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Diga não ao ódio

Nos últimos anos, temos visto, principalmente, nas redes sociais discursos de ódio contra tudo e todos. Ninguém pode mais fazer uma brincadeira, fazer um comentário, dizer a sua opinião a respeito de algo que é logo vítima de ódio. Estamos deixando de amar uns aos outros ou será que nunca nos amamos, na verdade? É triste ver crimes de homofobia ou racismo pelas redes sociais. Falo das redes sociais porque é o ambiente onde ficamos mais tempo no momento. Mas, também há ódio e muito na vida real.
Um pai não pode mais andar de mãos dadas com o seu filho, pois pode ser considerado como um homossexual e sofrer homofobia. Uma negra não pode apresentar um jornal em horário nobre numa grande emissora de televisão que sofre é chamada de negrinha nojenta. Por que estamos deixando de nos amar? O que está acontecendo conosco? Penso que a gente nunca soube o que era o amor, esse amor desinteressado, amor puro, o amor que sentimos quando somos crianças e o perdemos na idade adulta. Sofro com atitudes e palavras de alguns amigos que disseminam o ódio nas redes sociais para atacar quem é de esquerda ou de direita.
É preciso, urgentemente, ensinar-nos a amar o próximo. Respeitarmos as minorias e cuidarmos das pessoas ao nosso redor como se fossem os nossos parentes. Outro dia vi na televisão um morador de rua que estava dormindo e morreu queimado vítima de um homem que jogou gasolina no seu corpo. Meu Deus! A que ponto chegamos! Não pensamos na nossa salvação, nos pecados, na ira de Deus, não sabemos mais rezar e muitos sequer nunca leram a Bíblia Sagrada. Apesar de que acreditar em Deus ou não, não faz de você uma pessoa melhor, conheço muitos ateus que não pregam o ódio.
Quando aprendermos a amar talvez seja tarde demais e o mundo já terá sido destruído por uma guerra mundial com bombas atômicas e ataques de mísseis. Estamos preocupados em criar vidas em laboratórios, em prolongar os anos de vida na terra e até mesmo nos tornarmos imortais, porém nada disso será possível se não aprendermos a nos amar e amar o próximo.
Muito cedo, jovens experimentam o ódio atacando e matando outros jovens da mesma idade em gestos de intolerância e ódio ao próximo. Os nossos idosos estão abandonados em suas próprias casas ou em asilos. Vemos ódio nas pessoas que matam seus pais, violentam suas filhas, maltratam animais e tiram as suas próprias vidas. Que mundo é este, Senhor? Será o fim dos tempos, conforme escrito no livro de Apolicapse da Bíblia Sagrada?
Chamam jogadores negros de macacos nas redes sociais sem se preocuparem em esconderem os seus rostos e nomes. Sabem que a impunidade é grande, e por isso não temem a justiça. Agridem mulheres lésbicas nas ruas chutando e pisoteando e publicam discursos de ódio nos perfis de vários políticos. Muitos chegam a tirar fotos com armas nas mãos como se fossem algo bonito. Eu temo o amanhã. E temo que o ódio vença o amor nos próximos anos. Vivo trancada dentro da minha casa com receio de ser mais uma vítima desse ódio que toma a nossa sociedade, porque sou negra, estrábica e obesa. As pessoas que fogem dos padrões de beleza são as principais vítimas desse sentimento estúpido e cruel. Estamos voltando aos tempos em que os homens duelavam nos grandes teatros até a morte e as pessoas aplaudiam os vencedores.
Reflitamos por um mundo melhor e busquemos a prática do amor, da fraternidade, da bondade e da caridade. Amemos mais as pessoas assim como desejaríamos ser amadas. A vida é curta e a imortalidade ainda é um sonho. Nunca sabemos quando vamos precisar do próximo e o mundo dá muitas voltas. Hoje sou eu, amanhã pode ser você a vítima de ódio. Pregue o amor.
Rosângela Trajano
Enviado por Rosângela Trajano em 10/01/2020
Reeditado em 10/01/2020
Código do texto: T6838770
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosângela Trajano
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
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Rosângela Trajano

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