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Planeta Alta

Alta – Alpha Larpa Dolore (4,1,8; 1; C-9)

Nada jamais poderá superar os primeiros raios do sol amarelados atravessando o gelo visto pelos pioneiros noxianos. A natureza ali era um espetáculo em sua singeleza. Diferente de Dax Prime, sem dúvidas, mas cheio de vida de sua própria forma.

Haviam decidido rebatizar o planeta Alpha Larpa Dolore II de Alta. Os primeiros habitantes chegaram nas naves da FCI escoltados pelas belíssimas naves da Frota Nox. Toda a frota tinha sido empregada nessa aventura que era uma das mais belas da história.

O planeta foi ocupado por daxianos em maior número e alguns v’geans em menor número. Ao que tudo indicava, os v’geans preferiam o calor de Dax Prime.

Os primeiros dias foram duríssimos. Sem a linha logística estabelecida e a presença constante de naves da frota armadas com lasers úteis, nada poderia ter sido feito ali.

Abrir o campo para cultivo no meio da neve foi árduo. Mais parecido com histórias de jornadas de sobrevivência do que com aquelas de sci-fi. Mas foi o júbilo quando debaixo da neve encontraram o solo que era riquíssimo em nutrientes e minerais nutritivos. Plantas trazidas de Dax Prime foram cultivadas lado a lado com plantas nativas identificadas como comestíveis e nutritivas.

Os primeiros relatos sobre Alta estavam absolutamente imprecisos. Mesmo com toda tecnologia empregada, nada substitui a exploração exaustiva em campo. Conhecemos pouco ainda. Talvez leve dezenas de ciclos até termos assimilado tudo. Alta não só tem vida vegetal e animal primitiva, mas também fascinantes espécies complexas. Os maiores animais terrestre encontrados até agora são os mamutes. Espécie similar aos elefantes, mas com imensas presas, pelo farto e pesado, e inacreditável tamanho. Eles são raros, mas quando encontrados vivem em famílias de 5 a 7 indivíduos sempre juntos e unidos. Herbívoros que são saem para comer e voltam rapidamente para se abrigar nas cavernas. Eles evitam se expor ao relento, lição que rapidamente aprendemos e copiamos.

Os principais inimigos naturais destas criaturas são uma espécie gorda de ratazana que tem o tamanho de um cachorro pequeno. Vivem apenas nas cavernas e raríssimas vezes se aventuram fora delas, quando muito, para migrar em busca de alimento. Onívoros, eles agem como ladrões, roubando dos estoques de plantas secas que os mamutes parecem acumular, e como abutres se alimentando de mamutes mortos ou debilitados. Neste último caso atacando-os em bando de forma rápida e sorrateira antes que seus familiares tenham tempo de reagir.

Várias áreas sob o gelo possuem lagos subterrâneos infindáveis. Parecem ser lar de incontáveis criaturas como certas espécies de peixes de 2 a 3 metros de extensão.

Construímos algumas estruturas e estamos tentando domesticar tanto os ratos quanto os mamutes para a constituição de um rebanho. Mamutes em especial seriam úteis como fonte de alimento e como meio de transporte. Mas por enquanto as fontes de proteína se dividem entre aquelas trazidas do planeta capital e os peixes que caçamos (não há como falar pescar quando se abate aqueles monstros aquáticos).

Nos primeiros dias ficamos expostos aos perigos do espaço desconhecido. Não fosse a proteção da Frota Nox nenhum de nós teria tido coragem de se estabelecer aqui.

Alguns dias depois trouxeram as plataformas de defesa planetária. Eram basicamente um tradicional sistema de mísseis instalado em pontos chave ao redor do globo. A maioria de nós não gostou muito da militarização daquele belo mundo. Do nosso belo mundo. Mas é melhor prevenir do que remediar. Pelo menos é o que diz o ditado.

Reação muito diferente foi quando trouxeram as Plataformas de Defesa de Sistema Estelar. O nome parecido é apenas para confundir. São coisas totalmente diferentes. São incríveis Caças de Combate em um formato que lembra a letra M. Eles não possuem motor de salto, mas são equipados com motores de impulso assustadoramente velozes, além de armamento de última geração. Praticamente todo mundo ganhou um, ou pelo menos havia um por família. Somos poucos e a defesa do nosso lar está em nossas mãos.

Não deixa de ser curioso. Temos poucas vilas e muitos casarões em fazendas sem fim. Todas as construções são de casas reforçadas dotadas de isolamento térmico. Elas estão sempre cobertas de espeça camada a neve. Não temos aerocarros, pois eles são muito caros e não funcionariam bem neste clima. Mas nos fundos de nossos imensos terrenos geralmente contamos com campos de plantações sem fim, alguns pastos aquecidos com ratos ou mamutes e um pequeno hangar com um letal caça-bombardeiro.

Alta alcançou a mesma quantidade de fazendas que Dax Prime e o produto destas se tornou rapidamente nosso principal gênero de exportação e o nosso meio de vida.
Renato Nicácio
Enviado por Renato Nicácio em 28/06/2020
Código do texto: T6990303
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Renato Nicácio
Primeira Nuvem à Direita - Aileu - Timor Oriental, 33 anos
2 textos (45 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/07/20 16:57)