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OS LADOS DA MOEDA

      Em certos momentos da vida, algumas pessoas experimentam o sentimento de solidão, como se estivessem desconectadas do mundo, a sensação de não pertencimento, de um "quase morrer", de um vazio cheio da ideia de aniquilamento. O isolamento autoimposto é a consequência inevitável desse estado de espírito. A solidão é uma circunstância existencial que tem dois lados, como os lados da moeda: um, a saudade; outro, a esperança.
      Como as pessoas que se sentem solitárias não vivem o presente, vivem necessariamente o passado, pelos caminhos da saudade, e o futuro, pelos caminhos da esperança.
      Ambos os caminhos não levam a lugar nenhum. O passado é uma morte irrevogável e o futuro é uma vida improvável.
      De tanto lutar, sem o prazer de conquistar, algumas pessoas se cansam; de tanto procurar, e não encontrar, desanimam; de tanto correr, permanecendo no mesmo lugar, desistem. Descobrem perplexas, as  pessoas propensas à tristeza profunda, que perderam a autoconfiança. Aquelas que se imaginam perdedoras abandonam a longa jornada (paralisia). Aquelas que se acreditam vencedoras continuam a dura caminhada (ousadia). O primeiro tipo age retraído pelo medo, já o segundo, impulsionado pela perseverança. A ponte que liga um ao outro é a tentativa decorrente da determinação inspirada pela fé.
      Sempre existe à frente um desafio a ser enfrentado para que um objetivo seja alcançado. No afã de se ver livre da solidão, é preciso dar o primeiro passo adiante, o que requer muita força de vontade. Ficar parado em algum ponto do caminho é aceitar a ideia de aniquilamento, ao passo que se entregar à solidão sem oferecer resistência é assinar de livre vontade a própria sentença de morte interior.
      A vida em sociedade enseja a formação de vínculos afetivos. Na falta de relacionamentos amorosos, a vida perde a ternura e o mundo se transforma num deserto. Não ter a quem amar é a pior solidão, porque amar alguém, ainda que ausente da visão e distante das mãos, mas presente no coração, é uma forma de estar acompanhado.






















Carlos Henrique Pereira Maia
Enviado por Carlos Henrique Pereira Maia em 02/04/2021
Código do texto: T7221898
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Carlos Henrique Pereira Maia
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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Carlos Henrique Pereira Maia