta viagem, eram um dos infinitos tipos de desdobramento, ou seja, a separação do corpo etéreo de meu corpo físico, frequentemente conhecido pelo desligamento parcial da “alma” do corpo, e também este processo ocorre diariamente quando todas as noites nós adormecemos, o sonho nada mais é que passeios que a alma faz fora do corpo físico, pois este obrigatoriamente por ordem divina e principalmente por determinação da “Mãe Natureza”, tem que “recarregar as suas baterias do corpo carnal”.
Esta reação que estava sentindo, não deveria acontecer comigo, pois ao nascer, fui agraciado com esta linda e especial “dádiva divina”, a “mediunidade do desligamento espontâneo de meu corpo etéreo”, cuja finalidade principal era de ajudar “irmãos em Cristo” em outras situações, onde quer que fosse encarnado ou desencarnados, tanto nas “regiões de paz”, como em “regiões inferiores”, onde reina a dor e o sofrimento, através deste procedimento poderia e deveria acariciá-lo com um pouco de paz, harmonia, transmitindo a energia necessária, a fim, de aliviar sua dor, para que este pudesse vir a ter forças próprias, para através de uma verdadeira oração, solicitar “socorro” ao “Deus do nosso coração”.
Mas acontecem que anteriormente, as “forças superiores”, enviaram a minha presença em épocas diferentes, duas pessoas que tinham acesso irrestrito a minha pessoa, pois ainda era criança de aproximadamente dez anos. Eram duas tias que muito as amavam, uma se chamava “Zuleica Rodrigues Marins à tia Zú” e a outra “Clarisse Marins Costa à tia Lola”, que também possuíam o “dom da mediunidade espontânea”, sendo que, tia Lola, era uma “médium vidente, que além de conversar com a espiritualidade, os via e sentia, como se ainda estivessem encarnados”, tia Zú, era médium, mas não sei quais eram seus “dons”, mas infelizmente, para minha pessoa, havia uma “barreira intransponível”, a qualquer assunto referente à espiritualidade nesse sentido, que era a minha mãe, “Adelina Marins Lemme”, pois todas as oportunidades que ambas tivessem a oportunidade e possibilidade de aproximar de mim para uma orientação nesse sentido, minha mãe, prontamente interferia, afastando-as de tocar nesse assunto, embora nascesse e vivera em berço espírita.
Também, toda a oportunidade que eu tivesse de praticar o “DESDOBRAMENTO (DESDOBRAMENTO – ATO OU EFEITO DE DESDOBRAR.)”, sempre que minha mãe percebesse, bastava apenas eu trancar a porta de meu quarto e colocar uma música clássica instrumental, já era o suficiente para que mãe começasse a me chamar gritando e batendo na porta com força, pois ela sabia que com barulho, eu não conseguiria me concentrar, e, por conseguinte, não conseguiria efetuar o desdobramento para a “Viagem Astral”.
Infelizmente minha mãe, hoje desencarnada, também está respondendo por este “crime perante as forças da natureza”, embora eu já a perdoei, desde quando tomei conhecimento, do por que ela assim procedia.
Quando minha tia Zú, conseguiu conversar comigo, foi quando ela em seus últimos tempos sobre o Planeta Terra; morava em Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, telefonou para minha mãe, e pediu que eu fosse passar uns dias em sua companhia, pois ela já acamada, sentia muita saudades minhas, mas, mesmo assim, minha mãe a fez prometer que não tocaria nesse assunto comigo. É lógico que era prometeu, e também é lógico que esta promessa foi quebrada, sem o conhecimento de minha mãe. Nessa condição mãe permitiu a minha ida para passar uma semana.
Mas para a minha infelicidade, quando minha tia conseguiu romper o bloqueio de minha mãe, já havia sido tarde para mim, pois após eu ter feito uma cirurgia espiritual no Hospital Bezerra de Menezes no Rio de Janeiro, sendo removido para a sala de curativos e passe, houve uma tentativa de “desdobramento involuntário”, após eu dar várias “ordens ao meu subconsciente”, para não proceder este desdobramento, pois “algo, me dizia para me controlar”, e não conseguindo, imediatamente entrei em oração, pedindo ajuda, e incontinenti, havia sentido uma mão pressionar o meu peito, próximo ao coração, mais precisamente nesse osso central da caixa torácica, e nitidamente dentro de minha mente ouvi “fique quieto”; abri o olho direito para ver quem era, mas nada vira, eu estava sozinho em cima da maca e coberto até o pescoço com um lençol branco; e a voz continuou: “por ordem do Cristo, fique quieto”.
A partir deste momento, nunca mais consegui me desligar sozinho, depois que minha tia Zú, conseguiu me explicar o que deveria saber, comecei a chorar, ela estranhou, mas quando parei de chorar, contei para ela o que acontecera no Nosocômio Espírita, ela com dificuldade, e com o meu auxílio, ela ficou sentada, e me abraçando, pediu que eu ajoelhasse junto de sua cama, pegou o Evangelho Segundo o Espiritismo, abrindo a esmo, leu a mensagem, após o término entramos em oração, agradecendo ao Pai, aquela “benção” perdida, e pedindo a Ele, que nos guiássemos no futuro, após o término da oração, ela me presenteou aquele evangelho, e chorando também, me pediu que chamasse sua filha, que estava na sala, e me pediu que a deitasse assim eu o fiz, e quando esta chegou, ela nos pediu um ósculo em sua testa, e serenamente, fechou os olhos e adormeceu eternamente.
Como eu era uma criança, minha prima, me pediu que não fizesse barulho, pois ela estava cansada e adormecera, e me levou para a sala, inocentemente eu a acompanhei, pois não sabia e nunca havia presenciado um desencarne assim, logo depois minha prima simulou receber um telefonema de minha mãe pedindo que eu retornasse a Petrópolis, onde residia, mas quando pedi para falar com ela, a ligação caiu, arrumei minhas coisas e retornei feliz com meu presente.
Existem a princípio três tipos de desligamento pelo sono:
O PRIMEIRO – É o procedimento de acordo com o nível evolutivo do indivíduo, se este vive no planeta, em pensamentos, vulgares, mundanos ou criminosos, embora apresentem aparência externa de pessoa correta e honesta ou não, após o desligamento através do sono físico, sua “alma ou corpo perespiritual” dirige automaticamente as regiões inferiores, conforme seus pensamentos e atitudes, pois os “polos se atraem”.
O SEGUNDO – É o procedimento de acordo com o nível evolutivo do indivíduo, se este vive no planeta, em pensamentos, positivos, elevados, caridosos, sempre procurando se doar mais sem aguardar retorno para si, que qualquer maneira ou forma, independente de sua aparência externa de geralmente pessoa de aspecto humilde, após o desligamento através do sono físico, sua “alma ou corpo perispiritual” dirige automaticamente as regiões superiores, dirigindo para auxiliar os irmãos necessitados em regiões inferiores, ou outro trabalho humanitário realizado em Plano Espiritual, ou até mesmo dirigindo-se para alguma Escola ou Universidade no Plano Maior, para aprender e ter a possibilidade de futuramente utilizar em seu benefício próprio, mas finalmente para benefício e auxílio ao desenvolvimento para a evolução da humanidade. Pois os “polos continuam se atraírem”.
O TERCEIRO – É o procedimento de acordo com a nossa situação, que acontece frequentemente, são espíritos que por ordem divina, recebem autorização para efetuarem desligamento de diversas formas, uma, duas, ou mais vezes, ocasionalmente até diária, a fim de aprender algo novo, e principalmente com a finalidade de divulgação e advertência de nossos irmãos que tem interesse em aprender e se preparar para quando o seu retorno à Pátria Espiritual, bem como aos irmãos que não tiveram a oportunidade de conhecer tais fatos, assim, uma vez divulgando estes estudos, e sofrimentos de terceiros, gera a oportunidade daqueles que tem o interesse real em aprender, a se redimirem de algum erro ou rumarem em caminhos novos para não vierem a cair em erros que ocasionaram e provocaram erros de outros irmãos que não tiveram esta dádiva, este aviso ou orientação, e hoje expurgam erros, que a princípio julgaram fazer a coisa certa, entre elas o cultivo de coisas supérfluas, vaidades, orgulhos, prepotências, que muitas das vezes são beneficiados momentaneamente no Planeta Terra, e futuramente vem a sofrer por estes atos, que para “Deus, e suas imutáveis leis”, são abomináveis, embora já ensinadas nas “Sagradas Escrituras”, e de acordo com o interesse de determinadas “Escolas Religiosas”, reformulam estas leis o seu bel-prazer os seus interesses.
Meu Anjo da Guarda me informou que nosso caso é um pouco diferente, pois recebemos ordens superiores, embora que meu caso, aplica-se ao terceiro procedimento, apenas com uma diferença, este meu desdobramento, não está sendo feito através do sono físico normal, realmente meu corpo físico está em estado de letargia provocada e também com proteção especial, com “guardas armados pertencentes a Legião dos Servos de Maria”, para contra-ataques das forças das trevas, pois é para lá que nos dirigiremos.
Mas, em nosso caso, é diferente, pois estamos sob as Ordens Superiores vinda da dimensão divina, afinal esta “viagem” que estamos iniciando trata-se de um “curso”, para o seu melhor aproveitamento da atual encarnação e desenvolvimento pessoal, e principalmente prosperidade, advertência a outros irmãos que ainda estão trilhando caminhos não muito agradáveis como “O DO MATERIALISMO, DA AMBIÇÃO, DA VAIDADE, DA AVAREZA, DO ORGULHO, DO SEXO VULGAR, DO ÓDIO, DO NÃO PERDÃO, DO NÃO AMOR, DO SEXO POR INTERESSE, DA INVEJA, DA PREPOTÊNCIA, DA MALDADE, DAS DROGAS, DA PEDOFILIA, DOS CRIMES, E MUITOS MAIS CAMINHOS QUE GERALMENTE NOS AUXILIAM EM ATRAIR FAMA E DINHEIRO”, E TUDO MAIS EM DESRESPEITO DO CORPO CARNAL, MAS, OS MAIS IMPORTANTES QUE NOS AFASTAM E NOS COMPROMETE PERANTE A GRANDE E IMUTÁVEL LEI DE DEUS, A LUZ DO AMOR E DA CARIDADE, DA MORAL ÍNTEGRA, DO CRISTO E DE NOSSO “SUPREMO CRIADOR SUPERIOR UNIVERSAL” MAIS CONHECIDO VULGARMENTE COMO, “O DEUS DO NOSSO CORAÇÃO”.
MEU ANJO DA GUARDA, VOCÊ PODE ME EXPLICAR O QUE SE REFERE COMO CORPO CARNAL?
— Vou tentar te explicar, embora que esta orientação é mais detalhada pelo “grande espírito Emmanuel”:
DO QUE É A CARNE?
— Quase sempre, quando se fala de espiritualidade, apresentam muitas pessoas que queixam das existências da carne.
É verdade que os apóstolos, muitas vezes falaram de desejos exagerados dos prazeres da carne, e de seus criminosos impulsos e nocivos desejos; nós mesmos muitas vezes, sentimos a necessidade de aproveitar o símbolo para tornar mais acessíveis as lições do Evangelho, pois o próprio Mestre exemplificou que o espírito como elemento divino, é forte, mais que a carne como expressão humana, é fraca.
Entretanto, que é a carne?
Cada personalidade espiritual tem o seu corpo fluídico e ainda não percebestes, porventura, que a carne é um composto de fluídos condensados?
Naturalmente esses fluidos, em se reunindo obedece as ordens referentes à existência terrestre na qual é indicada pela lei da hereditariedade, embora esse conjunto sejas passivo e não determina por si, mas podemos simbolizar como casa terrestre, dentro da qual o Espírito é comandante desta casa, que terá boas ou más energias, de acordo com o seu procedimento e atitudes praticadas.
Quando nos referimos a “pecado da carne”, é algo gerada ou acumulada pelas faltas cometidas pela condição inferior do ser humano espiritual, que atualmente habita em todos os níveis do Planeta Terra.
O importante é que o ser humano adquira urgentemente a necessidade de autodomínio, acordando as faculdades de disciplina renovadora de si própria, no Cristo de Deus.
Os desejos desprezíveis, impulsos deprimentes, ingratidão, má-fé, a traição ou traidor, a paternidade dos crimes nunca será proveniente da “carne”, pois sabemos com certeza, que tudo isso e muitas outras maldades procedem do Espírito imortal e eterno.
Deste ponto onde nos localizamos, podemos contemplar o Planeta Terra, ou o “Planeta Água”, com esta visão privilegiada e magnífica. Este e todos os outros Planetas, as Estrelas e as Galáxias como se observa mais ao longe, gira no espaço a mais de cinco trilhões de anos, “contagem pelo Tempo Terra”, impulsionado pelas forças vivas da vida, em marcha ascensional dos mundos. Expandindo-se de todas as formas e em múltiplas manifestações em Infinitas Dimensões, sem que estes Planos Vibratórios se misturem ou se intercalem, sobre a “Dimensão ou Plano Vibratório”, darei dois exemplos, que você os conhece bem:
Exemplo:
Em vossa física (no Planeta Terra), existe uma conhecida “lei”, que afirma que “dois corpos não ocupam os mesmos lugares ao mesmo tempo?” – correto? – sim.
Embora que esta lei estaria mais completa se fosse informada ou expressada da seguinte forma:
“DOIS CORPOS NÃO OCUPAM OS MESMOS LUGARES AO MESMO TEMPO, DESDE QUE ESTEJAM NA MESMA DIMENSÃO OU PLANO VIBRATÓRIO”.
Por quê?
A vida hoje no Planeta Terra está existindo na “Terceira Dimensão” ou “Terceiro Plano Vibratório”, por conseguinte, existem dois planos já conhecidos e já vencidos em experiências vividas, refiro-me a “Primeira Dimensão” e a “Segunda Dimensão”, tem condições de vê-lo, mas quando desencarnamos nosso corpo carnal, que aqui pertence, o vemos até que seja transmutada, a nossa “inteligência” de nossa “alma”, ou de alguma “alma de outro ser vivente” é deslocada para uma nova dimensão, que vibra em velocidade acima de nossa capacidade de visão, a que a princípio a classificamos como “Quarta Dimensão”, e conforme a experiência e moral espiritual atingirão dimensões compatíveis com seu desenvolvimento, planos vibratórios estes que ainda não temos a capacidade de sentir ou observá-lo, mas em contraposição, todos os Planos Dimensionais Superiores têm condição de ouvir, ver, e até mesmo interferir, desde quando não fira da lei maior que é regedor tal situação.
“Refiro-me a ser vivente”, pois em todos os universos e em todos os “Orbes, ou Corpos Celestes” e em todas as dimensões, existem vidas, mas, nem todas as “vidas inteligentes” são em formato humano ou humanoide”, como no “Planeta Terra”. Nos universos como em cada dimensão, os seres possuem corpos de acordo com seu nível evolutivo e conforme o aprendizado, resgate ou evolução, podendo ser mais sutis ou opacos, conforme a moral conquistada em sua existência desde a sua criação.
Para tentar explicar, um pouco melhor, conforme informações de espíritos de classe angelical, o nosso amado mestre Jesus, O Cristo, se preparou aproximadamente por um período aproximado de cinco mil anos, (conforme tempo do Planeta Terra, naquela época, em que o tempo era mais lento que atualmente). O Cristo veio “apagando a Sua Luz”, reduzindo de “cegar literalmente os habitantes deste planeta”, pois os irmãos menores, que aqui vivamos, teriam de observá-lo para que houvesse o contato com o Mestre, e as lições e exemplos fossem transmitidos.
Mesmo assim, muitos espíritos encarnados e desencarnados, não tiveram condições de poder ver, mas conseguiu senti-lo em sua companhia, este foi considerado o Filho de Deus, e para muito o próprio Deus, se manifestando entre os homens.
Conforme informações complementares dos espíritos de classe angelical, o nosso amado mestre Jesus, o Cristo de Deus, “Cristo – é uma classe hierárquica, não é Deus e nem filho de Deus”, o seu “Luminosidade Conquistada pelo seu ALTO NÍVEL EVOLUTIVO”, se tornando mais opaco, com a finalidade de poder se manifestar sobre o Planeta Terra, para que não ocorresse a possibilidade conforme muitos o chamam. À distância em que a humanidade do Planeta Terra, se encontra para o Cristo, é a mesma que o Cristo está para Deus, à única diferença é que a maior parte da Humanidade Terrena, atual, não tem capacidade moral e evolutiva para chegar mesmo em pensamento ao Cristo, enquanto o “Cristo” chaga a “Deus”, toda vez que se faça necessário, mas entre a “hierarquia da classe do Cristo” e o “Supremo Criador Superior Universal”, existe uma infinidade de hierarquias, que não temos conhecimento e não é aconselhável a humanidade terrena se preocupar com este fato no momento. O Cristo, que vocês conheceram “Jesus, o Nazareno”, foi o espírito mais evoluído e perfeito para os nossos padrões de inteligência, que vocês tiveram a capacidade para conhecer. E o trataram de forma delinquente e abominável.
Meu Anjo da Guarda solicitou-me que o abraçasse bem, pois aquela “viagem de turismo” chegara ao final, a partir daquele instante daríamos início à verdadeira viagem, previamente programada, e que seria mais instrutiva e necessária, mal acabou de se expressar, mergulhamos em altíssima velocidade em direção, a nossa amada “Mãe Terra”, esta do tamanho de uma “bola de gude”, em décimos de segundos, tornou-se uma gigantesca planície, pensei que fosse estacionar, mas me enganei, pois continuamos a descer, sem tocá-lo atravessamos sua crosta, pois estávamos viajando na “quarta dimensão”, enquanto meu corpo carnal estava cuidadosamente “guardado, em fase de repouso absoluto” na “terceira dimensão”.
“{Proteção esta, quando em fase de criança, desconhecia e irresponsavelmente fazia os meus passeios “extrassensoriais” conforme já comunicado no início deste, para ajudar e beneficiar os irmãos, para que venham a recair neste mesmo erro que cometi, e nas armadilhas que a vida nos oferece com suas devidas sutilezas a fim de nos aprisionar retardando o verdadeiro caminho para a “luz maior”, ou melhor, para que possamos achar o verdadeiro caminho que nos levará mais rápido e sem os devidos sofrimentos, para chegarmos mais próximos ao Cristo de Deus}”.
De repente, estacionamos, sendo um pouso suave, estávamos dentro do Planeta Terra, embora similar, era uma terra diferente, um mundo sem vida, obscuro, ambiente pavoroso, hostil, planícies imensas sem vida, sem vegetação, sem luz, mas meus olhos enxergavam perfeitamente, dentro do que me era permitido, era algo desconhecido e inexplicável, no meio das planícies, via lagoas gigantescas de cor negra, CORDILHEIRAS (CORDILHEIRA – GRUPO DE MONTANHAS, GERALMENTE A PRINCIPAL CADEIA DE UM CONTINENTE.) com PENHASCOS (PENHASCO – PENHA ALTA, ROCHEDO ELEVADO.) pontiagudos também na cor negra, extremamente íngreme, além de um cheiro FÉTIDO (FÉTIDO – QUE EXALA OU TRESANDA CHEIRO FORTE E REPUGNANTE.), o solo pantanoso, tipo lamaçal, com constante limo extremamente escorregadio, similar a uma gosma, não identificável, com tonalidade de OCRE (FÉTIDO – QUE EXALA OU TRESANDA CHEIRO FORTE E REPUGNANTE.).
Estávamos nos dirigindo aos abismos e, abismos inferiores, mas existem várias outras estradas em diversos locais no Planeta, pela Terceira Dimensão, e principalmente pelas regiões dos manguezais.
Meu companheiro, e protetor, informou-me já havia uma autorização para que em uma próxima viagem de estudo, esta, seria pelo mesmo percurso que DANTE (DANTE ALIGHIERI, AUTOR ITALIANO (FLORENÇA, 1265 – RAVENA, 1321). FOI UM DOS MAIORES POETAS DA IDADE MÉDIA. SEU POEMA ÉPICO DIVINA COMÉDIA FIGURA ENTRE AS MELHORES OBRAS DA LITERATURA MUNDIAL.) havia feito.
Meu anjo da guarda e eu paramos e oramos ao Senhor da Vida, pedindo permissão, força, harmonia e sabedoria, para penetrar em uma região crítica, com muita dor e sofrimento. Findo esta oração, meu instrutor passou sua destra sobre a minha cabeça, abrindo a minha percepção extrassensorial e minha visão e audição.
Abrindo lentamente os olhos, desta vez deparei-me com diversos seres, com formas BIZARRAS (BIZARRO – ESQUISITO; ESTRANHO; EXTRAVAGANTE.), meu anjo da guarda, pediu que olhasse para o “céu”, quando dirigi meu olhar para cima, aquilo que chamaria de “céu”, reparei que na parte superior daquele local, daquele vale obscuro, observei que existia um ponto luminoso, uma espécie de “lua cheia prateada” que nos observava em qualquer localidade que nos encontrávamos.
Voltando o olhar para o nível que me encontrava, ouvia soluços, gemidos, o verdadeiro “ranger de dentes”, tanto advertido pelo amado Mestre Jesus, eram seres que viviam em sofrimentos terríveis, provocados exclusivamente por cada um deles e ficariam nessas situações até expurgarem e até aprenderem a perdoar ou pedirem perdão, dentro da verdadeira humildade, quando equipes por ordem do Cristo, se dirigiria a cada local, a cada gruta e recolheria aqueles ou aqueles irmãos que de coração aberto, devido ao excesso de sofrimento, solicitavam ao “Pai”, o verdadeiro e puro socorro; aí sim, seria encaminhado a um dos “Postos de Socorro”, existente em diversas localidades daquelas regiões de sofrimento, para imediato tratamento, e futuramente transferindo para hospitais para tratamentos mais adequados, e se prepararem também para uma futura reencarnação, que muitas das vezes são reparadoras de pequena frequência, (os espíritos reencarnam, vivem tempos curtíssimos, chegando ao máximo há um ano, e desencarnando, ou “morrendo”, o tempo suficiente para que aquele espírito devedor possa obter um esquecimento parcial, a fim de ter condições de uma nova “vida na carne”, uma reencarnação em um novo corpo, no orbe terrestre, para continuar o seu tratamento e, por conseguinte, começar a galgar uma nova aprendizagem, e se redimir de erros e cometidos anteriormente).
Meu Anjo da Guarda no seu entendimento, poderia me explicar com maior e melhor precisão o que significa a palavra “reencarnação?”.
É o efeito de crer no renascimento do espírito em um novo corpo de carne, em eterno aprimoramento de evolução, em direção à Luz Maior.
Eterno o é, mas perfeito, somente tendo a existência real é o “Supremo Criador Superior Universal”, ou para outros o “Deus do seu coração”. Não existe a “METEMPSICOSE (METEMPSICOSE – TRANSMIGRAÇÃO DA ALMA DE UM CORPO PARA OUTRO; REENCARNAÇÃO.)” – de acordo com a filosofia do Planeta Terra, tratam-se da doutrina segundo a qual uma mesma alma pode animar sucessivamente corpos diversos, homens, animais ou vegetais; transmigração. – perante as sábias leis divinas é impossível o retrocesso no aprendizado, porém em determinado momento da evolução de cada indivíduo poderá estagnar temporariamente. – Isso varia de alguns segundo “medido em tempo-espaço” a algumas centenas de milhares de anos, até que o puro arrependimento toque o seu coração.
Por conseguinte, a “desencarnação” é a morte deste corpo de carne, isto é, a morte do corpo físico, em que resulta, na liberação do Espírito, ao Mundo Espiritual ou a Pátria Espiritual.
Retornando ao Plano Espiritual, se prepararão para reencarnações em novos lares, com novas famílias amigas ou inimigas, conforme o débito de todos os quais em novos corpos, com novas oportunidades, para aprendizados e principalmente possibilidades de resgates de erros do passado. Muitas vezes, reencarnações acompanhadas de irmãos que anteriormente caíram com ele ou tenha responsabilidade nas quedas de terceiros.
ESTA É A “LEI DO AMOR E DO PERDÃO”.
Perguntei ao meu amigo, Espiritual, se quisesse me aproximar daquela “lua, ou ponto luminoso” acima de nossas cabeças, pois acreditava saber que se encontrava dentro do orbe terrestre e poder vê-lo melhor, como deveria proceder?
— Meu Anjo da Guarda, me chamou a atenção, explicando que aquilo que eu estava observando, não se encontrava dentro do orbe terrestre, como imaginava, pois não nos encontrava dentro da Terceira Dimensão ou Terceiro Plano Vibratório, conforme a vida atual do Planeta Terra, mas sim dentro do Quarto Plano Vibratório, e esta “lua cheia prateada”, estava situada em regiões superiores, e só conseguia observá-la, pois minha visão estava amplificada, para aquele estudo. A distância que nos separa, é aproximadamente de “bilhões de anos de evolução”, é quase a metade da distância que estamos para o “Cristo de Deus”, nós só temos permissão de chegar ou talvez a possibilidade de chegar ao Cristo (Jesus, O Nazareno), mediante a uma fervorosa e sincera oração, chega ao Cristo, ou aquela que foi sua “Mãe na Terra”, Maria de Nazaré, toda a ocasião que se faça necessária.
— Outra coisa, o Cristo, é o mentor e governador do nosso Sistema Solar, mas, vive e habita o “Planeta Sirius”, enquanto sua “mãe, Maria de Nazaré”, é considerada como “Protetora dos Irmãos Suicidas”, e vive nas Regiões Trevosas, e é a Mentora e Coordenadora do “HOSPITAL DOS SERVOS (SERVO – INDIVÍDUO CUJOS BENS E PESSOA DEPENDEM DE OUTRO. / QUE NÃO É LIVRE; SUBORDINADO, DEPENDENTE, NA CONDIÇÃO DE CRIADO OU DE ESCRAVO.) DE MARIA” e também tem sob sua responsabilidade, um, EXÉRCITO, INTITULADO “LEGIÃO DOS SERVOS DE MARIA”, umas das infinitas equipes de socorro existente nos Abismos e Abisso Inferiores, especializados, em socorrer e auxiliar Espíritos que pedem e necessitam de socorro ou resgates, principalmente por terem já expurgado suas faltas ou solicitam socorro através da aprendizagem da verdadeira e pura humildade, mesmo que estes pobres e infelizes se mantenham aprisionados, nas profundas das cavernas e sob a rigorosa vigilância dos Espíritos que equivocadamente ainda vibram no Mau.
Simplesmente silenciei, procurando absorver todo aquele precioso ensinamento.
Voltando a realidade de meus estudos atuais, Meu Anjo da Guarda, pegou em minha mão e descemos vertiginosamente para regiões mais baixas, mais pesadas, avisando-me para dele não se afastar, pois iríamos caminhar para melhor e maior aprendizagem.
— “Não tente e nem ajude ou responda qualquer apelo”, pode ser uma “ARAPUCA (ARAPUCA – ARMADILHA FEITA DE PAUZINHOS PARA APANHAR PÁSSAROS.)” existem aqui equipes especializadas, circulando diariamente em todos os vales e em todas as regiões, existem recursos para saber quem, quando, como e onde efetuar os resgates. MANTENHA SEMPRE O PENSAMENTO NO CRISTO, “NÃO DESVIE O PENSAMENTO EM HIPÓTESE NENHUMA”, E PRINCIPALMENTE SOB QUALQUER POSSÍVEL PRETEXTO. Continuamos seguindo em despenhadeiro abaixo, as paredes ao lado da trilha que percorríamos, era gelada, negra e escorregadia com aquele líquido gosmento que brotava da pedra. Mais além, deparamos com um ser bizarro e gigantesco, que se intitulava “o guardião do inferno”, quando nos indagou o que ali fazíamos?
Meu Anjo da Guarda, humildemente e de cabeça baixa, demonstrando submissão, solicitou permissão, pois estava em excursão e missão de estudo. Este o contestou; afirmando que ali só adentrava Espíritos devedores e almas endurecidas no mal, e quando ali penetrava, não mais podia se retirar, pois nunca haverá nova oportunidade para os maus. Esta resposta foi emitida em um som extremamente estridente, que ecoou por todo o vale; instantaneamente vários outros seres sofredores, já ali alojados emergiram parcialmente seus corpos do terreno pantanoso fétido, e se puseram a lamentar gritar, BLASFEMAR (BLASFEMAR – ULTRAJAR COM BLASFÊMIAS.). No meio da gritaria, “o guardião”, não permitindo a nossa passagem, começou ter atitudes violentas para conosco, foi quando um fino e delgado feixe de luz desceu do “céu”, atingindo precisamente a “cabeça do guardião dos infernos”, onde este imediatamente ESCAFEDEU-SE (ESCAFEDER-SE – FUGIR APRESSADAMENTE.), e deixando livre a passagem para nós, parei e olhei para cima e reparei que a luz, partira de grandes altitudes, apagando-se logo em seguida.
Aquela “luz” representava uma “ordem”, em que o guardião, acatou imediatamente, e aos berros e com a voz trêmula, falou repetindo várias vezes:
— Filhos da Luz, podem passar todos os caminhos, lhe serão abertos.
Nós seguimos viagem, descendo cada vez mais, em silêncio, quando raramente nos comunicávamos, era direta, rápida e sempre mentalmente, nunca verbalmente, mas percebi que meu Anjo da Guarda, tinha alguma missão especial a ser cumprida, pois se deslocava naquela região com a maior naturalidade e precisão, de repente, estacionamos junto a um determinado buraco, percebi que algo se mexia no fundo deste, mas nada conseguia enxergar, foi quando meu Anjo da Guarda, novamente fez um sinal, para mim incompreensível, e novamente do alto veio outro feixe de luz, mas desta vez, mais amplo, precisam ente naquele buraco, assim podemos perceber que ali existiam seres pseudo-humanos, muitos, similares a minhocas, com aproximadamente trinta centímetros cada, cegas e surdas, em tempos anteriores, eram criaturas quando encarnadas, não acreditavam na existência do Criador, eram pessoas que se julgavam autossuficientes, vulgarmente se dominavam “ATEUS (ATEU – QUE OU O QUE NEGA A EXISTÊNCIA DE QUALQUER DIVINDADE)”.
 
(Ver observação no final desta lição)
{Ver o relato de um suicida Ateu, no final deste relato, extraído do livro “O CÉU E O INFERNO OU A JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO O ESPIRITISMO – de autoria e PSICOGRAFIA (PSICOGRAFIA – ESPIRITISMO ESCRITA DOS ESPÍRITOS PELA MÃO DO MÉDIUM.) de ALLAN KARDEC (ALLAN KARDEC, – CODIFICADOR E SISTEMATIZADOR DA DOUTRINA ESPÍRITA.)”}.

Assim quando a “Lei do Amor”, concluir o seu círculo, predeterminado e imutável, estas criaturas hoje, vivem destas maneiras, mas amanhã (em tempo-espaço não determinado), terão novas oportunidades de nascimento em um novo corpo carnal, com crescimento e muitas deles, terão novas famílias que os acatarão e tentará ajudá-los, pois, com certeza, virão com deficiências físicas e muitos deles também mentais, algumas famílias (poucas), os assumirão e respeitam as Ordens de Deus, para recuperação destes irmãos em débitos com a Justiça Divina, mas infelizmente, muitos serão rejeitados, pois muitas famílias, não admitem terem como filhos, seres gerados com deficiências, acima citadas ou piores, nesse caso, o “orgulho” e a “ignorância”, os induzem a “desfazer desses objetos de fabricação defeituosa”, sendo abandonada a própria sorte, mas como “Deus é Amor, é Pai”, nunca abandona seus filhos, nem mesmo aqueles que mais “o” ofenderam, “o” desprezarão, assim, estes novos “candidatos à readmissão a vida correta”, são colocados em situações, que sempre serão acolhidos através das “mães de corações sensibilizados”, mães estas, que tem por finalidade acudir e sempre procurar ajudar a estes candidatos a crescer, a desenvolver, a progredir, para que não voltem a reincidir-nos mesmos erros que os levaram a quedas ou procurar impedir através da boa orientação, a boa educação dentro do ensinamento do Cristo, para que estes não caiam novamente em novas tentações.
Em pureza e caridade, desviou a luz, a fim de que a claridade não pudesse atormentar aqueles irmãos que expurgavam seus crimes, podendo sobreviver na habitual escuridão. Seguimos em frente, cruzamos com um gigantesco lobo, assustei-me, mas, Meu Anjo da Guarda, penetrando em minha mente, segurou em meu ombro, transmitindo paz e calma, mal, o animal acabou de passar, este retornou e me encarou, foi quando quase desmaiei de susto, pois era um lobo com feições ainda similar a uma cabeça humana, ainda conseguia falar, com certa dificuldade, pediu-me socorro, pois estava cansado de estar naquela situação e já encontrava arrependido de seus defeitos, se é que realmente ele era culpado, ele se julgava inocente e perseguido, por algo que não lembrava, mas se julgava inocente. Intimamente nos arquivos de minha alma o reconheci, aquela fisionomia, foi quando Meu Anjo da Guarda tocou em meu ombro e mentalmente pediu-me que eu entrasse em oração, por ele, pois os nossos passados havia se cruzados naquele instante, em silêncio, orei a aquele irmão em sofrimento, acho que ele percebeu ou sentiu algo, pois notei que de seus olhos cor de brasas incandescentes, correra uma grossa lágrima cor de sangue, e me agradeceu.
Meu Anjo da Guarda foi que respondeu, e pediu que o irmão tivesse um pouco mais de paciência, pois o caso dele já estava em estâncias superiores, aguardando solução, este por sua vez, abaixou a cabeça, com aqueles grandes olhos vermelhos, e desapareceu vale adentro. Com este fato, meu Anjo da Guarda, não perdendo a oportunidade de um novo ensinamento, explicou-me que aquele infeliz irmão, quando teve a oportunidade divina, de crescer e seguir em direção a “Luz Maior” preferiu optar por outro caminho, seguindo o do egoísmo, ambição, indiferença, e quem assim age fica em débito com a “Lei da Causa e Efeito” e a “Lei de Deus, Eterna e Imutável”, ninguém comete o mal, e fica impune.
Aquele “animal”, através das maldades praticadas, atingiu níveis inferiores, e como ainda não conhece e nem admite o perdão, retornou as formas inferiores, porque já retrocedera na escala evolutiva dos seres. Este nosso amigo em especial, assumiu, ou melhor, foram induzidas através mentes poderosíssimas, dos “grandes DRAGÕES (DRAGÃO – NOME DADO AOS MAIS TERRÍVEIS MONSTROS DO MUNDO ANTIGO.)”, a forma de lobo, e assim está há aproximadamente sete milênios, por enquanto, só está perdendo os membros superiores e futuramente os inferiores, mas se não se redimir, por exemplo, aceitando uma reencarnação de emergência, caso contrário, a próxima etapa será a perda da consciência, por conseguinte, retrocederá até degenerar, por completo, atingindo o “estágio de OVOIDE (OVOIDE – QUE TEM A FORMA DE OVO.)”, onde se manterá a sua consciência, compactada e seu perispíritos se autodestruirá em uma “implosão interna atômica com a desintegração das células espirituais”.
Os “ovoides” são utilizados por outros Espíritos, mas centrados na maldade, a fim de obsedar encarnados e desencarnados, estes se alimentam da energia vital de suas vítimas, formando uma simbiose, similar a uma “SANGUESSUGA (SANGUESSUGA – VERME DA ORDEM DOS ANELÍDEOS, CLASSE DOS HIRUDÍNEOS, QUE VIVE NA ÁGUA DOCE E CUJO CORPO POSSUI VENTOSAS)”, que só se desligam após a escassez por completo de sua fonte de alimentação, ou seja, suas vítimas.
Meu Anjo da Guarda, também me explicou que, caso estes ovoides não tiverem socorro imediato, o próximo passo será que o seu perispírito atingirá a etapa anterior de uma “implosão interna atômica com a desintegração das células espirituais”, assim decaindo mais nas trevas interiores mais profundas, e para reencarnar novamente, deverá aguardar milhões de anos, tempo Planeta Terra, até que a “Mãe Terra” os reequilibre para que tenham a condição de retornar ao processo evolutivo.
Estes seres, quando socorrido por forças divinas, são removidos, por equipes altamente treinadas e sob a orientação e autorização do Cristo, sendo removidos para os hospitais especializados localizados em dimensões altamente superiores, onde será tratada através de processos, tipo, hipnose para romper e remover as diversas barreiras, impostas por mentes poderosas das trevas inferiores.
Estas barreiras serão desintegradas, trazendo o infeliz irmão ao plano da consciência depois preparado para voltar a reencarnar, recomeçando em sua própria evolução.
Estes “irmãos doentes e altamente desequilibrados”, como reportei, são encaminhados a outras Dimensões Superiores, principalmente com a finalidade de seus antigos VERDUGOS (VERDUGO – ALGOZ, CARRASCO.), não terem meios de o localizarem, pois sua Moral Evolutiva não permite atingir Planos Vibratórios Superiores, e atrapalhar sua recuperação, casos estes ovoides não venham ter a bênção de um resgate, e não tendo vontade própria, continua no erro, até que um dia, chegado o momento em que se canse de tal situação, ou ADQUIRA FORÇA, PARA QUE POSSA EMITIR UMA CENTELHA, POR MENOR QUE SEJA DE SOCORRO, POIS ONDE ELE SE ENCONTRAR “NOS QUATRO CANTOS DOS UNIVERSOS”, OU “EM QUALQUER PLANO VIBRATÓRIO”, PELA “VELOCIDADE DO PENSAMENTO”, DEUS, AUTORIZA O RESGATE IMEDIATO E INSTANTÂNEO PARA ESTE OU AQUELE FILHO QUE QUER RETORNAR A CASA DO PAI.
Pois evoluir é conquistar graus cada vez mais adiantados na consciência conhecendo a si mesmo.
Caminhamos mais um pouco, deparei-me com uma vasta lagoa de tonalidade verde-claro, quando meu Anjo da Guarda, pediu que mergulhasse minha mão, sem compreender o porquê, obedeci, e para o meu maior espanto, mal consegui tocar em sua superfície, pois não era água e sim uma gelatina, ficando perplexo, quando surgiram diversas formas que assemelhavam a faces que olhavam em minha direção, transmitindo tristeza e choro sem lágrimas; (ranger de dentes).
A reencarnação, meu irmão, é uma dádiva que Deus, nos concede, é uma oportunidade do Amor Supremo. A conquista de um corpo na Terra é concessão pouco compreendida, pela humanidade. Esses espíritos anseiam por reencarnar na superfície, principalmente por serem agraciado divinamente pelo esquecimento de suas faltas e crimes, principalmente em um corpo de carne, novas oportunidades surgirão e principalmente é a possibilidade de respirar um pouco de oxigênio puro e serem agraciado com a pura e aconchegante luz solar.
Voltemos à triste realidade, quando ouvimos gemidos lacerantes, uivos, gargalhadas, choros, e fim, ruídos apavorantes emitidos por verdadeiros e alucinantes loucos; novamente meus olhos encheram de lágrimas e tristeza, por não poder socorrer aqueles irmãos em lamentável situação, mas provocados exclusivamente por cada um deles, pois afinal, eles plantaram os “Talentos Recebidos”, em terreno espinhoso e agora os colhem com seus devidos frutos.
Eu e meu Anjo da Guarda demos as mãos, fechamos os olhos e proferimos uma oração fervorosa ao nosso amado mestre Jesus, pelos irmãos ali em sofrimento e também solicitando força e proteção, para continuarmos aquela viagem de estudo, conforme seus desígnios.
De repente, porém nós ouviu um vozerio mais tenebroso, que aquelas lamentações, estalos incompreensíveis ruídos, similares a chibatadas em direção aos irmãos agonizantes, que eram deferidos pelos “senhores dos abismos”, os chamados e temidos “dragões”.
Os dragões são seres, que vivem e se alimentam da maldade e da energia negativa, que existe, nas profundezas dos abismos e também das energias negativas emitidas pelos pensamentos emanados pela humanidade vivente da superfície do orbe, dos criminosos, dos grandes assassinos de guerra, dos drogados, dos traficantes, dos pedófilos, dos homicidas e principalmente das pessoas que vivem, pensam e praticam o sexo depravado e inconsequente; também estes chamados “dragões” são seres, incapazes de cumprir e respeitar as orientações e ensinamentos do “Cristo (O Cordeiro de Deus), e o Deus e suas sábias e imutáveis leis”. Os dragões organizam-se, com a finalidade de praticar o mal, pois acreditam serem representantes da verdadeira justiça; escravizando outros irmãos que tiveram a infelicidade de desaproveitaram a oportunidade de sua vida na Terra, sentem prazer e se alimentam com o sofrimento dos infelizes, mas, ignoram que esta situação não pertence a eles, mas sim a “sabedoria divina”, que quando o “tempo de cada dragão” chega ao relógio da vida, este é encaminhado a uma encarnação compulsória, quer dizer, saí das trevas, para a superfície, em novo corpo, logicamente, não se trata de um corpo sadio, mas um corpo danificado, com o propósito de através da dor e sofrimento, além do esquecimento, este tem a possibilidade de um princípio de resgate de seu tempo perdido, não no Planeta Terra, pois este está em fase de evolução e purificação, mas sim em um planeta localizado na “Grande Casa do Pai, pois lá existem muitas moradas, e uma desta morada, será apropriada para o recomeço deste espírito” que durante muito tempo viveu na negatividade.
Frequentemente são Planetas equivalentes aos primórdios do Planeta Terra. Dando início a novas civilizações, que povoaram estas novas Casas Planetárias, para que um dia na eternidade e tempo local, atingirão aos atuais níveis de evolução, e, por conseguinte, aumentando a possibilidade de cada qual, redimirem através das leis da causa e efeito e as leis da evolução.
Tudo ocorre nos Universos e em todos os Planos Vibratórios ou Dimensões são com o consentimento e por vontade do “Supremo Criador Superior Universal”, até mesmo o mal, é importante. Pois, se o “mau” não existir, o “bem”, o bem também não existe, pois não teria como diferenciar um do outro. Um exemplo disso é:
Uma lâmpada, está só manifesta a luz, ou claridade, quando existe a união dos dois polos: “negativo” – (equivalente ao mau), – com o contato com o polo “positivo” – (equivalente ao bem), – esta união, gera a “luz”, – (equivalente à evolução)”.
Nova lição aprendida, apenas precisava de tempo para assimilar, coisa que no momento ainda estava extremamente resumida, mas não desprezadas. O estudo continuava, e continuamos a nossa descida, já havíamos atingido aproximadamente dois mil metros de profundidade, a partir da superfície, mas ainda estávamos no início dos abismos, que segundo informações superficiais que consegui obter, o abismo mais profundo, estaria aproximadamente a treze mil metros de profundidade, regiões habitadas pelos “grandes dragões”, ou os “dragões cientistas”, locais que a maioria dos grandes laboratórios das trevas, se encontrava, locais onde eram criadas as novas drogas os novos medicamentos com a finalidade de dar suporte a grandes traficantes na superfície do Planeta. Com um detalhe muito importante, estes seres que atualmente habitam essas regiões, NÃO MAIS RENASCERÃO NO PLANETA TERRA, estão aguardando a chegada do seu relógio da vida, para serem transferido para novas encarnações em novos Planetas em formação, adequados o seu atual nível e frequência de moralidade.
Planetas como a Terra na era pré-histórica, que existe ainda no Primeiro Plano Vibratório, ou Primeira Dimensão, receberão estes seres com o seu atual nível de conhecimento, proporcionando à evolução as novas civilizações assim aplicando o conhecimento e desenvolvimento a estes novos mundos em fase de primitiva, da mesma forma que aconteceu com o nosso Planeta, e, por conseguinte, proporcionando a estes Espíritos errantes, novas e sábias oportunidades de um recomeçam dignamente, o seu caminho em direção à luz maior.
Em determinado momento, estacionamos e adequadamente observamos um ruído similar à marcha militar, em uma gigantesca praça aproximadamente a cinquenta metros de onde nos localizamos. No centro desta praça, observamos que havia um enorme animal, exatamente com a forma de um gigantesco dragão acorrentado, e ao seu redor as tropas militares, devidamente fardados em estilo de “romano imperial”, de saiote, capacete e espadas, uma tropa, uma verdadeira legião de aproximadamente cinquenta mil homens, desfilando e prestando honras militares a aquele grande dragão, ali acorrentado, mas em especial, este era o “grande rei dos dragões”.
Meu Anjo da Guarda passou em silêncio, sua destra sobre os meus olhos e ouvidos, de forma que conseguindo ampliar a minha visão e audição, foi aí que notei que os soldados, embora com forma humana, tinha apenas um olho no centro da testa, sobre o nariz e as orelhas em forma pontiagudas, similar à de um felino, e também apresentava uma pequena cauda que se lembrava de um lagarto.
O primeiro grupamento levava uma grande caixa dourada, lembrando a “Arca Perdida”. Dentro desta constava vários pergaminhos, que simbolizavam e continha as grandes leis dos dragões.
“Dragões” estes, que a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, denomina por “satanás” ou o “LÚCIFER (LÚCIFER – SATANÁS)”, e os “dragonetes” denominam por “diabos”.
Este dragão, acorrentado estava aguardando a “passagem apocalíptica”, que segundo a “Bíblia Sagrada”, já estava chegando o momento que “Deus”, o soltaria, para que tivesse a possibilidade de redimir perante sua soberana e imutável lei, época que coincidirá com a mudança que Planeta Terra, passa para uma nova etapa evolutiva, recebendo uma nova raça que habitará a Nova Terra. Novo Planeta de Regeneração e maior desenvolvimento ampliando e expandindo também o bem e a luz, nos corações e nas almas humanas.
Caso os “dragões”, “Espíritos altamente devedores”, ou “simpatizantes” que não queiram ou desprezem esta grandiosa oportunidade de remissão e de expurgar parcialmente suas dívidas perante a Suprema Lei da Causa e Efeito, após o desencarne, daqueles que reencarnaram e também dos que não aproveitaram esta dádiva, serão enviados para outros Planetas, outro Sistema Solar, similar, a fim de habitarem e dar início a um novo processo evolutivo em seu novo Lar Planetário, concedido pelo “maior amor existente”, “o amor de Deus por seus filhos”.
Continuamos nossa descida, quando para maior surpresa minha, cruzou outro dragão, não se tratava do rei dos dragões, pois este continuava acorrentado no centro daquela praça. Mas era um animal de menor tamanho e importância, quando obstruiu nosso caminho, não permitindo que continuasse, foi quando Meu Anjo da Guarda se postou a minha frente, e falando com voz altiva:
“Afasta-te, irmão, nós somos Filhos do Cordeiro e buscamos as profundidades para aprender e progredir”.
Este, lançando um grito bestial, disparou, deixando-nos o caminho livre e continuamos nossa jornada. Quando tive nova advertência, pois daqui para frente defrontaremos com Espíritos envergando formas animalescas e pavorosas, continue com o pensamento fixado no Cristo, pois as trevas nunca prevalecerão contra a “luz”, e o “mau”, não vencerá o bem jamais. Nada tema, pois o Cristo sempre está conosco, em qualquer situação.
Percebi que estávamos sendo seguidos por toda a parte por uma “legião de seres diabólicos”, os chamados “olhos dos dragões”, nos observavam, era pelo alto, por trás, pelos lados, pelos seres mergulhados nos pântanos por onde passávamos, seguíamos como se estivéssemos sozinho, quando deparamos com uma gigantesca muralha, que era revestida por uma planta trepadeira de folhas gigantescas.
Foi quando meu Anjo da Guarda encaminhou a uma pequena porta e se fez anunciar, esta se abriu, e fomos recebidos carinhosamente por um ser que parecia do sexo feminino, mas nada demonstrava, apenas trajava uma túnica extremamente alva e nos recebeu carinhosamente, era um ambiente claro, ar agradável, ambiente florido, uma limpeza primordial.
Fiquei encantado, pois no centro daquelas densas trevas de sofrimento e maldades, Deus colocara uma “Casa de Paz, Amor e Harmonia”.
Fui apresentado ao Guardião que acabara de conhecer, este se apresentou sob o nome de “Klaus”, informou-nos que nos acompanharia em nossa jornada a partir daquele ponto, em direção as grandes profundidades, pois o último ser encarnado que recebeu a dádiva dos céus, tratava-se de “Dante Alighieri”, mas infelizmente o precioso relato, passou pela “condenação eclesiástica”, da época, dominada integralmente pela Igreja Católica Apostólica Romana, que tinha o interesse em adaptar o chamado “inferno de Dante”, a suas necessidades e conveniências, mais imediatas, naquela ocasião.
Klaus comentou com seu tom de voz severo, embora docemente assimilado; “não se preocupe com o tempo que você, pois para um espírito, o tempo varia de local, ambiente, Planeta ou Plano Vibratório”, em nosso caso, o “ambiente, fora destes muros”, trata-se de locais extremamente hostis, no entanto dentro deste “RECANTO DE PAZ E AMOR”, também conhecido nas trevas, como uma das “FORTALEZA DA LEGIÃO DE MARIA”, (aquela que quando encarnada recebeu a dádiva dos céus, em trazer ao Planeta Terra, o nosso amado mestre Jesus), para você ter uma noção do que me refiro a diferença de tempo, preste a atenção:
Na superfície do Planeta Terra, (local onde você vive na terceira dimensão), “um minuto”, equivale há “sessenta segundos”, no entanto nessa região onde nos encontramos, “este mesmo minuto, poderá representar horas, dias, meses, anos, séculos ou milênios”, isso varia conforme o nível evolutivo em que o Espírito se encontra e conforme seu grau de consciência com relação aos atos que ele praticou e se comprometeu em reparar o mal que se causou a outros ou a ele próprio.
----------------------------------------
Em dado momento, lembrei-me de uma mensagem ditada pelo “Irmão X”, intitulada “PERTO DE DEUS”, que dizia o seguinte:
Entre a alma, prestes a reencarnar na Terra, e o mensageiro Divino travou-se expressivo diálogo:
— Anjo bom – disse ela –, já fez numerosas romagens no mundo. Cansei-me de prazeres envenenados e posses inúteis… Se puder pedir algo, desejaria agora colocar-me em serviço, perto de Deus, embora deva achar-me entre os homens…
— Sabes efetivamente a que aspiras? Que responsabilidades procuras? – replicou o interpelado. – Quando falham aqueles que servem à vida, perto de Deus, a obra da vida, em torno deles, é perturbada nos mais íntimos mecanismos.
— Por misericórdia, anjo amigo! Darão instruções…
— Conseguirás aceitá-las?
— Assim espero, com o amparo do Senhor.
— O Céu, então, conceder-te-á o que solicitas.
— Posso informar-me quanto ao trabalho que me aguarda?
— Porque estarás mais perto de Deus, conquanto entre os homens, recolherá dos homens o tratamento que eles habitualmente dão a Deus…
— Como assim?
— Amarás com todas as fibras de teu espírito, mas ninguém conhecerá, nem te avaliará as reservas de ternura!… Viverás abençoado e servindo, quais se carregassem no próprio peito a suprema felicidade e o desespero supremo. Nunca te fartará de dar e os que te cercarem jamais se fartarão de exigir…
— Que mais?
— Dará no Mundo um nome bendito, como se faz igualmente até hoje na Terra com o Todo Misericordioso, reclamar-se-á tudo de ti, sem que se te dê coisa alguma. Embora detendo o direito de fulgir a luz do primeiro lugar nas assembleias humanas, estarás na sombra do último…
Nutrirás as criaturas queridas com a essência do próprio sangue; no entanto, serás apartada geralmente de todas elas, como se o mundo esmerasse em te apunhalar o coração. Muitas vezes serás obrigada a sorrir, engolindo as próprias lágrimas, e conhecerás a verdade com a obrigação de respeitar a mentira… Conquanto venhas a residir no regozijo oculto da vizinhança de Deus, respirarás no fogo invisível do sofrimento!…
— Que Mais?
— Adornarás as outras criaturas para que brilhem nos salões de beleza ou nos torneios da inteligência; entretanto, raras te guardarão na memória, quando ergueras ao fausto do poder ou ao delírio da fama! Produzirás o encanto da paz; todavia, quando os homens se inclinem à guerra, serás impotente para afastar-lhes o impulso homicida… Por isso mesmo, debalde choverás quando decidirem ao extermínio uns dos outros, de vez que te acharás perto do Todo Sábio e, por enquanto, o Todo Sábio é o grande Anônimo, entre os povos da Terra.
— Que mais?
— Todas as profissões do Planeta são honorificadas com salários correspondentes às tarefas executadas, mas o teu ofício, porque estejas em mais íntima associação com o Eterno e para que não comprometas a Obra da Divina Providência, não terá compensações amoedadas. Outros seareiros da Vinha Terrestre serão beneficiados com a determinação de horários especiais; contudo, já que o Supremo Pai serve dia e noite, não disporás de ocasiões para descanso certo, portanto o amor te colocará em permanente vigília!… Não medirás sacrifícios para auxiliar, com absoluto esquecimento de ti; no entanto, verás teu carinho e abnegação apelidados, quase sempre, por fanatismo e loucura… Zelarás pelos outros, mas os outros muito dificilmente se lembrarão de zelar por ti… Farás o pão dos entes amados… Na maioria das circunstâncias, porém será a última pessoa a servir-se dos restos da mesa e, quando o repouso felicite aqueles que te consumirem as horas, velarás, noite adentro sozinha e esquecida, entre a prece e a aflição… Espiritualmente, viverás mais perto de Deus, e, em razão disso, terás por dever agir com o ilimitado amor com que Deus ama…
— Anjo bom – disse a Alma, em pranto de emoção e esperança – que missão será essa?
O Emissário Divino endereçou-lhe profundo olhar e respondeu num gesto de bênção:
— Terás a missão de ser mãe!…
(Irmão X)
----------------------------------------
Nada tema, disse Klaus, pois descerei com vocês até as regiões mais próximas ao centro do Planeta Terra, a região onde habitam os “grandes dragões cientistas”, e principalmente nunca se esqueça de que estamos sob o domínio absoluto dos dragões, motivo este que jamais desvie seu pensamento e suas orações do nosso Mestre Jesus, “O Cristo de Deus”, mas antes de sairmos desta fortaleza, aproveitando a “proteção de Maria”, faremos uma oração para solicitarmos as devidas proteções em que o “alto” nos abençoará: — Jesus, incomparável benfeitor!
— Tu que elegeste o amor como solução para os graves problemas humanos inunda-nos desse sublime tesouro, para bem atendimento aos deveres que nos dizem respeito neste momento.
— Logo a morte se te assenhoreou no GÓLGOTA (GÓLGOTA, COLINA SITUADA ALÉM DA PERIFERIA DE JERUSALÉM E ONDE JESUS CRISTO FOI CRUCIFICADO.), e o teu corpo foi inumado desceste em espírito ao abismo, a fim de resgatar o vosso irmão JUDAS ISCARIOTE (JUDAS ISCARIOTES – (I. E. “NASCIDO EM KERIOTH”), APÓSTOLO DE CRISTO QUE O TRAIU COM UM BEIJO), que houvera enlouquecido deixando-se arrastar pelas forças hediondas das trevas, e o libertaste para recomeçar novas experiências perante a vossa soberana proteção, pois és “O Caminho, A Verdade e A Luz”.
— Ajuda-nos a libertar com tua claridade MIRÍFICA (MIRIFICAR – TORNAR MIRÍFICO, ADMIRÁVEL.), permanecendo nesta demorada situação de horror, daqueles que lhe engendraram a escravidão, e não obstante o largo período de impiedade com que o seviciaram, ainda teimam em reconduzir para os hediondos sítios onde estão agora.
— Penetra-nos com tua sabedoria, conforme o nosso nível de compreensão e de merecimento guia-nos no difícil DÉDALO (DÉDALO – LABIRINTO, ENCRUZILHADA, CAMINHOS CONFUSOS.), cujo acesso está ao nosso alcance, para que não nos percamos nas suas rotas de facetas e mentirosas.
— Irriga-nos de ternura e conduze-nos com segurança no labor que realizaremos em tua homenagem.
Ao silenciar, estava eu com meus olhos banhados em lágrimas, emocionado pelo conteúdo carinhoso e vibracional daquela oração, e principalmente pelos efeitos físicos produzidos naquele momento, pois pairava no ar ondas coloridas de vibrações e harmonia, e uma delicada e sutil chuva de delicados flocos brancos azulados, com um sutil e agradabilíssimo perfume floral, caindo sobre toda a fortaleza, vindo das superiores dimensões.
Uma vez fortalecidos, munidos de tudo que necessitávamos, e sob o comando de Klaus, e uma pequena guarda composta de dez GUARDIÕES DA LEGIÃO DE MARIA, para maior segurança do grupo. Éramos exatamente doze espíritos, e um encarnado em desdobramento, que era eu, que SAÍMOS DAQUELE “PRONTO DE SOCORRO DE EMERGÊNCIA E AMOR”. Em nossa dianteira, seguia Klaus, logo atrás meu Anjo da Guarda e eu, e na retaguarda aquela pequena tropa, empenhando a “BANDEIRA DA LEGIÃO DOS SERVOS DE MARIA”, era um símbolo, “respeitado”, pelos sofredores e residentes das trevas e “temido”, pelos “comandantes” das trevas, pois perante a ação desta legião, perdiam seus escravos e seus poderes eram automaticamente neutralizados, (pois o “bem” domina e neutraliza o “mal”). Devido a esta guarda em nossa retaguarda, podíamos caminhar com tranquilidade, pois se tornava impossível qualquer “surpresa ou inesperada emboscada”, muito frequente naquelas pastagens.
De súbito, comecei a ouvir um som estranho, assustei-me, (pois como se diz na superfície “o tempo todo estava com o coração na boca”), pois era o som do silêncio, foi quando Klaus, instantaneamente deu uma pequena parada, olhou para mim, e sorriu rapidamente e indagou-me?
“Criança!”. Estás a ouvir o som do silêncio? Lição nova, para sua vida, e se prepara, pois em um futuro ainda distante nesta vida ainda, voltaras a ouvir o “som do silêncio”, pois seus companheiros, também não falarão, somente REBUSNARÃO (REBUSNAR – ORNEJAR; ZURRAR.), mas sempre se lembre:

“AEQUAM MOMENTO REBUS IN ARDUISSERVARE MENTEM” (AEQUAM MOMENTO REBUS IN ARDUIS SERVARE MENTEM – LEMBRA-TE DE MANTER O ÂNIMO JUSTO NOS MOMENTOS DIFÍCEIS.)
“AD AUGUSTA PER ANGUSTA” (AD AUGUSTA PER ANGUSTA – ATRAVÉS DAS DIFICULDADES (ANGUSTA): É QUE SE CHEGA AOS GRANDES RESULTADOS: TODOS OS GRANDES RESULTADOS (AUGUSTA): TODOS OS GRANDES FEITOS EXIGEM GRANDES SACRIFÍCIOS.)
“ARS LONGA VITA BREVIA” (ARS LONGA VITA BREVIA – A ARTE É LONGA E A VIDA, BREVE. QUER DIZER QUE TODA UMA EXISTÊNCIA É AINDA POUCA, PARA O APERFEIÇOAMENTO DE UM ARTISTA SEGUNDO REQUER A PRÓPRIA ARTE.)
“AMOR OMNIAVINCIT” (AMOR OMNIA VINCIT – O AMOR VENCE TUDO.)
 
Eu entendi e silenciei, e principalmente passei a adotar como “meta de minha vida”.
Não se preocupe, pois você está ouvindo é a vibração do seu próprio “eu”, são os sons da sua alma, som este que a humanidade na superfície do ORBE (ORBE – GLOBO; MUNDO; REDONDEZA; ESFERA.) Terrestre, necessita aprender a AUSCULTAR (AUSCULTAR – FAZER A AUSCULTAÇÃO DE: AUSCULTAR UM DOENTE.) com maior urgência, pois assim poderá aprender mais com a “sábia e amorosa mãe natureza”.
Continuamos a descer, ora transitávamos por caminhos levemente em cascalhos, ora por pedras pontiagudas, ora por uma “gosma escorregadia”, similar a uma gelatina com cor e cheiro fétido, foi quando avistamos uma planície que ao longe assemelhava a vários navios afundados, meu Anjo da Guarda me informou mentalmente, que já havíamos atingido a profundidade aproximadamente de quinze mil metros, abaixo do nível do mar, da terceira dimensão, “sendo que a profundidade da maior fossa oceânica hoje cientificamente conhecida era de aproximadamente doze mil metros”, mas ao nos aproximarmos, reparamos tratar-se de uma cidade em estilo gótico medieval, cercada por toda a sua volta por uma muralha similar à dos antigos castelos da época e junto a esta muralha, um fosso contendo liquido lamacento e borbulhante, na cor negro acinzentada. No centro desta parede de pedras, continha um gigantesco portão, e uma ponte elevatória em madeira, estendido sobre o fosso, e em cima desta continha uma placa em enormes proporções em material de cor de ÉBANO (ÉBANO – MADEIRA PRETA E DURA QUE ADQUIRE UM LINDO BRILHO METÁLICO QUANDO POLIDA.), em letras douradas florescentes, contendo os seguintes dizeres:
 
“ODIAMOS A DEUS”
“O NOSSO VERDADEIRO MESTRE”
“É O TODO PODEROSO DRAGÃO”
 
Mas, o que este povo nem imagina é que o que se pensa de “Deus”, nada representa para “ele”, o importante é que um dia, ainda perdido na eternidade dos tempos, estas e muitas outras criaturas, se cansarão de sofrer. Aí se lembrarão de que existe “Algo” que um dia os criou, e com humildade, ensinada pelo excesso de sofrimento, pedirão socorro, consciente ou inconscientemente, a Aquele que hoje despreza.
Quando este dia chegar, “estes” ou “outros” “GUARDIÕES DA LEGIÃO DOS SERVOS DE MARIA”, serão autorizados a recolhê-los, aonde e em que situação tiver, estando libertos ou presos como escravos das trevas, com ou sem autorizações dos chamados “dragões”, que se julgam e se intitulam proprietários destas regiões e de todos que nela habitam, simplesmente serão enviados as devidas cidades, ruas, casas, grutas ou buracos, onde estiverem localizados, e serão recolhidos e removidos para as FORTALEZAS DO HOSPITAL DOS SERVOS DE MARIA, mais próxima, a fim de serem higienizados, alimentados e receberem os devidos tratamentos, para que em breve possam retornar ao a uma futura reencarnação, para novo aprendizado, agora percorrendo os caminhos corretos em busca da luz interior, e reintegrados a trilha da evolução ensinada e cobrada pela “Lei Maior” – Lei do Amor e Lei do Perdão – uma lei sem cobrança, sem chantagens e sem punições. Pois o errar, faz parte do aprendizado.
Adentramos na cidade, as ruas e as vielas possuíam um calcamento de pedras rústicas e irregular, extremamente escorregadia, similar às casas, que também eram de pedras, de todo local, escorria uma gosma mal cheirosa.
Aproximamos de uma casa que tinha a porta semiaberta, entramos e no fundo uma criatura que lembrava uma mulher, cabelos desgrenhados, roupas sujas e rasgadas, maltrapilhas, sua face, pernas e braços era uma aparência assustadora, de um corpo em decomposição, ainda continha larvas a devorar aqueles restos de carnes entre os ossos, similar a uma pessoa contaminada pela “lepra”, sem o devido tratamento, em adiantado estado de degeneração.
Nós nos fizemos ser vistos, abaixando a nossa vibração.
A mulher nos encarou, mais nada falou, estava estática, devido à presença dos “guardiões” ali presente e principalmente pela pouca luminosidade que era emitida por Klaus. - (procedimento similar ao que o Cristo utilizou para se fazer presente naquela época, a fim de não cegar literalmente a humanidade encarnada daquela época, mas os desencarnados não podiam se aproximar devido a sua luminosidade soberana) – retiramo-nos silenciosos.
Klaus, novamente aproveitando a oportunidade que se fazia presente para o meu ensinamento, imediatamente se fez solicito, explicando-me e instruindo-me:
— Se a humanidade soubesse o que existia aqui em baixo, e levassem a sério, muitos mudariam seus destinos. O problema é que se acredita que isso constitui um “inferno eterno”, - (imagem estas, criadas justamente pela emissão de pensamentos e vibrações vindas da parte dos humanos no Planeta Terra) –, não há eternidade no mal, o que existe são zonas infernais, onde as consciências culpadas se reúnem atraídas por imposição inexorável da “imutável lei das afinidades”.
O espírito sob o impulso desta lei de evolução aperfeiçoa-se, adquirindo leveza e sobe para regiões de paz, amor e felicidade. Da mesma forma, se estacionado no mal, embrutece tornando-se pesado e desce, essa é uma “Lei” ainda desconhecida dos homens, mas que funciona, rigorosamente, nos planos espirituais, no entanto atinge o “espírito encarnado” como o “espírito desencanado”, é o que poderíamos chamar de “peso específico do perispírito”, o responsável, no entanto, por isso é a nossa própria mente.
Quando a mente abriga pensamentos de baixa vibração, determinam eles o nascimento de sentimentos inferiores de natureza materialmente agindo diretamente sobre os fios que constituem uma rede vibratória do perispírito, produzindo correntes mais lentas, o que o tornará mais pesado e mais grosseiro.
Os fenômenos quando contrários, isto é, quando a mente abriga pensamentos de ordem superior ou de alta vibração, nascem sentimentos de proteção especiais produzindo correntes vibratórias mais velozes, trazendo como consequência direta, maior leveza do perispírito. O espírito fica similar a um “balão” que sobe em busca das alturas espirituais, ou desce as profundezas dos abismos, conforme o “gás que colocamos dentro deste balão”. Isto se chama: “o livre arbítrio”.
 
(ver observação no final desta lição)
 
A “lei da Maternidade Terrestre – Reencarnação” determina que o espírito que desceu as profundezas estacionando nas trevas, sofrendo, enquanto que a Terra em seu seio amoroso e amigo equivale, como um enorme útero, que vêm a lhe oferecer novamente a oportunidade, anteriormente desperdiçadas, novas oportunidades para se redimir, dando um novo impulso para a vida que nunca cessa, e o “Espírito caído” tenha oportunidade de recomeçar sua marcha novamente, para alcançar um dia na eternidade à luz da superfície, novamente vendo e sentindo o calor materno da luminosidade de nossa estrela maior, o Sol, fonte nata de todas as energias e oportunidade que todos necessitamos.
Ao adentrarmos mais, deparamos com um gigantesco animal alado, era horripilante, uma espécie de “homem lagarto” com o corpo de serpente toda escamosa, tinha os pés similares à de um Elefante, ou um Mamute, era de cor negra, devido aos consequentes banhos de lama e lodo; tinha olhos de felino em cor de sangue fresco, sua calda, uma mistura de Crocodilo, acrescido por lanças pontiagudas, similar à de um Porco Espinho, e se agitava constantemente. Onde encostava devastava tudo ao redor, sentia ser o rei do local, de onde estava.
Lentamente, este virou sua descomunal cabeça e nos encarou, dirigindo-nos a palavra e indagando-nos com excessiva hostilidade, exigindo satisfação por termos invadindo aquela região, pois sendo domínio exclusivo do grande dragão, e ele como seu filho e guardião não tiveram orientação para permitir a entrada de intrusos.
Calmamente e com serenidade no tom de voz, Klaus, informou que ali nos encontrava sob “Ordens do Cordeiro”, para que fosse feita a “VISTORIA ROTINEIRA”, principalmente sobre as ações punitivas dos dragões sobre os Espíritos em débito com a lei maior, e principalmente para relatarmos como estão executando seu trabalho da “justiça, obra notável exercida pelos dragões”, aos homens na superfície.
Klaus, com estas palavras, tocara profundamente no “âmago vaidoso daquela criatura”, como demonstrava em seus olhos, este não se continha em excesso de vaidade e orgulho, pois acreditando no que acabara de ouvir, sentiu-se sumamente importante e altivamente autorizou a nossa entrada, mal recomeçamos nossa caminhada, este, inesperadamente voltou e novamente indagou o porquê da presença de um mortal encarnado no grupo, pois “eu” uma vez que adentrasse, não mais poderia sair, a não ser sob a autorização do grande dragão. Novamente Klaus, serenamente respondeu, que este mortal, também tinha Autorização e Proteção do “Cordeiro”, e acompanha o grupo a título de adestramento”. Sumariamente aquele “monstro”, de bico e cabeça empenada, nos ignorando aparentemente, lentamente continuou seu percurso, ora interrompido.
Mentalmente, meu Anjo da Guarda, orientou-me que para seres que estão expurgando nas trevas, vivendo e se alimentando no mal, a tendência é o aceleramento da degeneração, hoje está um dragão, amanhã, possivelmente uma serpente, depois, um ovoide, e se persistir em se alimentar e praticar a maldade, este ser atingirá a “autodestruição” ou como já expliquei, a “implosão atômica”, que destrói o corpo perispiritual, que nada mais é a “matéria atômica”, que nos dá à forma básica, no nosso caso de “humanoide”, no caso de nossos irmãos que vimos nessas regiões trevosas, variando entre “os animais – os vegetais – os minerais”, muitos desses seres chegam a estas formas, sob o efeito de seres que se intitulam “dragões”, mas não necessariamente estes chamados “grandes” dragões, detém a forma de animais citados nas “MITOLOGIAS (MITOLOGIA – HISTÓRIA FABULOSA DOS DEUSES, SEMIDEUSES E HERÓIS DA ANTIGUIDADE.)”, frequentemente são de forma HUMANOIDE (HUMANÓIDE – SER QUE TEM FORMA E CARACTERÍSTICAS APROX. HUMANAS (ESPECIALMENTE NA LINGUAGEM DA FICÇÃO CIENTÍFICA).), mas o que os diferenciam é o “poder de persuasão e domínio mental altamente desenvolvida”, exercido sobre os demais seres que se encontrando em débito com a “Lei da Justiça Divina”, quer dizer: – condenados pela “SUPREMA CORTE DO TRIBUNAL DA NOSSA CONSCIÊNCIA” existente em cada ser, que jamais será corrompida e nem subornada em forma nenhuma.
Estas mentes hipertreinadas, infelizmente para a maldade, induzem hipnoticamente às mentes mais fracas, a se transformarem, (a título de punição, em caso de desobediência ou outra desavença qualquer), a seu bel-prazer, em animais que para eles serão úteis na ocasião.
Mas em todos os casos de “ZOOMORFÍSSIMO” (ZOOMORFISMO – CRENÇA NA POSSIBILIDADE DE TRANSFORMAÇÃO DO HOMEM EM ANIMAL: O LOBISOMEM É UMA MANIFESTAÇÃO DE ZOOMORFISMO PARA A CRENDICE POPULAR.) perdem o seu organismo perispiritual, mas, jamais, perderá o “seu princípio inteligente”, onde este fica neutralizado até que este “irmão” retorne a trilha da luz divina.
Seguimos viagem, agora em posição oposta de forma que saíamos daquela “cidade” estranha, similar a uma cidade implantada dentro de uma gruta. Seguimos rumo ao centro do Planeta, após algum tempo, paramos no cume de um penhasco, onde avistávamos por completo todo o vale, este continha diversas manchas mais negras que de costume, (pois eram os caminhos para o mais abaixo), mas o que me chamou mais a atenção, foi que no centro desta planície, havia um lago ou uma lagoa de cor prata, que contracenava em destaque naquele ambiente, admirei a beleza daquela imensidão de superfície serena, pensei que ali fosse um Oásis para bálsamo dos sofredores, que o Nosso Bondoso Pai, concedesse aqueles irmãos em sofrimento temporário. Foi quando meu pensamento fora carinhosamente interrompido por Klaus, duas observações importantíssimas:

PRIMEIRO — Criança! Não desvie seu pensamento, lembre-se sempre das palavras do mestre: “vigiai e orai”, porque por estas regiões “tudo é falso, tudo é armadilha para capturar os desavisados”.

SEGUNDO — A título de novo aprendizado:

— Meu estimado pupilo, o lago que é de líquido prateado, na verdade é composto de metais em dissolução em alto grau de temperatura “desconhecido aos habitantes da crosta terrestre”, apresenta nestas “praias” uma contextura algo mole, e se observar melhor, notará que dentro dessa massa, também há espíritos sofredores, chumbados à lama escura.
Realmente, figuras estranhas saltavam, ouvia lamentos e prantos, sofrimentos e dores de seres com as fisionomias horrendas e deformadas.
São espíritos que nadam nesta lama? Interroguei.
— Não. São irmãos que tiveram a infelicidade de serem arrastadas ao erro, às obsessões, as tentações, que estão em excesso e com todas as facilidades na superfície do orbe terrestre. São “suicidas milenares”, irmãos que sistematicamente abandonaram a terra, o abençoado veículo de carne, através da autodestruição. Caíram a princípio em si mesmos e depois iniciaram a descida por falta de vibração superior que os mantivesse nas faixas de cima, em direção ao centro da terra, conta-se por milhares as oportunidades que perderam, se autodestruindo ininterruptamente.
Pode alguém praticar a INDEFORMABILIDADE (INDEFORMABILIDADE — EM VÁRIAS SESSÕES PRÁTICAS A QUE TIVEMOS OCASIÃO DE ASSISTIR EM ORGANIZAÇÕES ESPÍRITAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS, OS VIDENTES ERAM CONCORDES EM AFIRMAR QUE NÃO PERCEBIAM APENAS O ESPÍRITO ATRIBULADO DO SUICIDA A COMUNICAR-SE, MAS TAMBÉM A CENA DO PRÓPRIO SUICÍDIO, DESVENDANDO-SE ÀS SUAS FACULDADES MEDIÚNICAS O MOMENTO SUPREMO DA TRÁGICA OCORRÊNCIA. — (NOTA DA MÉDIUM – YVONNE A. PEREIRA)) quero dizer, estes irmãos podem praticar a autodestruição várias vezes seguidas?
— Não. Mais de certa forma, sim, esclareceu meu Anjo da Guarda, há criaturas que fixam o pensamento na desilusão e no desespero. Atingem assim a apatia ou o desvio sem a menor possibilidade de controle. Embora renasçam cada vez, em piores condições, ou seja, ocupando corpos deformados, aleijados, ou organismos cujo cérebro aguenta a carga da loucura, podem também renascer com hidrocefalia, não parando por aí o seu descontrole, pois embora este “ser” renasça em corpo danificado, o Espírito quando liberto tem consciência plena da “punição”, e induz mentalmente a si próprio, para quando retornar a “prisão carnal” provoque a sua autodestruição, acreditando que, fugindo, poderá ludibriar a “lei maior da causa e efeito”, abusando assim da bondade divina que lhes concede repetidamente a graça da reencarnação, até que um dia na eternidade, este “filho desviado”, retorne ao caminho correto que um dia na eternidade dos tempos, o levará ao âmago do Pai Supremo. – a Deus. O Criador supremo de amor e bondade indefinidamente.
— Completando Klaus, uma vez que se repete sucessivamente o ato da autodestruição, este espírito, se asila no interior de seu princípio inteligente, que é indestrutível.
“Se há mil modos para que Deus possa ajudar os homens, existem também mil maneiras para o homem desrespeitar a Deus.”
Fui honrado com mais uma majestosa lição de vida, e principalmente de vida depois da vida, silenciei, e comecei a meditar sobre o que acabara de ouvir, apenas esqueci que não me encontrava em uma sala de aula, e pudesse dar ao “luxo” de meditar, mas também me encontrava em uma escola “in loco”, foi quando reparei que eu estava mergulhando naquela lama prateada, ora sentindo algo apertando o meu pescoço, sentindo nitidamente uma corda que me sufocava, após muita luta conseguia afrouxar aquilo que se assemelhava a uma corda, não muito grossa, conseguindo após muita luta retirá-la de meu pescoço, assim que voltei a respirar normalmente, de repente alisei novamente o pescoço e nada senti, mas algo me incomodava, notei que estava sentindo muita dor no estômago, doía muito, olhei e reparei que estava perfurado e CARCOMIDO (CARCOMA – PODRIDÃO.), era uma dor extremamente forte e nauseante, em cada sessão que passava em minha visão, afundava mais e mais, como em um passe de mágica, tudo sumiu, mas nesse momento notei, que outros irmãos em Cristo, que também estava ali atolado, mas respirávamos aquela lama, normalmente, como se fosse o ar que respiramos quando encarnados na superfície, dirigiam em minha direção com o intuito de me arrastar mais para o fundo daquele lago escaldante, foi quando notei em meu peito, a altura de meu coração, havia uma perfuração de grosso calibre, que doía muito, e jorrava muito sangue, um sangue de cor vermelha, mas este não misturava aquela lama, mas me acompanhava onde quer que eu me desloque, se o retirasse cortando seu curso, novamente tudo sentia, e ouvia perfeitamente, o barulho do tiro, a penetração da bala rasgando meu peito, caindo no chão, depois, quase instantaneamente tornava a cair em velocidade alucinante, até aquele lago onde me encontrava, e o mesmo aconteceu várias vezes, na mesma sequência. Primeiro o meu enforcamento, depois uma pausa de esquecimento, depois o meu quando me envenenei, outra pausa de esquecimento, depois o tiro no peito, e seguida de novo esquecimento, isso já estava me levando à loucura, embora fosse intermitentemente.
Chorava, chorava muito, dor intensa, arrependimento batia violentamente em meu ser, e nada podia fazer, ouvia gargalhadas, ouvia críticas, ouviam outros que constantemente me chamavam de covardes, por não ter resistido e assumido as punições de que eu mesmo havia provocado, preferindo a covardia do SUICÍDIO (SUICÍDIO – ATO DE MATAR A SI MESMO), acreditando que sairia impune daqueles crimes que cometera em vida, que alias nada representava, em comparação ao que eu sentia e passava ali naquele local, sem amor, sem esperança, sem vida, somente cobrança e cobrança, maldade sobre maldade, respeito ao ser humano! Que ser humano? Ali se encontrava um infeliz, um desgraçado, um verdadeiro criminoso. Foi quando, senti em meu íntimo, que um dia fui criado. Quem me criou? Onde estaria este Criador? Será que ele poderia me acudir! Foi quando senti algo estranho, similar a uma “rede de pescador”, que caia em cima de mim, e me sugou, “similar à limalha de ferro é atraída pelo ímã”, e dali fui arrastado.
Quando me localizei fora daquele ambiente pavoroso e TÉTRICO (TÉTRICO – FÚNEBRE; MEDONHO; HORRÍVEL.), novamente consegui ver a minha frente meus amigos, que choravam e oravam por mim, era meu guardião, que ainda hoje acredito que seja o meu Anjo da Guarda, Klaus e os LANCEIROS DA LEGIÃO DOS SERVOS DE MARIA que ali se encontrava também em presença e em oração. Pois afinal, aquela fora a maior lição que tive naquele estudo, principalmente sobre as “sábias palavras do Cristo”: – “Vigiai e Orai”.
Quando refeito, perguntei o que havia acontecido, pois ficara sozinho e havia perdido a companhia deles?
— Você está passando por regiões de extremo sofrimento, onde por três oportunidades nefastas, você teve a infelicidade de praticar a sua autodestruição, através do “suicídio”, PRIMEIRO VEIO ATRAVÉS DO ENFORCAMENTO, onde após muito sofrimento, conseguiu a dádiva divina, de retornar a carne, em que se comprometeu de ajudar todos os irmãos que por falir, acabou apelando para sua morte através do enforcamento, imaginando fugir de sua responsabilidade.
— Teve nova oportunidade, desta vez, além da prova do resgate programado e conforme seu desejo VEIO AGRACIADO COM A PIOR E MAIS PERIGOSA DE TODAS AS PROVAS, “A DA FORTUNA”, pois através desta poderia socorrer e encaminhar todos os familiares e amigos de seus companheiros, que você já tinha a dívida e compromisso assumido anteriormente, mas para sua infelicidade, a sua maior rival, tornou-se sua esposa, – (tudo corria exatamente conforme previamente solicitado por vocês, e programado e autorizado pela espiritualidade maior) – mas, infelizmente você, desconfiando e sob a obsessão e influência maligna, de seus antigos verdugos, em um jantar romântico que você mesmo preparou para ambos, sem que ela soubesse, você colocou uma grande dose de veneno letal, na taça de vinho de sua companheira, pois você acreditava e tinha a falsa convicção que ela estava roubando sua fortuna, – (para apreciar a vida de forma enganosa, perante seus admiradores e amantes, pois, sua esposa era agraciada com uma beleza, sem igual.) –, [“pois a humanidade ignora” que na verdade, tudo que recebemos na Terra para o nosso uso e aprendizagem, não é de nossa propriedade, pois o verdadeiro proprietário é “Deus”, que nos empresta a título de nossa evolução, a fim de auxiliarmos aos nossos irmãos mais necessitado, da mesma forma, que quando “Ele” achar conveniente retira tudo que foi dado, também para a nossa aprendizagem – A ÚNICA PROPRIEDADE QUE TEMOS E NÃO É RETIRADA, É O NOSSO APRENDIZADO, A CARIDADE, O AMOR, O PERDÃO E TUDO MAIS DE BOM QUE FAZEMOS PELOS OUTROS] –, mas para sua infelicidade, como não estava programado o desencarne de sua esposa, VOCÊ SORVEU O SEU PRÓPRIO VENENO, VINDO A DESENCARNAR, POIS ESTE CORROEU TODO O SEU APARELHO DIGESTIVO.
O tempo passou e nova oportunidade recebeu. Novamente agraciado com a prova da “fortuna”, mas desta vez, através de seus inimigos do passado, você, se afastou do Cristo, intitulando-se “ateu”, materialista e único “deus que conhecia e acreditava era o dinheiro, pois este sempre falava mais alto e a tudo comprava”. Para você, quem não tinha posses ou título, nada representava e simplesmente os ignorava, quando também não os humilhava.
Rico e poderoso “conseguiu de forma escusa”, comprar uma patente militar de coronel, em vias de ser promovido a general, por honra e bravura. Nesse período vivia na Europa. Não satisfeito com o dinheiro, a patente, a fama, começou a se envolver com o contrabando de armas; chefe de família, agraciado de uma excelente esposa, mãe e amiga, cinco filhos, que o amavam loucamente, capazes de dar a própria vida, pelo pai que eles tinham dois deles médicos cirurgiões, títulos conseguido a “duras penas” com muito estudo e afinco, uma engenheira e dois militares que cursaram a academia militar, e conquistado por verdadeiro mérito, as patentes de major e de capitão.
Você era feliz, e os amigos espirituais, oravam e emitiam força, para que você, embora tivesse tendo atitude errada “ambição”, pediam ao Cristo e também o enviasse força, para que retornasse a Pátria Espiritual, no momento previsto pela Espiritualidade Maior, seria através de um acidente que perderia a vida, mas compensação chegaria de “cabeça erguida”, por ter vencido aquela batalha. Mas, como somente o bem é eterno, para sua infelicidade “e tristeza dos amigos espirituais”, em uma guinada do destino, “você caiu em desgraça”, pois muitos daqueles traficantes foram capturados em uma ação policial internacional, e vocês tenham sido descobertos, desonrados e estando preste a ser expulso das forças armadas e preso, o pânico se apossou, esqueceu-se de você, mas só pensando em sua família, que ficaria envergonhada e decepcionada com sua atitude.
“FIQUEI COM MEDO DE SER CAPTURADO, ENTREI EM MEU GABINETE, NO QUARTEL ONDE COMANDAVA PEGUEI A MINHA ARMA APONTEI PARA MEU PRÓPRIO PEITO E DEFERI UM TIRO CERTEIRO EM MEU CORAÇÃO”. PRONTO, AGORA ESTOU MORTO E LIVRE DE TODAS AS HUMILHAÇÕES E DAS POSSÍVEIS PUNIÇÕES E PRINCIPALMENTE LIVRE DA VERGONHA DE SE EXPLICAR PERANTE MEUS FAMILIARES.
COM O ESTAMPIDO, O SOLDADO QUE ALI PASSAVA DEU O ALARME, E O OFICIAL DE DIA, ORDENOU A REMOÇÃO IMEDIATA DE SEU COMANDANTE AO HOSPITAL DAS FORÇAS ARMADAS, NA ESPERANÇA DE SALVAR.
MATERIALMENTE, O CASO FOI ABAFADO, POIS FICOU COMPROVADA QUE O CORONEL SOFRERA UM DISPARO ACIDENTAL QUE O LEVARA A MORTE.
PRONTO ACABOU.
LEDO ENGANO, EU NÃO COMPREENDIA, – FALANDO PARA MIM MESMO, – EU TINHA DISPARADO NO MEU CORAÇÃO, VIA MEU CORPO MORTO SOBRE A MINHA CADEIRA, EM MEU ESCRITÓRIO, UM MOVIMENTO ANORMAL NO QUARTEL, SOBRE O OCORRIDO, ESTAVA MORTO, NÃO, NÃO ESTAVA MORTO, AFINAL SENTIA E OUVIA TUDO E TODOS; TAMBÉM OUVIA GARGALHADAS, NADA COMPREENDIA, CHEGANDO AO HOSPITAL, O MEU CORPO JÁ MORTO, FOI LEVADO AO NECROTÉRIO, E EU JUNTO ASSISTINDO A TUDO APAVORADO, POIS NINGUÉM ME OUVIA E VIA, CHORAVA MUITO, SENTIA FRIO, SEDE E FOME, NADA PODENDO FAZER. DE REPENTE, COM POUCO CASO, QUE ME DEIXOU MAIS REVOLTADO, PEGARAM MEU CORPO, JOGARAM SOBRE UMA MESA FRIA, E COMEÇARAM A “AUTÓPSIA”, APAVORADO, POIS SE ESQUECERAM DE ME ANESTESIAR, NADA COMPREENDIA E TUDO SENTIA; O CORTE; MEXENDO EM MEU INTERIOR, RETIRARAM MINHAS VÍSCERAS, E DEPOIS FECHARAM, COSTURANDO COMO SE COSTURA UM TRAPO VELHO, SEM IMPORTÂNCIA. DEPOIS, NOVAMENTE FUI JOGADO EM UMA GAVETA, ESTAVA GELADO, MAS ESTAVA NU, NADA PODENDO FAZER PÂNICO TOTAL, SEM NENHUMA CONSIDERAÇÃO COM A MINHA PESSOA, POIS, AFINAL, EU ERA UM MILITAR DE ALTA PATENTE, ERA UM CORONEL, NINGUÉM ME RESPEITAVA, SIMPLESMENTE COLOCARAM-ME NA GELADEIRA, FECHARAM A PORTA, APAGARAM AS LUZES E SE FORAM.
NA SALA, FIQUEI NA COMPANHIA DE OUTROS ESPÍRITOS EM MELHORES SITUAÇÕES QUE A MINHA, POIS OS SEUS CORPOS TINHAM SIDO ABATIDOS POR OUTROS DIVERSOS MOTIVOS, MAS O MEU ERA PIOR, PIOS EU ERA UM SUICIDA. CRIME ESTE, QUE PERANTE AOS “OLHOS DE DEUS”, É A MAIOR OFENSA E DESRESPEITO PRATICADO POR UM FILHO AMADO. FILHO ESTE QUE PERANTE SUAS LEIS SERÁ PUNIDO, MAS NUNCA IGNORADO OU AMALDIÇOADO.
DIAS DEPOIS, MEU CORPO FOI LIBERADO PARA SEPULTAMENTO, UNIFORMIZARAM-TE COMO CORONEL E FOI ENTERRADO COM TODAS AS HONRAS MILITARES POR DIREITO, TODA A MINHA FAMÍLIA E AMIGOS ALI PRESENTES, INCLUSIVE MEUS INIMIGOS ENCARNADOS E PRINCIPALMENTE OS DESENCARNADOS, QUE FESTEJAVAM A MINHA QUEDA NOVAMENTE. NÃO ENTENDIA BEM A SITUAÇÃO, POIS EU ME VIA VIVO DENTRO DO CAIXÃO, SENDO VISITADO, SENDO LACRADO, ORA ESTAVA NU AO LADO DAQUELA URNA, ACOMPANHANDO, OUVINDO E SENTINDO TUDO QUE ALI ACONTECIA, CHEGOU A HORA DA DESPEDIDA, AGORA ESTAVA DENTRO DAQUELA URNA, QUANDO ESTE DESCEU À SEPULTURA, LÁ DENTRO, SENTI QUANDO TOCOU AO FUNDO E QUANDO COMEÇARAM A COBRIR ESTE DE TERRA, NOVAMENTE O PÂNICO SE APOSSOU DE MIM, EM MEU PEITO, VIA A MANCHA DE SANGUE FRESCO, EM MEUS OUVIDOS, OUVIA E VIA TODO ÀQUELE RITUAL DO SUICÍDIO, MAL AQUELE FILME ACABAVA DE PASSAR, TUDO COMEÇARA NOVAMENTE, SENTINDO TUDO.
TODOS SE RETIRARAM PARA SUAS RESIDÊNCIAS, EU ESTAVA DE PÉ AO LADO DE MINHA SEPULTURA, COMO ME SENTIA SOZINHO, POIS MINHA FAMÍLIA NÃO ME CHAMARA PARA IR COM ELES, AFINAL EU ESTAVA VIVO, DIRIGI-ME AO PORTÃO DO CEMITÉRIO, A FIM DE CONTINUAR MINHA VIDA, MAS O INESPERADO ACONTECEU ALGO DESCONHECIDO NÃO PERMITIU A MINHA SAÍDA, ATÉ PARECIA UMA BARREIRA, POIS TODA VEZ QUE EU TENTAVA SAIR, RETORNAVA PARA MEU TÚMULO, ONDE ESTAVA O MEU ANTIGO CORPO DE CARNE ENTERRADO.
ALI FIQUEI CERTO PERÍODO DE TEMPO, QUANDO DE REPENTE O CHÃO SE ABRIU E COMO FOSSE UM TERREMOTO, FUI SUGADO, CAINDO EM DIREÇÃO AO CENTRO DO PLANETA, FOI QUANDO PERCEBI QUE ESTAVA DEITADO SOBRE UMA RUA DE PEDRAS RÚSTICAS E NEGRAS, ERA ESCORREGADIA, UMA GOSMA QUE ME SENTI ENJOADO IMEDIATAMENTE, COM O CHEIRO FORTE E FÉTIDO, ALI PASSAVAM VÁRIAS PESSOAS, LOUCAS E DESGRAÇADAS COM A SITUAÇÃO SIMILAR A MINHA; TODOS SUICIDAS, DE DIVERSAS FORMAS E MANEIRAS.
OUVIA UM VOZERIO INFERNAL, ESPÍRITOS GRITANDO, BLASFEMANDO, CHORANDO, UNS SEGURANDO SUAS VÍSCERAS QUE COMEÇAVAM A CAÍREM, OUTROS TENTANDO TIRAR CORDAS ATADAS NO PESCOÇO, OUTROS COM GARGANTA OU PUNHOS CORTADOS, SERES DEFORMADOS, MUTILADOS PROPOSITALMENTE, CORRENDO EM DISPARADA E SEM DIREÇÃO PARA LUGAR NENHUM, POIS NÃO ADIANTA TENTAR ESCONDER, POIS O “FILME” ESTÁ GRAVADO EM NOSSO SUBCONSCIENTE, EU CORRIA TAMBÉM, ATÉ QUE EM DETERMINADO MOMENTO, CAI EM UM BURACO, ONDE ME SENTI MAIS PROTEGIDO, DAQUELE LOCAL APAVORANTE, LOCAL SEM DIA E SEM NOITE E PRINCIPALMENTE SEM TEMPO. E O PIOR PARA MIM, QUE A PARTIR DAQUELE MOMENTO EU ERA FORÇADO A ACREDITAR EM UM DEUS QUE A TUDO VIA E TUDO COMANDAVA ISSO ME DOÍA MUITO, SENDO JOGADO NA LAMA, TUDO AQUILO QUE EM TODA A MINHA VIDA EU CONDENAVA E RIDICULARIZAVA, QUANDO OUTROS PRONUNCIAVAM A PALAVRA “DEUS”, HOJE, APÓS MUITO SOFRIMENTO, APRENDI A ADORÁ-LO E A RESPEITÁ-LO.
Lembrando-se destes fatos ocorridos comigo; perguntei o que significava aqueles períodos de esquecimentos que sentira, quando em contato com a lagoa dourada?
— Resposta curta e direta. “era o período de sua nova reencarnação sobre a Mãe Terra, era uma nova tentativa de oportunidade que a divindade o proporcionava”.
Klaus relatou as duas sensações detalhadamente, sendo que a última eu mesmo confessei ali em lágrimas que queimavam a minha face, fatos que eu havia sentido e passado, tanto encarnado como desencarnado. Mas o que mais me impressionou com a riqueza de detalhes, fora a do meu terceiro suicídio, respondendo também outra pergunta que fizera sobre a possibilidade de um espírito cometer vários suicídios, seguidos. Meu pupilo amado, “orai e vigiai muito e com fervor” para não cometer um quarto suicídio nesta atual encarnação, pois esta é uma oportunidade muito especial que está tendo, pois a “Mãe Terra” te concedeu, já perdeste o dom que recebeste ao nascer, por excesso de brincadeiras, cinquenta por cento é sua responsabilidade, pois brincou com algo que não conhecia a outra parte, é de responsabilidade de que te impediu, de como foste instruído, se tivesse recebido as devidas instruções, como foi inicialmente programado pelo “alto”, hoje você seria médium que poderia salvar vários irmãos, em situações dolorosas. Mas outras oportunidades, o pai te proporcionará, mas cuidado, acate-as com cuidado e com muito amor, aprenda a perdoar sempre, e nunca guardar mágoas em seu coração e em, tua alma, pois após o teu desencarne, estas mágoas, poderá ser um fardo extremamente pesado para carregares.
Esta riqueza de detalhes sobre nossas vidas, encarnados como desencarnados, é porque do lado do bem como do mal, – nada se mantém as escusas, na vida e em nossa intimidade, só existem e só conseguimos enganar, aos encarnados, pois no plano espiritual, o superior sempre tem acesso total e irrestrito ao inferior, sejam os atos como o pensamento, “mas nunca o inferior terá acesso ao superior”. – atualmente o mal, nos vigias e muitas das vezes nos controlam, devido a nossa própria culpa, “orai e vigiai”. Tudo é visto, ouvido e gravado nos “anais do grande livro da vida”.
— Meu filho, nestas regiões principalmente, é obrigado a manter a “fé viva em Deus”, pois caso não o praticarmos, com certeza, cairemos em grandes abismos.
— O que se passou com você, é que ainda é prisioneiro de si mesmo e em outras épocas, ainda não fortalecidas devidamente na sabedoria divina. Voltou à épocas recuadas quando andou por sua vez destruindo o veículo perispiritual. Nem todos poderão percorrer impunemente os caminhos, anteriormente transitados no mal. Dentro desta lama prateada, jazem ainda muitos companheiros seus que compartilharam com você a dor e o sofrimento; o exílio e o desvairamento do suicídio reiterado.
— Uma grande sombra invadiu a tua alma, calma! Quem de nós não passou por momentos terríveis no passado e no mundo?
— Não há ninguém que não tenha sofrido na Terra, a desilusão e a dor. As marcas que fazemos no caminho representam em toda a parte, um testamento de nossas fraquezas passadas, falam também no presente de nossa gloriosa regeneração!
Após estas palavras, senti que fui recolocado suavemente sobre o meu corpo adormecido, onde estava sob rigorosa proteção de Lanceiros do Plano Espiritual, após a conclusão dos trabalhos, meu Anjo da Guarda, me comunicou que eu estaria autorizado a lembrar de toda a viagem a título de estudo, após o meu despertar para melhor assimilação e não voltasse a incidir em novos erros, pois embora me sentisse cansado fisicamente, receberia as devidas energias para total recuperação.

NOTAS ESPECIAIS SOBRE ALGUNS ITENS DESTA MENSAGEM

Havia perguntado ao meu Anjo da Guarda, de que forma ele interpretava o livre arbítrio?
— Solicitando autorização a Klaus, para tentar explicar, e com um sutil aceno com a cabeça, o autorizou.
— Minha criança! Conforme ensinamentos do nosso venerável Doutor Bezerra de Menezes, o Supremo Criador Superior Universal, imaginou e condensou o Fluido Cósmico Universal, para a criação e modelagem de todos os Corpos Celeste e principalmente de todas as formas de vida existente em todos os níveis da evolução, que vem sendo regido por um conjunto de leis que governa os seres vivos e os corpos celestes, não havendo determinações privilegiadas para nada ou ninguém.
São Leis que vem desde o início da vida, são leis incorruptíveis.
A lei do livre arbítrio age conforme o nível e a evolução do Espírito em nível humanoide inteligente e caberá de acordo com seu grau ou limitação de conhecimento e sabedoria.
Tudo é igual para todos, ninguém tem privilégios, todas as leis são cumpridas rigorosamente, sem isentar ninguém de responder por seus atos e ações praticadas.
Porem, as leis, é executado da seguinte forma:
Se um ser vivente, com um nível evolutivo muito baixo, comete crimes bárbaros, quando ele desencarnar, e perante o Supremo Tribunal de Sua Consciência, ele será punido conforme o seu grau de evolução, e capacidade de compreensão de seus erros, os demais erros excedentes, será arquivado para quando este atingir maior crescimento em sua evolução, estes crimes, ora arquivados, serão resgatados, proporcionalmente, até zerar seu débito, caso este ser, não venha contrair novas dívidas, em futuras encarnações, ou mesmo durante seu período como desencarnado em sua pátria espiritual.
Outro caso, que acontece com muita frequência, em Nosso Lar Planetário, a Terra, que atualmente sendo um Planeta de Provas e Expiações, é o seguinte:
Um espírito de grau inferior renasce em nossa “Mãe Terra”, como homem ou mulher, e começa a desviar de sua “pré-programação reencarnatória” vindo a cometer crimes de diversas espécies, como assassinatos, falcatruas, ludibriarem a boa fé de terceiros, falsificador, roubos, desvios sexuais graves, etc.
Como isso é contra as leis divinas, este irmão, ora encarnado, corre sério risco, através de Ordens dos Planos Superiores, e vir a desencarnar imediatamente, antes de seu tempo pré-determinado, a fim de receber uma medida punitiva como “freio”, para que não venha a aumentar em excesso o seu débito perante a Lei Maior, vindo a passar séculos ou milênio, em regiões de extremos sofrimentos ou reencarnar em situações de deficiências físicas ou mentais, extremamente dolorosas, a fim de que um dia, na eternidade possa retomar o curso normal de evolução e crescimento espiritual, rumo à luz maior.
Conforme a orientação de Meu Anjo da Guarda; a explanação mais plausível e precisa sobre o suicídio, está contida, mais diretamente nos dois primeiros capítulos, onde e o que ocorre com um ser humano, após provocar a sua própria morte, sem a autorização de Deus, ou seja, o suicídio.


No Livro “MEMÓRIAS DE UM SUICIDA” de autoria de YVONNE A. PEREIRA – uma (Obra Mediúnica), (Editado pela FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA – CASA MATER DO ESPIRITISMO NO BRASIL).

MEMÓRIAS DE UM SUICIDA
CAPÍTULO PRIMEIRO
O VALE DOS SUICIDAS
Precisamente no mês de janeiro do ano da graça de Nosso Senhor de Jesus Cristo, de mil oitocentos e noventa e um, fora eu surpreendido com meu aprisionamento em região do Mundo Invisível cujo desolador panorama era composto por vales profundos, a que as sombras presidiam: gargantas sinuosas e cavernas sinistras, no interior das quais uivavam, quais maltas de demônios enfurecidos, Espíritos que foram homens, dementados pela intensidade e estranheza, verdadeiramente inconcebíveis, dos sofrimentos que os martirizavam.
Nessa paragem aflitiva a vista torturada da grilheta não distinguiria sequer o doce vulto de um arvoredo que testemunhasse suas horas de desesperação; tampouco paisagens confortativas, que pudessem distraí-lo da contemplação cansativa dessas gargantas onde não penetrava outra forma de vida que não a traduzida pelo supremo horror!
O solo, coberto de matérias enegrecidas e fétidas, lembrando a fuligem, era imundo, pastoso, escorregadio, repugnante! O ar pesadíssimo, asfixiante, gelado, enoitado por bulcões ameaçadores como se eternas tempestades rugissem em torno; e, ao respirarem-no, os Espíritos ali ergástulos sufocavam-se como se matérias pulverizadas, nocivas mais do que a cinza e a cal, lhes invadissem as vias respiratórias, martirizando-os com suplício inconcebível ao cérebro humano habituado às gloriosas claridades do Sol – dádiva celeste que diariamente abençoa a Terra – e às correntes vivificadoras dos ventos sadios que tonificam a organização física dos seus habitantes.
Não havia então ali, como não haverá jamais, nem paz, nem consolo, nem esperança: tudo em seu âmbito marcado pela desgraça era miséria, assombro, desespero e horror. Dir-se-ia a caverna tétrica do Incompreensível, indescritível a rigor até mesmo por um Espírito que sofresse a penalidade de habitá-la.
O vale dos leprosos, lugar repulsivo da antiga Jerusalém de tantas emocionantes tradições, e que no orbe terráqueo evoca o último grau da abjeção e do sofrimento humano, seria consolador estágio de repouso comparado ao local que tento descrever.
Pelo menos, ali existiria solidariedade entre os renegados! Os de sexo diferente chegavam mesmo a se amar! Adotavam-se em boas amizades, irmanando-se no seio da dor para suavizá-la! Criavam a sua sociedade, divertiam-se, prestavam-se favores, dormiam e sonhavam que eram felizes!
Mas no presídio de que vos desejo dar contas nada disso era possível, porque as lágrimas que se choravam ali eram ardentes demais para se permitirem outras atenções que não fossem as derivadas da sua própria intensidade!
No vale dos leprosos havia a magnitude compensadora do Sol para retemperar os corações! Existia o ar fresco das madrugadas com seus orvalhos regeneradores! Poderia o preceito ali detido contemplar uma faixa do céu azul… Seguir, com o olhar enternecido, bandos de andorinhas ou de pombos que passassem em revoada!… Ele sonharia, quem sabe? Lenido de amarguras, ao poético clarear do plenilúnio, enamorando-se das cintilações suaves das estrelas que, lá no Inatingível, acenariam para a sua desdita, sugerindo-lhe consolações no insulamento a que o forçavam as férreas leis da época!…
E, depois, a Primavera fecunda voltava, rejuvenescia as plantas para embalsamar com seus perfumes cariciosos as correntes de ar que as brisas diariamente tonificavam com outros tantos bálsamos generosos que traziam no seio amorável… E tudo isso era como dádivas celestiais para reconciliá-lo com Deus, fornecendo-lhe tréguas na desgraça.
Mas na caverna onde padeci o martírio que me surpreendeu além do túmulo, nada disso havia!
Aqui, era a dor que nada consola a desgraça que nenhum favor ameniza a tragédia que ideia alguma tranquilizadora vem orvalhar de esperança! Não há céu, não há luz, não há sol, não há perfume, não há tréguas!
O que há é o choro convulso e inconsolável dos condenados que nunca se harmonizam! O assombroso “ranger de dentes” da advertência prudente e sábia do sábio Mestre de Nazaré! A blasfêmia acintosa do réprobo a se acusar a cada novo rebate da mente flagelada pelas recordações penosas! A loucura inalterável de consciências contundidas pelo vergastar infame dos remorsos. O que há é a raiva envenenada daquele que já não pode chorar, porque ficou exausto sob o excesso das lágrimas! O que há é o desaponto, a surpresa aterradora daquele que se sente vivo a despeito de se haver arrojado na morte! É a revolta, a praga, o insulto, o ulular de corações que o percutir monstruoso da expiação transformou em feras!
O que há é a consciência conflagrada, a alma ofendida pela imprudência das ações cometidas, a mente revolucionada, as faculdades espirituais envolvidas nas trevas oriundas de si mesmas! O que há é o “ranger de dentes nas trevas exteriores” de um presídio criado pelo crime, votado ao martírio e consagrado à emenda! É o inferno, na mais hedionda e dramática exposição, porque, além do mais, existem cenas repulsivas de animalidade, práticas abjetas dos mais sórdidos instintos, as quais eu me pejaria de revelar aos meus irmãos, os homens!
Quem ali temporariamente estaciona, como eu estacionei, são grandes vultos do crime! É a escória do mundo espiritual – falanges de suicidas que periodicamente para seus canais afluem levadas pelo turbilhão das desgraças em que se enredou a se despojarem das forças vitais que se encontram, geralmente intactas, revestindo-lhes os envoltórios físicos espirituais, por sequências, sacrílegas do suicídio, e provindas, preferentemente, de Portugal, da Espanha, do Brasil e colônias portuguesas da África, infelizes carentes do auxílio confortativo da prece; aqueles levianos e inconsequentes, que, fartos da vida que não quiseram compreender, se aventuraram ao Desconhecido, em procura do Olvido, pelos despenhadeiros da Morte!
O Além-túmulo acha-se longe de ser a abstração que na Terra se supõe, ou as regiões paradisíacas fáceis de conquistar com algumas poucas fórmulas inexpressivas.
Ele é, antes, simplesmente a Vida Real, e o que encontramos ao penetrar suas regiões é Vida! Vida intensa a se desdobrar em modalidades infinitas de expressão, sabiamente dividida em continentes e falanges como a Terra o é em nações e raças; dispondo de organizações sociais e educativas modelares, a servirem de padrão para o progresso da Humanidade. É no Invisível, mais do que em mundos planetários, que as criaturas humanas colhem inspiração para os progressos que lentamente aplicam no Orbe.
Não sei como decorrerão os trabalhos correcionais para suicidas nos demais núcleos ou colônias espirituais destinadas aos mesmos fins e que se desdobrarão sob os céus portugueses, espanhóis e seus derivados. Sei apenas é que fiz parte de sinistra falange detida, por efeito natural e lógico, nessa paragem horrenda cuja lembrança ainda hoje me repugna à sensibilidade. É bem possível que haja quem ponha a discussões mordazes a veracidade do que vai descrito nestas páginas. Dirão que a fantasia mórbida de um inconsciente exausto de assimilar Dante terá produzido por conta própria à exposição aqui ventilada… Esquecendo-se de que, ao contrário, o vate florentino é que conheceria o que o presente século sente dificuldades em aceitar…
Não os convidarei a crer. Não é assunto que se imponha à crença, simplesmente, mas ao raciocínio, ao exame, à investigação. Se souberem raciocinar e podem investigar que o façam, e chegarão a conclusões lógicas que os colocarão na pista de verdades assaz interessantes para toda a espécie humana! O a que os convides, o que ardentemente desejo e para que tenha todo o interesse em pugnar, é que se eximam de conhecer essa realidade através dos canais trevosos a que me expus, dando-me ao suicídio por desobrigar-me da advertência de que a morte nada mais é do que a verdadeira forma de existir!…
De outro modo, que pretenderia o leitor existisse nas camadas invisíveis que contornam os mundos ou planetas, senão a matriz de tudo quanto neles se reflete?!… Em nenhuma parte se encontraria a abstração, ou o nada, pois que semelhantes vocábulos são inexpressivos no Universo criado e regido por uma Inteligência Onipotente! Negar o que se desconhece, por se não encontrar à altura de compreender o que se nega, é insânia incompatível com os dias atuais. O século convida o homem à investigação e ao livre exame, porque a Ciência nas suas múltiplas manifestações vem provando a inexatidão do impossível dentro do seu cada vez mais dilatado raio de ação. E as provas da realidade dos continentes super-Terras encontram-se nos arcanos das ciências psíquicas transcendentais, às quais o homem há ligado muito relativa importância até hoje.
O que conhece o homem, aliás, do próprio planeta onde tem renascido desde milênios, para criteriosamente rejeitar o que o futuro há de popularizar sob os AUSPÍCIOS (AUSPÍCIO – SOB OS AUSPÍCIOS DE ALGUÉM, SOB SUA PROTEÇÃO, COM SEU APOIO.) do Psiquismo?… O seu país, a sua capital, a sua aldeia, a sua palhoça ou, quando mais avantajado de ambições, algumas nações vizinhas cujos costumes se nivelam aos que lhe são usuais?…
Por toda a parte, em torno dele, existem mundos reais, exarando vida abundante e intensa: e se ele o ignora será porque se compraz na cegueira, perdendo tempo com futilidades e paixões que lhe sabem ao caráter. Não perquiriu jamais as profundidades oceânicas – não poderá mesmo fazê-lo, por enquanto. Não obstante, debaixo das águas verdes existe não mais um mundo perfeitamente organizado, mas um universo que assombraria pela grandiosidade e ideal perfeição!
No próprio ar que respira no solo onde pisa encontraria o homem outros núcleos organizados de vida, obedecendo ao impulso inteligente e sábio de leis magnânimas fundamentadas no Pensamento Divino, que os aciona para o progresso, na conquista do mais perfeito! Bastaria que se munisse de aparelhamentos precisos, para averiguar a veracidade dessas coletividades desconhecidas que, por serem invisíveis umas, e outras apenas suspeitadas, nem por isso deixam de serem concretas, harmoniosas, verdadeiras!
Assim sendo, habilite-se, também, desenvolvendo os dons psíquicos que herdou da sua divina origem… Impulsione pensamento, vontade, ação, coração, através das vias alcanforadas da Espiritualidade superior… E atingirá as esferas astrais que circundam a Terra!
Era eu, pois, presidiário dessa cova pavorosa do horror!
Não habitava, porém, ali sozinho. Acompanhava-me uma coletividade, falange extensa de delinquentes, como eu.
Então ainda me sentia cego. Pelo menos, sugestionava-me de que o era, e, como tal, me conservava, não obstante minha cegueira só se definir, em verdade, pela inferioridade moral do Espírito distanciado da Luz. A mim cego não passaria, contudo, despercebido o que se apresentasse mal, feio, sinistro, imoral, obsceno, pois conservavam meus olhos visão bastante para toda essa escória contemplar agravando se destarte a minha desdita.
Dotado de grande sensibilidade, para maior mal a tinha agora como superexcitada, o que me levava a experimentar também os sofrimentos dos outros mártires meus compares, fenômeno esse ocasionado pelas correntes mentais que se despejavam sobre toda a falange e oriundas dela própria, que assim realizava impressionante afinidade de classe, o que é o mesmo que asseverar que sofríamos também as sugestões dos sofrimentos uns dos outros, além das insídias a que nos submetiam os nossos próprios sofrimentos.
Às vezes, conflitos brutais se verificavam pelos becos lamacentos onde se enfileiravam as cavernas que nos serviam de domicílio. Invariavelmente irritados, por motivos insignificantes nos atirávamos uns contra os outros em lutas corporais violentas, nas quais, tal como sucede nas baixas camadas sociais terrenas, levaria sempre o melhor aquele que maior destreza e truculência apresentassem. Frequentemente fui ali insultado, ridiculizado nos meus sentimentos mais caros e delicados com chistes e sarcasmos que me revoltavam até o âmago; apedrejado e espancado até que, excitado por fobia idêntica, eu me atirava a represálias selvagens, ombreando com os agressores e com eles refocilando na lama da mesma ceva espiritual!
A fome, a sede, o frio enregelados, a fadiga, a insônia; exigências físicas martirizantes, fáceis de o leitor entrever; a natureza como que aguçada em todos os seus desejos e apetites, qual se ainda trouxéssemos o envoltório carnal; a promiscuidade, muito vexatória, de Espíritos que foram homens e dos que animaram corpos femininos; tempestades constantes, inundações mesmo, a lama, o fétido, as sombras perenes, a desesperança de nos vermos livres de tantos martírios sobrepostos, o supremo desconforto físico e moral – eis o panorama por assim dizer “material” que emoldurava os nossos ainda mais pungentes padecimentos morais!
Nem mesmo sonhar com o Belo, dar-se a devaneios balsâmicos ou a recordações beneficentes era concedido àquele que porventura possuísse capacidade para fazê-lo. Naquele ambiente superlotado de males o pensamento jazia encarcerado nas fráguas que o contornavam, só podendo emitir vibrações que se afinassem ao tono da própria perfídia local… E, envolvidas em tão enlouquecedores fogos, não havia ninguém que pudesse atingir um instante de serenidade e reflexão para se lembrar de Deus e bradar por Sua paternal misericórdia!
Não se podia orar porque a oração é um bem, é um bálsamo, é uma trégua, é uma esperança! E aos desgraçados que para lá se atiravam nas torrentes do suicídio impossível seria atingir tão altas mercês!
Não sabíamos quando era dia ou quando voltava à noite, porque sombras perenes rodeavam as horas que vivíamos. Perdêramos a noção do tempo. Apenas esmagadora sensação de distância e logo ficara para açoitar nossas interrogações, afigurando que estávamos há séculos jungidos a tão ríspido calvário! Dali não esperava sair, conquanto longevidade do que representasse o passado se tal desejo uma das causticantes obsessões que nos alucinavam… Pois o Desânimo gerador da desesperança que nos armara o gesto de suicidas afirmava-nos que tal estado de coisas seria eterno!
A contagem do tempo, para aqueles que mergulhavam nesse abismo, estacionara no momento exato em que fizera para sempre tombar a própria armadura de carne! Daí para cá só existiam – assombro, confusão, enganosas induções, suposições insidiosas!
Igualmente ignorávamos em que local nos encontrava que significação teria nossa espantosa situação. Tentávamos, aflitos, furtarmo-nos a ela, sem percebermos que era cabedal de nossa própria mente conflagrada, de nossas vibrações entrechocadas por mil malefícios indescritíveis! Procurávamos então fugir do local maldito para voltarmos aos nossos lares; e o fazíamos desabaladamente, em insanas correrias de loucos furiosos! Às vezes malditos, sem consolo, sem paz, sem descanso em parte alguma… Ao passo que correntes irresistíveis, como ímãs poderosos, atraíam-nos de volta ao tugúrio sombrio, arrastando-nos de envolta a um antro turbilhão de nuvens sufocadoras e estonteantes!
De outras vezes, tateando nas sombras, lá íamos, por entre gargantas, vielas e becos, sem lograrmos indício de saída… Cavernas, sempre cavernas – todas numeradas; ou longos espaços pantanosos quais lagos lodosos circulados de muralhas abruptas, que nos afiguravam levantadas em pedra e ferro, como se fôramos sepultados vivos nas profundas tenebrosidades de algum vulcão! Era um labirinto onde nos perdíamos sem podermos jamais alcançar o fim! Por vezes acontecia não sabermos retornar ao ponto de partida, isto é, às cavernas que nos serviam de domicílio, o que forçava a permanência ao relento até que deparássemos algum covil desabitado para outra vez nos abrigarmos.
Nossa mais vulgar impressão era de que nos encontrávamos encarcerados no subsolo, em presídio cavado no seio da Terra, quem sabia se nas entranhas de uma cordilheira, da qual fizesse parte também algum vulcão extinto, como parecia atestar aqueles imensuráveis poços de lama com paredes escalavradas lembrando minerais pesados?!…
Aterrados, entrávamos então a bramir em coro, furiosamente, quais maltas de chacais danados, para que nos retirassem dali, restituindo-nos à liberdade! As mais violentas manifestações de terror seguiam-se então; e tudo quanto o leitor imaginar possa, dentro da confusão de cenas patéticas inventadas pela fobia do Horror, ficará muito aquém da expressão real por nós vivida nessas horas criadas pelos nossos próprios pensamentos distanciados da Luz e do Amor de Deus! Como se fantásticos espelhos perseguissem obsessivamente nossas faculdades, lá se reproduzia a visão macabra: – o corpo a se decompor sob o ataque dos vibriões esfaimados; a faina detestável da podridão a seguir o curso natural da destruição orgânica, levando em roldão nossas carnes, nossas vísceras, nosso sangue pervertido pelo fétido, nosso corpo enfim, que se sumia para sempre no banquete asqueroso de milhões de vermes vorazes, nosso corpo, que era carcomido lentamente, sob nossas vistas estupefatas!… Que morria, era bem verdade, enquanto nós, seus donos, nosso Ego sensível, pensante, inteligente, que dele se utilizara apenas como de um vestuário transitório, continuava vivo, sensível, pensante, inteligente, desapontado e pávido, desafiando a possibilidade de também morrer! – E ó tétrica magia que ultrapassava todo o poder que tivéssemos de refletir e compreender! – ó castigo irremovível, punindo o renegado que ousou insultar a Natureza destruindo prematuramente o que só ela era competente para decidir e realizar: – Vivos, nós, em espírito, diante do corpo putrefato, sentíamos a corrupção atingir-nos!… Doíam em nossa configuração astral as picadas monstruosas dos vermes! Enfurecia-nos até a demência a martirizante repercussão que levava nosso perispírito, ainda animalizado e provido de abundantes forças vitais, a refletir o que se passava com seu antigo envoltório limoso, tal o eco de um rumor a reproduzir-se de quebrada em quebrada da montanha, ao longo de todo o vale... Nossa covardia, então, a mesma que nos brutalizara induzindo-nos ao suicídio, forçava-nos a retroceder.
Retrocedíamos.
Mas o suicídio é uma teia envolvente em que a vítima – o suicida – só se debate para cada vez mais confundir-se, tolher-se, embaraçar-se. Sobrepunha-se a confusão. Agora, a persistência do autossugestão maléfica recordava as lendas supersticiosas, ouvidas na infância e calcadas por longo tempo nas camadas da subconsciência; corporificava-se em visões extravagantes, a que emprestava realidade integral.
Julgávamo-nos nada menos do que à frente do tribunal dos infernos!… Sim! Vivíamos na plenitude da região das sombras!… E Espíritos de ínfima classe do Invisível – obsessores que pululam por todas as camadas inferiores, tanto da Terra como do Além; os mesmos que haviam alimentado em nossas mentes as sugestões para o suicídio, divertindo-se com nossas angústias, prevaleciam-se da situação anormal para a qual resvaláramos, a fim de convencer-nos de que eram juízes que nos deveriam julgar e castigar, apresentando-se às nossas faculdades conturbadas pelo sofrimento como seres fantásticos, fantasmas impressionantes e trágicos. Inventavam cenas satânicas, com que nos supliciavam. Submetiam-nos a vexames indescritíveis!
Obrigavam-nos a torpezas e deboches, violentando-nos a compactuar de suas infames obscenidades! Donzelas que se haviam suicidado, desculpando-se com motivos de amor, esquecidas de que o vero amor é paciente, virtuoso e obediente a Deus; olvidando, no egoísmo passional de que deram provas, o amor sacrossanto de uma mãe que ficara inconsolável; desrespeitando as cãs veneráveis de um pai – os quais jamais esqueceriam o golpe em seus corações vibrados pela filha ingrata que preferiu a morte a continuar no TABERNÁCULO (TABERNÁCULO – PEQUENO ARMÁRIO, SITUADO SOBRE O ALTAR, E NO QUAL SE CONSERVAM AS HÓSTIAS CONSAGRADAS.) do lar paterno, era agora insultado no seu coração e no seu pudor por essas entidades animalizadas e vis, que as faziam crer serem obrigadas a se escravizarem por serem eles os donos do império de trevas que escolheram em detrimento do lar que abandonaram! Em verdade, porém, tais entidades não passavam de Espíritos que também foram homens, mas que viveram no crime: sensuais, alcoólatras, devassos, intrigantes, hipócritas, perjuros, traidores, sedutores, assassinos perversos, caluniadores, sátiros – enfim, essa falange maléfica que infelicita a sociedade terrena, que muitas vezes têm funerais pomposos e exéquias solenes, mas que na existência espiritual se resume na corja repugnante que mencionamos… Até que reencarnações expiatórias, miseráveis e rastejantes, venham impulsioná-la a novas tentativas de progresso.
As tão deploráveis sequências sucediam-se outras não menos dramáticas e escaldantes: – atos incorretos por nós praticados durante a encarnação, nossos erros, nossas quedas pecaminosas, nossos crimes mesmo, corporificavam-se à frente de nossas consciências como outras visões acusadoras, intransigentes na condenação perene a que nos submetiam. As vítimas do nosso egoísmo reapareciam agora, em reminiscências vergonhosas e contumazes, indo e vindo ao nosso lado em atropelos pertinazes, infundindo em nossa já tão combalida organização espiritual o mais angustioso desequilíbrio nervoso forjado pelo remorso!
Sobrepondo-se, no entanto, o tão lamentável acervo de iniquidades, acima de tanta vergonha e tão rudes humilhações existia vigilante e compassiva, a paternal misericórdia do Deus Altíssimo, do Pai justo e bom que “não quer a morte do pecador, mas que ele viva e se arrependa”.
Nas peripécias que o suicida entra a curtir depois do desbarato que prematuramente o levou ao túmulo, o Vale Sinistro apenas representa um estágio temporário, sendo ele para lá encaminhado por movimento de impulsão natural, com o qual se afina, até que se desfaçam as pesadas cadeias que o atrelam ao corpo físico terreno, destruído antes da ocasião prevista pela lei natural. Será preciso que se desagreguem dele as poderosas camadas de fluidos vitais que lhe revestiam a organização física, adaptadas por afinidades especiais da Grande Mãe Natureza à organização astral, ou seja, ao perispírito, as quais nele se aglomeram em reservas suficientes para o compromisso da existência completa; que se arrefeçam, enfim, as mesmas afinidades, labor que na individualidade de um suicida será acompanhado das mais aflitivas dificuldades, de morosidade impressionante, para, só então, obter possibilidade vibratória que lhe faculte alívio e progresso de outro modo, tal seja a feição do seu caráter, tais os deméritos e grau de responsabilidades gerais – tal será o agravo da situação, tal a intensidade dos padecimentos a experimentar, pois, nestes casos, não serão apenas as consequências decepcionantes do suicídio que lhe afligirão a alma, mas também o reverso dos atos pecaminosos anteriormente cometidos.
Periodicamente, singular caravana visitava esse antro de sombras. Era como a inspeção de alguma associação caridosa, assistência protetora de instituição humanitária, cujos abnegados fins não se poderiam pôr em dúvida. Vinha à procura daqueles dentre nós cujos fluidos vitais, a arrefecer pela desintegração completa da matéria, permitissem locomoção para as camadas do Invisível intermediário, ou de transição.
Supúnhamos tratar-se, a caravana, de um grupo de homens. Mas na realidade eram Espíritos que estendiam a fraternidade ao extremo de se materializarem o suficiente para se tornarem plenamente percebidos à nossa precária visão e nos infundirem confiança no socorro que nos davam.
Trajados de branco, apresentavam-se caminhando pelas ruas lamacentas do Vale, de um a um, em coluna rigorosamente disciplinada, enquanto, olhando-os atentamente, distinguiríamos, à altura do peito de toda pequena cruz azul-celeste, o que parecia ser um emblema, um distintivo. Senhoras faziam parte dessa caravana. Precedia, porém, a coluna, pequeno pelotão de lanceiros, qual batedor de caminhos, ao passo que vários outros milicianos da mesma arma rodeavam os visitadores, como tecendo um cordão de isolamento, o que esclarecia serem estes muito bem guardados contra quaisquer hostilidades que pudessem surgir do exterior. Com a destra o oficial comandante erguia alvinitente flâmula, na qual se lia, em caracteres também azul-celeste, esta extraordinária legenda, que tinha o dom de infundir insopitável e singular temor:

“LEGIÃO DOS SERVOS DE MARIA”

Os lanceiros, ostentando escudo e lança, tinham tez bronzeada e trajavam-se com sobriedade, lembrando guerreiros egípcios da antiguidade. E, chefiando a expedição, destacava-se varão respeitável, o qual trazia avental branco e insígnias de médico a par da cruz já referida. Cobria-lhe a cabeça, porém, em vez do gorro característico, um turbante hindu, cujas dobras eram atadas à frente pela tradicional esmeralda, símbolo dos esculápios.
Entravam aqui e ali, pelo interior das cavernas habitadas, examinando seus ocupantes. Curvavam-se, cheios de piedade, junto das sarjetas, levantando aqui e acolá algum desgraçado tombado sob o excesso de sofrimento; retiravam os que apresentassem condições de poderem ser socorridos e colocavam-nos em macas conduzidas por varões que se diriam serviçais ou aprendizes.
Voz grave e dominante, de alguém invisível que falasse pairando no ar, guiava-os no caridoso afã, esclarecendo detalhes ou desfazendo confusões momentaneamente suscitadas. A mesma voz fazia a chamada dos prisioneiros a ser socorrido, proferindo seus nomes próprios, o que fazia que se apresentassem, sem a necessidade de serem procurados, aqueles que se encontrasse em melhores condições, facilitando destarte o serviço dos caravaneiros. Hoje posso dizer que todas essas vozes amigas e protetoras eram transmitidas através de ondas delicadas e sensíveis do éter, com o sublime concurso de aparelhamentos magnéticos mantidos para fins humanitários em determinados pontos do invisível, isto é, justamente na localidade que nos receberia ao sairmos do Vale. Mas, então, ignorávamos o pormenor e muito confusos nos sentíamos.
As macas, transportadas cuidadosamente, eram guardadas pelo cordão de isolamento já referido e abrigadas no interior de grandes veículos à feição de comboios, que acompanhavam a expedição. Esses comboios, no entanto, apresentavam singularidade interessante, digna de relato. Em vez de apresentarem os vagões comuns às estradas de ferro, como os que conhecíamos, lembravam, antes, meio de transporte primitivo, pois se compunham de pequenas diligências atadas uma às outras e rodeadas de persianas muito espessas, o que impediria ao passageiro verificar os locais por onde deveria transitar. Brancos, leves, como burilados em matérias específicas habilmente laqueadas, eram puxados por formosas parelhas de cavalos também brancos, nobres animais cuja extraordinária beleza e elegância incomum despertariam nossa atenção se estivéssemos em condições de algo notar para além das desgraças que nos mantinham absorvidos dentro de nosso âmbito pessoal. Dir-se-iam, porém, exemplares da mais alta raça normanda, vigorosos e inteligentes, as belas crinas ondulantes e graciosas enfeitando lhes os altivos pescoços quais mantos de seda, níveos e finalmente franjados.
Nos carros distinguia-se também o mesmo emblema azul-celeste e a legenda respeitável. Geralmente, os infelizes assim socorridos encontravam-se desfalecidos, exânimes, como atingidos de singular estado comatoso. Outros, no entanto, alucinados ou doloridos infundiriam compaixão pelo estado de supremo desalento em que se conservavam.
Depois de rigorosa busca, a estranha coluna marchava em retirada até o local em que se postava o comboio, igualmente defendido por lanceiros hindus. Silenciosamente cortava pelos becos e vielas, afastava-se, afastava-se… Desaparecendo de nossas vistas enquanto mergulhávamos outra vez na pesada solidão que nos cercava… Em vão clamavam por socorro os que se sentiam preteridos, incapacitados de compreenderem que, se assim sucedia, era porque nem todos se encontravam em condições vibratórias para emigrarem para regiões menos hostis. Em vão suplicavam justiça e compaixão ou se amotinavam revoltados, exigindo que os deixassem também seguir com os demais. Não respondiam os caravaneiros com um gesto sequer; e se algum mais desgraçado ou audacioso tentasse assaltar as viaturas a fim de atingi-las e nelas ingressar, dez, vinte lanças faziam-no recuar, interceptando lhe a passagem.
Então, um coro hediondo de uivos e choro sinistros, de pragas e gargalhadas satânicas, o ranger de dentes comum ao réprobo que estertora nas trevas dos males por si próprias forjadas, repercutiam longa e dolorosamente pelas ruas lamacentas, parecendo que loucura coletiva atacara os míseros detentos, elevando suas raivas ao incompreensível no linguajar humano!
E assim ficavam… Quanto tempo?… Oh! Deus piedoso! Quanto tempo?… Até que suas inimagináveis condições de suicidas, de mortos-vivos, lhes permitissem também a transferência para localidade menos trágica…


MEMÓRIAS DE UM SUICIDA
CAPÍTULO SEGUNDO
OS RÉPROBOS

Em geral aqueles que se arrojam ao suicídio, para sempre esperam livrar-se de dissabores julgados insuportáveis, de sofrimentos e problemas considerados insolúveis pela tibiez da vontade deseducada, que se acovardam em presença, muitas vezes, da vergonha do descrédito ou da desonra, dos remorsos deprimentes postos a enxovalharem a consciência, consequências de ações praticadas à revelia das leis do Bem e da Justiça.
Também eu assim pensei, muito apesar da auréola de idealista que minha vaidade acreditava glorificando-me a fronte. Enganei-me, porém; e lutas infinitamente mais vivas e mais ríspidas esperavam-me dentro do túmulo a fim de me chicotearem a alma de descrente e revel, com merecida justiça. As primeiras horas que se seguiram ao gesto brutal de que usei, para comigo mesmo, passaram-se sem que verdadeiramente eu pudesse dar acordo de mim. Meu Espírito, rudemente violentado, como que desmaiara, sofrendo ignóbil colapso. Os sentidos, as faculdades que traduzem o “eu” racional, paralisaram-se como se indescritível cataclismo houvesse desbaratado o mundo, prevalecendo, porém, acima dos destroços, a sensação forte do aniquilamento que sobre meu ser acabara de cair. Fora como se aquele estampido maldito, que até hoje ecoa sinistramente em minhas vibrações mentais –, sempre que, descerrando os véus da memória, como neste instante, revivo o passado execrável – tivesse dispersado uma a uma as moléculas que em meu ser constituíssem a Vida!
A linguagem humana ainda não precisou inventar vocábulos bastante justos e compreensíveis para definir as impressões absolutamente inconcebíveis, que passam a contaminar o "eu" de um suicida logo às primeiras horas que se seguem ao desastre, as quais sobem e se avolumam, envolvem-se em complexos e se radicam e cristalizam num crescendo que traduz estado vibratório e mental que o homem não pode compreender, porque está fora da sua possibilidade de criatura que, mercê de Deus, se conservou aquém dessa anormalidade. Para entendê-la e medir com precisão a intensidade dessa dramática surpresa, só outro Espírito cujas faculdades se houvessem queimado nas efervescências da mesma dor!
Nessas primeiras horas, que por si mesmas constituiriam a configuração do abismo em que se precipitou se não representassem apenas o prelúdio da diabólica sinfonia que será constrangido a interpretar pelas disposições lógicas das leis naturais que violou o suicida, semiconsciente, adormentado, desacordado sem que, para maior suplício, se lhe obscureça de todo a percepção dos sentidos, sente-se dolorosamente contundido, nulo, dispersado em seus milhões de filamentos psíquicos violentamente atingidos pelo malvado acontecimento. Paradoxos turbilhonam em volta dele, afligindo-lhe a tenuidade das percepções com martirizantes girândolas de sensações confusas. Perdesse no vácuo… Ignora-se…
Não obstante aterra-se, acovarda-se, sente a profundidade apavorante do erro contra o qual colidiu, deprime-se na aniquiladora certeza de que ultrapassou os limites das ações que lhe eram permitidas praticar, desnorteia-se entrevendo que avançou demasiadamente, para além da demarcação traçada pela Razão! É o traumatismo psíquico, o choque nefasto que o dilacerou com suas tenazes inevitáveis, e o qual, para ser minorado, dele exigirá um roteiro de urzes e lágrimas, decênios de rijos testemunhos até que se reconduza às vias naturais do progresso, interrompidas pelo ato arbitrário e contraproducente.
Pouco a pouco, senti ressuscitando das sombras confusas em que mergulhei meu pobre Espírito, após a queda do corpo físico, o atributo máximo que a Paternidade Divina impôs sobre aqueles que, no decorrer dos milênios, deverão refletir Sua imagem e semelhança; – a Consciência! A Memória! O divino dom de pensar!
Senti-me enregelar de frio. Tiritava! Impressão incômoda, de que vestes de gelo se me apegavam ao corpo, provocou-me imenso mal-estar. Faltava-me, ao demais, o ar para o livre mecanismo dos pulmões, o que me levou a crer que, uma vez que eu me desejara furtar à vida, era a morte que se aproximava com seu cortejo de sintomas dilacerantes.
Odores fétidos e nauseabundos, todavia, revoltavam-me brutalmente o olfato, Dor aguda, violenta, enlouquecedora, arremeteu-se instantaneamente sobre meu corpo por inteiro, localizando-se particularmente no cérebro e iniciando-se no aparelho auditivo. Presa de convulsões indescritíveis de dor física levou a destra ao ouvido direito: – o sangue corria do orifício causado pelo projétil da arma de fogo de que me servira para o suicídio e manchou-me as mãos, as vestes, o corpo… Eu nada enxergava, porém.
Convém recordar que meu suicídio derivou-se da revolta por me encontrar cego, expiação que considerei superior às minhas forças. Injusta punição da natureza aos meus olhos necessitados de ver, para que me fosse dado obter, pelo trabalho, a subsistência honrada e ativa.
Sentia-me, pois, ainda cego; e, para cúmulo do meu estado de desorientação, encontrava-me ferido. Tão somente ferido e não morto! Porque a vida continuava em mim como antes do suicídio!
Passei a reunir ideias, a mal grado meu. Revi minha vida em retrospecto, até a infância, e sem mesmo omitir o drama do último ato, programação extra sob minha inteira responsabilidade. Sentindo-me vivo, averiguei, consequentemente, que o ferimento que em mim mesmo fizera, tentando matar-me, fora insuficiente, aumentando assim os já tão grandes sofrimentos que desde longo tempo me vinham perseguindo a existência. Supus-me preso a um leito de hospital ou em minha própria casa. Mas a impossibilidade de reconhecer o local, pois nada via; os incômodos que me afligiam, a solidão que me rodeava, entraram a me angustiar profundamente, enquanto lúgubres pressentimentos me avisavam de que acontecimentos irremediáveis se haviam confirmado. Bradei por meus familiares, por amigos que eu conhecia afeiçoado bastante para me acompanharem em momentos críticos.
O mais surpreendente silêncio continuou enervando-me. Indaguei mal-humorado por enfermeiros, por médicos que possivelmente me atenderiam, dado que me não encontrasse em minha residência e sim retido em algum hospital; por serviçais, criados, fosse quem fosse, que me obsequiar pudessem, abrindo as janelas do aposento onde me supunha recolhido, a fim de que correntes de ar purificado me reconfortassem os pulmões; que me favorecessem coberturas quentes acendesse a lareira para amenizar a gelidez que me entorpecia os membros, providenciando bálsamo às dores que me supliciavam o organismo, e alimento, e água, porque eu tinha fome e tinha sede!
Com espanto, em vez das respostas amistosas por que tanto suspirava, e que minha audição distinguiu passadas algumas horas, foi um vozerio ensurdecedor, que, indeciso e longínquo a princípio, como a destacar-se de um pesadelo, definiu-se gradativamente até positivar-se em pormenores concludentes. Era um coro sinistro, de muitas vozes confundidas em atropelos, desnorteadas, como aconteceria numa assembleia de loucos.
No entanto, estas vozes não falavam entre si, não conversavam. Blasfemavam, queixavam-se de múltiplas desventuras, lamentavam-se, reclamavam, uivavam, gritavam enfurecidas, gemiam, estertoravam, choravam desoladoramente, derramando pranto hediondo, pelo tono de desesperação com que se particularizava; suplicavam raivosas, socorro e compaixão!
Aterrado sentiu que estranhos empuxões, como arrepios irresistíveis, transmitiam-me influencias abomináveis, provindas desse todo que se revelava através da audição, estabelecendo corrente similar entre meu ser superexcitado e aqueles cujo vozerio eu distinguia. Esse coro, isócrono, rigorosamente observado e medido em seus intervalos, infundiu-me tão grande terror que, reunindo todas as forças de que poderia o meu Espírito dispor em tão molesta situação, movimentei-me no intuito de afastar-me de onde me encontrava para local em que não mais o ouvisse.
Tateando nas trevas tentei caminhar. Mas dir-se-ia que raízes vigorosas plantavam-me naquele lugar úmido e gelado em que me deparava. Não podia despegar-me!
Sim! Eram cadeias pesadas que me escravizasse raízes cheias de seiva, que me atinham como grilheta naquele extraordinário leito por mim desconhecido, impossibilitando-me o desejado afastamento. Aliás, como fugir se estava ferido, desfazendo-me em hemorragias internas, manchadas as vestes de sangue, e cego, positivamente cego?! Como apresentar-me ao público em tão repugnante estado?… A covardia – a mesma hidra que me atraíra para o abismo em que agora me convulsionava – alongou ainda mais seus tentáculos insaciáveis e colheu-me irremediavelmente! Esqueci-me de que era homem, ainda uma segunda vez! E que cumpria lutar para tentar vitória, fosse a que preço fosse de sofrimento! Reduzi-me por isso à miséria do vencido! E, considerando insolúvel a situação, entreguei-me às lágrimas e chorei angustiosamente, ignorando o que tentar para meu socorro. Mas, enquanto me desfazia em prantos, o coro de loucos, sempre o mesmo, trágico, funéreo, regular como o pêndulo de um relógio, acompanhava-me com singular similitude, atraindo-me como se emanado de irresistíveis afinidades... Insisti no desejo de me furtar à terrível audição.
Após esforços desesperados, levantei-me. Meu corpo enregelado, os músculos retesados por entorpecimento geral, dificultavam-me sobremodo o intento. Todavia, levantei-me. Ao fazê-lo, porém, cheiro penetrante de sangue e vísceras putrefatos reacendeu em torno, repugnando-me até às náuseas. Partia do local exato em que eu estivera dormindo. Não compreendia como poderia cheirar tão desagradavelmente o leito onde me achava. Para mim seria o mesmo que me acolhia todas as noites! E, no entanto, que de odores fétidos me surpreendiam agora! Atribui o fato ao ferimento que fizera na intenção de matar-me, a fim de explicar-me de algum modo à estranha aflição, ao sangue que corria, manchando-me as vestes. Realmente! Eu me encontrava empastado de peçonha, como um lodo asqueroso que dessorasse de meu próprio corpo, empapando incomodativamente a indumentária que usava, pois, com surpresa, surpreendi-me trajando cerimoniosamente, não obstante retido num leito de dor. Mas, ao mesmo tempo em que assim me apresentava satisfações, confundia-me na interrogação de como poderia assim ser, visto não ser cabível que um simples ferimento, mesmo a quantidade de sangue espargido, pudesse tresandar a tanta podridão, sem que meus amigos e enfermeiros deixassem de providenciar a devida higienização.
Inquieto, tateei na escuridão com o intuito de encontrar a porta de saída que me era habitual, já que todos me abandonavam em hora tão critica. Tropecei, porém, em dado momento, num montão de destroços e, instintivamente, curvei-me para o chão, a examinar o que assim me interceptava os passos. Então, repentinamente, a loucura irremediável apoderou-se de minhas faculdades e entrei a gritar e uivar qual demônio enfurecido, respondendo na mesma dramática tonalidade à macabra sinfonia cujo coro de vozes não cessava de perseguir minha audição, em intermitências de angustiante expectativa.
O montão de escombros era nada menos do que a terra de uma cova recentemente fechada! Não sei como, estando cego, pude entrever em meio às sombras que me rodeava, o que existia em torno! Eu me encontrava num cemitério! Os túmulos, com suas tristes cruzes em mármore branco ou madeira negra, ladeando imagens sugestivas de anjos pensativos, alinhavam-se na imobilidade majestosa do drama em que figuravam.
A confusão cresceu: - Por que me encontraria ali? Como viera, pois nenhuma lembrança me acorria?… E o que viera fazer sozinho, ferido, dolorido, extenuado?… Era verdade que “tentara” o suicídio, mas… Sussurro macabro, qual sugestão irremovível da Consciência esclarecendo a memória aturdida pelo ineditismo presenciado, percutiu estrondosamente pelos recôncavos alarmados do meu ser: “Não quiseste o suicídio?… Pois aí o tens…” Mas, como assim?… Como poderia ser… Se eu não morrera?!… Acaso não me sentia ali vivo?… Por que então sozinho imerso na solidão tétrica da morada dos mortos?!… Os fatos irremediáveis, porém, impõem-se aos homens como aos Espíritos com majestosa naturalidade. Não concluíra ainda minhas ingênuas e dramáticas interrogações, e vejo-me, a mim próprio! Como à frente de um espelho, morto, estirado num ataúde, em franco estado de decomposição, morto dentro de uma sepultura, justamente aquela sobre a qual acabava de tropeçar!
Fugi espavorido, desejoso de ocultar-me de mim mesmo, obsedado pelo mais tenebroso horror, enquanto gargalhadas estrondosas, de indivíduos que eu não lograva enxergar, explodiam atrás de mim e o coro nefasto perseguia meus ouvidos torturados, para onde quer que me refugie. Como louco que realmente me tornara, eu corria, corria, enquanto aos meus olhos cegos se desenhava a hediondez satânica do meu próprio cadáver apodrecendo no túmulo, empastado de lama gordurosa, coberto de asquerosas lesmas que, vorazes, lutavam por saciar em suas pústulas a fome inextinguível que traziam, transformando-o no mais repugnante e infernal monturo que me fora dado conhecer!
Quis furtar-me à presença de mim mesmo, procurando incidir no ato que me desgraçara isto é – reproduzi a cena patética do meu suicídio mentalmente, como se por uma segunda vez buscasse morrer a fim de desaparecer na região do que, na minha ignorância dos fatos de além-morte, eu supunha o eterno esquecimento! Mas nada havia capaz de aplacar a malvada visão! Ela era, antes, verdadeira! Imagem perfeita da realidade que sobre o meu físico espiritual se refletia, e por isso me acompanhava para onde quer que eu fosse, perseguia minhas retinas sem luz, invadia minhas faculdades anímicas imersas em choques e se impunha à minha cegueira de Espírito caído em pecado, supliciando-me sem remissão!
Na fuga precipitada que empreendi, ia entrando em todas as portas que encontrava abertas, a fim de ocultar-me em alguma parte. Mas de qualquer domicílio a que me abrigasse, na insensatez da loucura que me enredava, era enxotado a pedradas sem poder distinguir quem, com tanto desrespeito, assim me tratava. Vagava pelas ruas tateando aqui, tropeçando além, na mesma cidade onde meu nome era endeusado como o de um gênio – sempre aflito e perseguido. A respeito dos acontecimentos que com minha pessoa se relacionavam, ouvi comentários destilados em críticas mordazes e irreverentes, ou repassados de pesar sincero pelo meu trespasse, que lamentavam.
Tornei a minha casa. Surpreendente desordem estabelecera-se em meus aposentos, atingindo objetos de meu uso pessoal, meus livros, manuscritos e apontamentos, os quais já não eram por mim encontrados no local costumeiro, o que muito me enfureceu. Dir-se-ia que se dispersara tudo! Encontrei-me estranho em minha própria casa! Procurei amigos, parentes a quem me afeiçoara. A indiferença que lhes surpreendi em torno da minha desgraça chocou-me dolorosamente, agravando meu estado de excitação. Dirigi-me então a consultórios médicos. Tentei fixar-me em hospitais, pois que sofria, sentia febre e loucura, supremo mal-estar torturava meu ser, reduzindo-me a desolador estado de humilhação e amargura. Mas, a toda parte que me dirigia, sentia-me não socorrido, negavam-me atenções, despreocupados e indiferentes todos ante minha situação. Em vão objurgatórias azedas saíam de meus lábios acompanhados da apresentação, por mim próprio feito, do meu estado e das qualidades pessoais que meu incorrigível orgulho reputava irresistíveis: – parecia alheio às minhas insistentes algaravias, ninguém me concedendo sequer o favor de um olhar!
Aflito, insofrido, alucinado, absorvido meu ser pelas ondas de agonizantes amarguras, em parte alguma encontrava possibilidade de estabilizar-me a fim de lograr conforto e alívio! Faltava-me alguma coisa irremediável, sentia-me incompleto! Eu perdera algo que me deixava assim, estonteado, e essa “coisa” que eu perdera, parte de mim mesmo, atraía-me para o local em que se encontrava, com as irresistíveis forças de um ímã, chamavam-me imperiosa, irremediavelmente! E era tal a atração que sobre mim exercia, tal o vácuo que em mim produzira esse irreparável acontecimento, tão profunda a afinidade, verdadeiramente vital, que a essa “coisa” me unia – que, não sendo possível, de forma alguma, fixar-me em nenhum local para que me voltasse, tornei ao sítio tenebroso de onde viera: – o cemitério! Essa “coisa”, cuja falta assim me enlouquecia, era o meu próprio corpo – o meu cadáver! – apodrecendo na escuridão de um túmulo.
Debrucei-me, soluçante e inconsolável, sobre a sepultura que me guardava os míseros despojos corporais, e estorci-me em apavorantes convulsões de dor e de raiva, rebolcando-se em crises de furor diabólico, compreendendo que me suicidara que estava sepultado, mas que, não obstante, continuava vivo e sofrendo mais, muito mais do que sofria antes, superlativamente, monstruosamente mais do que antes do gesto covarde e impensado!
Cerca de dois meses vaguei desnorteado e tonto, em atribulado estado de incompreensão. Ligado ao fardo carnal que apodrecia, viviam em mim todas as imperiosas necessidades do físico humano, amargura que, aliada aos demais incômodos, me levava a constantes desesperações. Revoltas, blasfêmias, crises de furor acometiam-me como se o próprio inferno soprasse sobre mim suas nefastas inspirações, assim coroando as vibrações maléficas que me circulavam de trevas. Via fantasmas perambulando pelas ruas do campo santo, não obstante minha cegueira, chorosos e aflitos, e, por vezes, terrores inconcebíveis sacudiam-me o sistema vibratório a tal ponto que me reduziam a um singular estado de desmaio, como se, sem forças para continuar vibrando, minhas potências anímicas desfalecessem!
Desesperado em face do extraordinário problema, entregava-me cada vez mais ao desejo de desaparecer, de fugir de mim mesmo a fim de não mais interrogar-me sem lograr lucidez para responder, incapaz de raciocinar que, em verdade, o corpo físico material, modelado do limo putrescível da Terra, fora realmente aniquilado pelo suicídio; e que o que agora eu sentia confundir-se com ele, porque solidamente a ele unido por leis naturais de afinidade que o suicídio absolutamente não destrói, era o físico espiritual, indestrutível e imortal, organização viva, semimaterial, fadada a elevados destinos, a porvir glorioso no seio do progresso infindável, relicário onde se arquivam qual o cofre que encerrasse valores, nossos sentimentos e atos, nossas realizações e pensamentos, envoltório que é da centelha sublime que rege o homem, isto é, a Alma eterna e imortal como Aquele que de Si Mesmo a criou!
Certa vez em que ia e vinha, tateando pelas ruas, irreconhecível a amigos e admiradores, pobre cego humilhado no além-túmulo graças à desonra de um suicídio; mendigo na sociedade espiritual, faminto na miséria de Luz em que me debatia; angustiado fantasma vagabundo, sem lar, sem abrigo no mundo imenso, no mundo infinito dos Espíritos; exposto a perigos deploráveis, que também os há entre desencarnados; perseguido por entidades perversas, bandoleiros na errática, que gostam de surpreender, com ciladas odiosas, criaturas nas condições de amarguras em que me via para escravizá-las e com elas engrossar as fileiras obsessoras que desbaratam as sociedades terrenas e arruínam os homens levando-os às tentações mais torpes, através de influenciadores letais – ao dobrar de uma esquina deparei com certa multidão, cerca de duzentas individualidades de ambos os sexos. Era noite. Pelo menos eu assim o supunha, pois, como sempre, as trevas envolviam-me, e eu, tudo o que venho narrando, percebia mais ou menos bem dentro da escuridão, como se enxergasse mais pela percepção dos sentidos do que mesmo pela visão. Aliás, eu me considerava cego, mas não me explicando até então como, destituído do inestimável sentido, possuía, não obstante, capacidade para tantas torpezas enxergar, ao passo que não a possuía sequer para reconhecer a luz do Sol e o azul do firmamento! Essa multidão, entretanto, era a mesma que vinha concertando o coro sinistro que me aterrava, tendo-a eu reconhecido porque, no momento em que nos encontramos, entrou a uivar desesperadamente, atirando aos céus blasfêmias diante das quais as minhas seriam meros gracejos! Tentei recuar, fugir, ocultar-me dela, apavorado por me tornar dela conhecido.
Porém, porque marchasse em sentido contrário ao que eu seguia depressa me envolveu, misturando-me ao seu todo para absorver-me completamente em suas ondas! Fui levado de roldão, empurrado, arrastado mal grado meu; e tal era a aglomeração que me perdi totalmente em suas dobras. Apenas me inteirava de um fato, porque isso mesmo ouvia rosnarem ao redor, e era que estávamos todos guardados por soldados, os quais nos conduziam. A multidão acabava de ser aprisionada! A cada momento juntava-se, a ela outro e outro vagabundo, como acontecera comigo, e que do mesmo modo não mais poderiam sair. Dir-se-ia que esquadrão completo de milicianos montados conduzia-nos à prisão. Ouviam-se as patadas dos cavalos sobre o lajedo das ruas e lanças afiadas luziam na escuridão, impondo temor.
Protestei contra a violência de que me reconhecia alvo. Em altas vozes bradei que não era criminoso e dei-me a conhecer, enumerando meus títulos e qualidades. Mas os cavaleiros, se me ouviam, não se dignavam responder. Silenciosos, mudos, eretos, marchavam em suas montadas fechando-nos em círculo intransponível! À frente o comandante, abrindo caminho dentro das trevas, empunhava um bastão no alto do qual flutuava pequena flâmula, onde adivinhávamos uma inscrição. Porém eram tão acentuadas as sombras que não poderíamos lê-la, ainda que o desespero que nos vergastava permitisse pausa para manifestarmos tal desejo.
A caminhada foi longa. Frio cortante enregelava-nos. Misturei minhas lágrimas e meus brados de dor e desespero ao coro horripilante e participei da atroz sinfonia de blasfêmias e lamentações. Pressentíamos que bem seguros estávamos, que jamais poderíamos escapar! Tocados vagarosamente, sem que um único monossílabo lograsse arrancar aos nossos condutores, começamos, finalmente, a caminhar penosamente por um vale profundo, aonde nos vimos obrigados a enfileirar-nos de dois a dois, enquanto faziam idênticas manobra os nossos vigilantes.
Cavernas surgiram de um lado e outro das ruas que se diriam antes estreitas gargantas entre montanhas abruptas e sombrias, e todas numeradas. Tratava-se, certamente, de uma estranha – “povoação”, uma “cidade” em que as habitações seriam cavernas, dada a miséria de seus habitantes, os quais não possuiriam cabedais suficientes para torná-las agradáveis e facilmente habitáveis. O que era certo, porém, é que tudo ali estava por fazer e que seria bem aquela a habitação exata da Desgraça! Não se distinguiria terreno, senão pedras, lamaçais ou pântanos, sombras, aguaceiros… Sob os ardores da febre excitante da minha desgraça, cheguei a pensar que, se tal região não fosse um pequeno recôncavo da Lua, existiriam por lá, certamente, locais muito semelhantes… Internavam-nos cada vez mais naquele abismo… Seguíamos, seguíamos… E, finalmente, no centro de grande praça encharcada qual um pântano, os cavaleiros fizeram alto. Com eles estacou a multidão.
Em meio do silêncio que repentinamente se estabeleceu, viu-se que a soldadesca voltava sobre os próprios passos a fim de retirar-se. Com efeito! Um a um vimos que se afastavam todos nas curvas tortuosas das vielas lamacentas, abandonando-nos ali. Confusos e atemorizados seguimos ao seu encalço, ansiosos por nos afastarmos também. Mas foi em vão! As ruelas, as cavernas e os pântanos se sucediam, baralhando-se num labirinto em que nos perdíamos, pois, para onde nos dirigíssemos, depararíamos sempre o mesmo cenário e a mesma topografia. Inconcebível terror apossou-se da estranha malta. Por minha vez, não poderia sequer pensar ou refletir, procurando solução para o momento. Sentia-me como que envolvido nos tentáculos de horrível pesadelo, e, quanto maiores esforços tentava para racionalmente explicar-me o que se passava, menos compreendia os acontecimentos e mais apoucado me confessava no assombro esmagador!
Meus companheiros eram hediondos, como hediondos também se mostravam os demais desgraçados que nesse vale maldito encontráramos, os quais nos receberam entre lágrimas e estertores idênticos aos nossos. Feios, deixando ver fisionomias alarmadas pelo horror; esquálidos, desfigurados pela intensidade dos sofrimentos; desalinhados, inconcebivelmente trágicos, seriam irreconhecíveis por aqueles mesmos que os amassem, aos quais repugnariam! Pus-me a bradar desesperadamente, acometido de odiosa fobia do Pavor. O homem normal, sem que haja caído nas garras da demência, não será capaz de avaliar o que entrei a padecer desde que me capacitei de que o que via não era um sonho, um pesadelo motivado pela deplorável loucura da embriaguez! Não! Eu não era um alcoólatra para assim me surpreender nas garras de tão perverso delírio! Não era tampouco o sonho, o pesadelo, a criar em minha mente, prostituída pela devassidão dos costumes, o que aos meus olhos alarmados por infernal surpresa se apresentava como a mais pungente realidade que os infernos pudessem inventar – a realidade maldita, assombrosa, feroz! – criada por uma falange de réprobos do suicídio aprisionada no meio ambiente cabível ao seu crítico e melindroso estado, como cautela e caridade para como gênero humano, que não suportaria, sem grandes confusões e desgraças, a intromissão de tais infelizes em sua vida cotidiana.
Sim! Imagine uma assembleia numerosa de criaturas disformes – homens e mulheres – caracterizadas pela alucinação de cada uma, correspondente a casos íntimos, trajando, todos, vestes como que empastadas do lodo das sepulturas, com feições alteradas e doloridas estampando os estigmas de sofrimentos cruciantes! Imaginai uma localidade, uma povoação envolvida em densos véus de penumbra, gélida e asfixiante, onde se aglomerassem habitantes de além-túmulo abatidos pelo suicídio, ostentando, cada um, o ferrete infame do gênero de morte escolhido no intento de ludibriar a Lei Divina – que lhes concedera a vida corporal terrena como precioso ensejo de progresso, não avaliável instrumento para a remissão de faltas gravosas do pretérito!
Pois era assim a multidão de criaturas que meus olhos assombrados deparavam nas trevas que lhes eram favoráveis ao terrível gênero de percepção, esquecido, na insânia do orgulho que a mim era próprio, que também eu pertencia a tão repugnante todo, que era igualmente um feio alucinado, um pastoso ferreteado!
Eu via por aqui, por ali, estes traduzindo, de quando em quando, em cacoetes nervosos, as ânsias do enforcamento, esforçando-se, com gestos instintivos, altamente emocionantes, por livrarem o pescoço, intumescido e violado, dos farrapos de cordas ou de panos que se refletiam nas repercussões perispíritos, em vista das não harmoniosas vibrações mentais que permaneciam torturando-os! Aquele indo e vindo como loucos, em correrias espantosas, bradando por socorro em gritos ESTENTÓRICOS (ESTENTÓRICO – DIZ-SE DA VOZ FORTE.), julgando-se, de momento a momento, envolvidos em chamas, apavorando-se com o fogo que lhes devorava o corpo físico e que, desde então, ardia sem tréguas nas sensibilidades semimaterial do perispírito! Estes últimos, porém, eu notava serem, geralmente, mulheres.
Eis que apareciam outros ainda: o peito ou o ouvido, ou a garganta banhados em sangue, oh! Sangue inalterável, permanente, que nada conseguia verdadeiramente fazer desaparecer das sutilezas do físico espiritual senão a reencarnação expiatória e reparadora! Tais infelizes, além das múltiplas modalidades de penúrias por que se viam atacados, deixavam-se estar preocupados sempre, a tentarem estancar aquele sangue que jorrava, ora com as mãos, ora com as vestes ou outra qualquer coisa que supunham ao alcance, sem, no entanto jamais o conseguirem, pois se tratava de um deplorável estado mental, que os incomodava e impressionava até ao desespero! A presença destes desgraçados impressionava até a loucura, dada a inconcebível dramaticidade dos gestos isócronos, inalteráveis, a que, de mau agrado próprio, se viam forçados! E ainda ESTOUTROS (ESTOUTRO – USA-SE PARA DESIGNAR O SEGUNDO DE DOIS SERES A QUE SE ATRIBUI O DEMONSTRATIVO “ESTE”.) sufocando-se na bárbara asfixia do afogamento, bracejando em ânsias furiosas à procura de algo que os pudesse socorrer, tal como sucedera à hora extrema e que suas mentes registraram, ingerindo água em grogolejos ininterruptos, exaustivos, prolongando indefinidamente cenas de agonia selvagem, as quais olhos humanos seriam incapazes de presenciar sem se tingirem de demência!
Porém havia mais ainda!… E o leitor perdoe à minha memória estas minudências talvez desinteressantes para o seu bom gosto literário, mas útil, certamente, como advertência ao seu possível caráter impetuosa, chamada a viver as inconveniências de um século em que o mórbido e terrível do suicídio se tornou mal ENDÊMICO (ENDÊMICO – DIZ-SE DA DOENÇA PERMANENTE EM UMA REGIÃO DETERMINADA: A CÓLERA ERA ENDÊMICA NA ÍNDIA.). Não pretendemos, aliás, apresentar obra literária para deleitar gosto e temperamentos artísticas. Cumprimos um dever sagrado, tão somente, procurando falar aos que sofrem, dizendo a verdade sobre o abismo que, com malvadas seduções, há perdido muita alma descrente em meio dos desgostos comuns à vida de cada um!
Entretanto, bem próximo ao local em que me encurralara procurando refugiar-me da récua sinistra, destacava-se, por fealdade impressionante, meia dúzia de desgraçados que haviam procurado o “olvido eterno”, atirando-se sob as rodas de um trem de ferro.
Trazendo os perispírito desfigurados, a armadura de monstruosa aberração, as vestes em farrapos esvoaçantes, cobertos de cicatrizes sanguinolentas, retalhadas, confusas, num emaranhado de golpes e sobre golpes, tal se fotografada fora, naquela placa sensível e sutil, isto é, o perispírito, a deplorável condição a que o suicídio lhes reduzira o envoltório carnal – esse templo, ó meu Deus, que o Divino Mestre recomenda como veículo precioso e eficiente para nos auxiliares na caminhada em busca das gloriosas conquistas espirituais! Enlouquecidos por sofrimentos superlativos, possuídos da suprema aflição que atingir possa a alma originada da centelha divina, representando aos olhos PÁVIDOS (PÁVIDO – CHEIO DE PAVOR; MEDROSO.) do observador o que o Invisível inferior mantém de mais trágico, mais emocionante e horrível, esses desgraçados uivavam em lamentações tão dramáticas e impressionantes que imediatamente contagiavam com suas influências dolorosas quem quer que se encontre indefenso em seu caminho, o qual entraria a coparticipar da loucura inconsolável de que se acompanhavam… Pois o terrível gênero de suicídio, dos mais deploráveis que temos a registrar em nossas páginas, abalara-lhes tão violenta e profundamente a organização nervosa e sensibilidades gerais do corpo astral, congêneres daquela que traumatizara a todas, entorpecendo, graças à brutalidade usada, até mesmo os valores da inteligência, que, por isso mesmo, jazia incapaz de orientar-se, dispersa e confusa em meio do caos que se formara ao redor de si!
A mente edifica e produz. O pensamento – já bastantes vezes declararam – é criador, e, portanto, fabrica, corporifica, retém imagens por si mesmos engendrados, realiza, segura o que passou e, com poderosas garras, conserva-o presente até quando desejar!
Cada um de nós, no Vale Sinistro, vibrando violentamente e retendo com as forças mentais o momento atroz em que nos suicidamos, criavam os cenários e as respectivas cenas que vivêramos em nossos derradeiros momentos de homens terrestres. Tais cenas, refletidas ao redor de cada um, levavam a confusão à localidade, espalhavam tragédia e inferno por toda a parte, seviciando de aflições superlativas os desgraçados prisioneiros. Assim era que se deparavam, aqui e ali, forcas erguidas, BALOUÇANDO (BALOUÇAR – BALANÇAR. / ABANAR, SACUDIR. / OSCILAR.) o corpo do próprio suicida, que evocava a hora em que se precipitara na morte voluntária. Veículos variados, assim como comboios fumegantes e rápidos, colhiam e trituravam, sob suas rodas, míseros tresloucados que buscaram matar o próprio corpo por esse meio execrável, os quais, agora, com a mente “impregnada” do momento sinistro, retratavam sem cessar o episódio, pondo à visão dos companheiros afins suas hediondas recordações.
Rios caudalosos e mesmo trechos alongados de oceano surgiam repentinamente no meio daquelas vielas sombrias: – era meia dúzia de réprobos que passava enlouquecida, deixando à mostra cenas de afogamento, por arrastarem na mente conflagrada a trágica lembrança de quando se atiraram às suas águas!… Homens e mulheres transitavam desesperados: uns ensanguentados, outros se estorcendo no suplício das dores pelo envenenamento, e, o que era pior, deixando à mostra o reflexo das entranhas carnais corroídas pelo tóxico ingerido, enquanto outros mais, incendiados, a gritarem por socorro em correrias insensatas, traziam pânico ainda maior entre os companheiros de desgraça, os quais receavam queimarem-se ao seu contato, todos possuídos de loucura coletiva! E coroando a profundeza e intensidade desses inimagináveis martírios – as penas morais: os remorsos, as saudades dos seres amados, dos quais se não tinham notícias, os mesmos dissabores que haviam dado causa ao desespero e que persistiam em afligir!… E as penas físicas e materiais: – a fome, o frio, a sede, exigências fisiológicas em geral, torturantes, irritantes, desesperadoras! A fadiga, a insônia depressora, a fraqueza, o delíquio! Necessidades imperiosas, desconforto de toda espécie, insolúveis, a desafiarem possibilidades de suavização – oh! A visão insidiosa e inelutável do cadáver apodrecendo, seus fétidos asquerosos, a repercussão, na mente excitada, dos vermes a consumirem o lodo carnal, fazendo que o desgraçado mártir se supusesse igualmente atacado de podridão!
Coisa singular! Essa escória trazia pendente de si, fragmentos de cordão luminoso, fosforescente, o qual, despedaçado, como arrebentado violentamente, desprendia-se em estilhas qual um cabo compacto de fios elétricos arrebentados, a desprenderem fluidos que deveriam permanecer organizados para determinado fim. Ora, esse pormenor, aparentemente insignificante, tinha, ao contrário, importância capital, pois era justamente nele que se estabelecia a desorganização do estado de suicida. Hoje sabemos que esse cordão fluídico magnético, que liga a alma ao envoltório carnal e lhe comunica a vida, somente deverá estar em condições apropriadas para de este separar-se por ocasião da morte natural, o que então se fará naturalmente, sem choques, sem violência. Com o suicídio, porém, uma vez partido e não desligado, rudemente arrancado, despedaçado quando ainda em toda a sua pujança fluídica e magnética, produzirá grande parte dos desequilíbrios, senão todos que vimos anotando, uma vez que, na constituição vital para a existência que deveria ser, muitas vezes, longa, as reservas de forças magnéticas não se haviam extinguido ainda, o que leva o suicida a sentir-se um “morto-vivo” na mais expressiva significação do termo. Mas, na ocasião em que pela primeira vez o notáramos, desconhecíamos o fato natural, afigurando-se um motivo a mais para confusões e terrores.
Tão deplorável estado de coisas, para a compreensão do qual o homem não possui vocabulário nem imagens adequadas, prolonga-se até que as reservas de forças vitais e magnéticas se esgotem, o que varia segundo o grau de vitalidade de cada um. O próprio caráter individual influi na prolongação do melindroso estado, quando o padecente for mais ou menos afeito às atrações dos sentidos materiais, grosseiros e inferiores. É, pois um complexo que se estabelece que só o tempo, com extensa cauda de sofrimentos, conseguirá corrigir.
Um dia, profundo alquebramento sucedeu em meu ser a prolongada excitação. Fraqueza insólita conservou-me aquietado, como desfalecido. Eu e muitos outros comparemos de minha falange estávamos extenuados, incapazes de resistirmos por mais tempo a tão desesperadora situação. Urgência de repouso fazia-nos desmaiar frequentemente, obrigando-nos ao recolhimento em nossas desconfortáveis cavernas.
Não se tinham passado, porém, sequer vinte e quatro horas desde que o novo estado nos surpreendera, quando mais uma vez fomos alarmados pelo significativo rumor daquele mesmo “comboio” que já em outras ocasiões havia aparecido em nosso Vale.
Eu compartilhava o mesmo antro residencial de quatro outros indivíduos, como eu portugueses, e, no decorrer do longo martírio em comum, tornávamo-nos inseparáveis, à força de sofrermos juntos no mesmo tugúrio de dor. Dentre todos, porém, um sobremaneira me irritava, predispondo-me à discussão, com o usar, apesar da situação precária, o monóculo inseparável, o fraque bem-talhado e respectiva bengala de castão de ouro, conjunto que, para o meu conceito neurastênico e impertinente, o tornava pedante e antipático, num local onde se vivia torturado com odores fétidos e podridão e em que nossa indumentária dir-se-ia empastada de estranhas substâncias gordurosas, reflexos mentais da podridão elaborada em torno do envoltório carnal. Eu, porém, esquecia-me de que continuava a usar o “pince-nez” com seu fio de torçal, a sobrecasaca dos dias cerimoniosos, os bigodes fartos penteados… Confesso que, então, apesar da longa convivência, lhes não conhecia os nomes. No Vale Sinistro a desgraça é ardente demais para que se preocupe o CALCETA (CALCETA – GRILHETA DE CONDENADO À PENA DE TRABALHOS FORÇADOS) com a identidade alheia… O conhecido rumor aproximava-se cada vez mais.
Saímos de um salto para a rua… Vielas e praças encheram-se de réprobos como das passadas vezes, ao mesmo tempo em que os mesmos angustiosos brados de socorro ecoavam pelas quebradas sombrias, no intuito de despertarem a atenção dos que vinham para a costumeira vistoria… Até que, dentro da atmosfera de densa penumbra, surgiram os carros brancos, rompendo as trevas com poderosos holofotes.
Estacionou o trem caravaneiro na praça lamacenta. Desceu um pelotão de lanceiros. Em seguida, damas e cavalheiros, que pareciam enfermeiros, e mais o chefe da expedição, o qual como anteriormente esclareceu, se particularizava por usar turbante e túnica hindus.
Silenciosos e discretos iniciaram o reconhecimento daqueles que seriam socorridos. A mesma voz austera que se diria, como das vezes anteriores, vibrar no ar, fez, pacientemente, a chamada dos que deveriam ser recolhidos, os quais, ouvindo os próprios nomes, se apresentavam por si mesmos.
Outros, porém, por não se apresentarem a tempo, impunham aos socorristas a necessidade de procurá-los. Mas a estranha voz indicava o lugar exato em que estariam os míseros, dizendo simplesmente:
Abrigo número tal… Rua número tal… Ou, conforme a circunstância:
— Dementado… Inconsciente… Não se encontra no abrigo… Vagando em tal rua… Não atenderá pelo nome… Reconhecível por esta ou aquela particularidade…
Dir-se-ia que alguém, de muito longe, assestava poderosos telescópios até nossas desgraçadas moradas, para assim informar detalhadamente do momento decorrente a expedição laboriosa…
Os obreiros da Fraternidade consultavam um mapa, iam rapidamente ao local indicado e traziam os mencionados, alguns carregados em seus braços generosos, outros em padiolas… De súbito ressoou na atmosfera dramática daquele inferno onde tanto padeci, repercutindo estrondosamente pelos mais profundos recôncavos do meu ser, o meu nome, chamado para a libertação! Em seguida, ouviram-se os dos quatro companheiros que comigo se achavam presentes na praça. Foi então que lhes conheci os nomes e eles o meu. Disse a voz longínqua, como se servindo de desconhecido e poderoso alto-falante:
 – Abrigo número trinta e seis da rua número quarenta e oito – Atenção!… Abrigo número trinta e seis – Ingressar no comboio de socorro – Atenção!… – Camilo Cândido Botelho – Belarmino de Queiroz e Souza – Jerônimo de Araújo Silveira – João d'Azevedo – Mário Sobral – INGRESSAREM NO COMBOIO (PERDOAR-ME-Á O LEITOR O NÃO TRANSCREVER NA ÍNTEGRA OS NOMES DESTAS PERSONAGENS, TAL COMO FORAM REVELADOS PELO AUTOR DESTAS PÁGINAS. – (NOTA DA MÉDIUM = YVONNE A. PEREIRA))
Foi entre lágrimas de emoção indefinível que galguei os pequenos degraus da plataforma que um enfermeiro indicava, atencioso e paciente, enquanto os policiais fechavam cerco em torno de mim e de meus quatro companheiros, evitando que os desgraçados que ainda ficavam subissem conosco ou nos arrastassem no seu turbilhão, criando a confusão e retardando por isso mesmo o regresso da expedição.
Entrei. Eram carros amplos, cômodos, confortáveis, cujas poltronas individuais como que estofadas com arminho branco apresentavam o espaldar voltado para os respiradores, que se diriam os óculos das modernas aeronaves terrenas. Ao centro quatro poltronas em feitio idêntico, onde se acomodaram enfermeiros, tudo indicando que ali permaneciam a fim de guardar-nos. Nas portas de entrada lia-se a legenda entrevista antes, na flâmula empunhada pelo comandante do pelotão de guardas:

“LEGIÃO DOS SERVOS DE MARIA”

Dentro em pouco a tarefa dos abnegados legionários estava cumprida. Ouvisse no interior o tilintar abafado de uma campainha, seguido de movimento rápido de suspensão de pontes de acesso e embarque dos obreiros. Pelo menos foi essa a série de imagens mentais que concebi… O estranho comboio oscilou sem que nenhuma sensação de GALEIO (GALEIO – MOVIMENTO RÁPIDO DE CORPO, PARA O LADO OU PARA TRÁS.) e o mais leve balanço impressionassem nossa sensibilidade. Não contivemos as lágrimas, porém, em ouvindo ensurdecedor coro de blasfêmias, a gritaria desesperada e selvagem dos desgraçados que ficavam, por não suficientemente desmaterializados ainda para atingirem camadas invisíveis menos compactas. Eram senhoras que nos acompanhavam, por nós velando durante a viagem.
Falaram-nos com doçura, convidando-nos ao repouso, afirmando-nos solidariedade. Acomodaram-nos cuidadosamente nas almofadas das poltronas, quais desveladas, bondosas irmãs de Caridade… Afastava-se o veículo… A pouco e pouco a cerração de cinzas se ia dissipando aos nossos olhos torturados, durante tantos anos, pela mais cruciante das cegueiras: - a da consciência culpada!
Apressava-se a marcha… O nevoeiro de sombras ficava para trás como pesadelo maldito que se extinguisse ao despertar de um sono penoso… Agora as estradas eram amplas e retas, a se perderem de vista… A atmosfera fazia-se branca como neve… Ventos fertilizantes sopravam, alegrando o ar… Deus Misericordioso!… Havíamos deixado o Vale Sinistro!… Lá ficara ele, perdido nas trevas do abominável!… Lá ficara, incrustado nos abismos invisíveis criados pelo pecado dos homens, a fustigar a alma daquele que se esqueceu do seu Deus e Criador! Comovido e PÁVIDO (PÁVIDO – CHEIO DE PAVOR; MEDROSO), pude, então, elevar o pensamento à Fonte Imortal do Bem Eterno, para humildemente agradecer a grande mercê que recebia!
“MEMÓRIAS DE UM SUICIDA” de autoria de YVONNE A. PEREIRA

*****************************************************
 
Fim do Trabalho

*****************************************************
Sobre a Autoria

(POR GENTILEZA, FAVOR CONSULTAR — MARINS ARTE DIGITAL REDAÇOES: — PUBLICAÇÃO Nº 0001 – Minha História – QUEM É FERNANDO MARINS LEMME – Vol. 01 de 13)
Acesse o Link Abaixo:

http://marinsartedigitalredacoes.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0001-%E2%80%93-Protegido-%E2%80%93-QUEM-%C3%89-FERNANDO-MARINS-LEMME-%E2%80%93-Vol.-01-de-13.pdf

*****************************************************
Referencias Bibliográfica
Ficha Catalográfica

LEMME, Fernando Marins. — CURINGAS DA COZINHA — Receitas das Famílias Marins & Lemme – Dicas Práticas de Cozinha – Receitas de autoria de diversos Chefes Renomados da cozinha do Brasil – Itália – França – Portuguesa.  — “CONSULTAR MEU BLOGUE”: MARINS ARTE DIGITAL REDAÇÕES: — (Textos Dissertativos ou Narrativo, conforme a minha interpretação dos Livros Lidos) &  (Biografias dos Autores – Relacionados em numeração diferente)  <https://www.marinsartedigitalredacoes.com.br> — Título do Trabalho: Minha História – VIAGEM COM MEU ANJO DA GUARDA – Vol. 07 de 13

*****************************************************
MARINS ARTE DIGITAL REDAÇÕES
Enviado por MARINS ARTE DIGITAL REDAÇÕES em 20/11/2019
Código do texto: T6799731
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
MARINS ARTE DIGITAL REDAÇÕES
Anchieta - Espírito Santo - Brasil, 67 anos
13 textos (102 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/19 00:33)
MARINS ARTE DIGITAL REDAÇÕES