É FÁCIL ENTENDER O CASO LULA: sempre foi assim


Eu prefiro começar falando em Nelson Mandela, um líder rebelde que muito lutou contra a segregação racial africana.  Preso em 1963 (inicialmente, prisão  perpétua), cumpriu 27 anos de cadeia.  Baseados em infâmias, seus julgadores (ou algozes) o consideraram traidor da pátria, pois formaram a convicção de seu envolvimento em movimento terrorista comunista.   Sem nunca se ter comprovado as razões da sentença, foi libertado em 1990, após intensas démarches em seu favor nas bancas jurídicas internacionais.  Ainda se questionavam as provas.  Em 1993 recebeu, sob os aplausos de toda a humanidade,  o Prêmio Nobel da Paz.   Presidiu a África do Sul de 1994 a 1999, ainda lutando bravamente por uma república multiétnica.

Sigo para o outro hemisfério do planeta ao lembrar Martin Luther King Jr.  Suas maiores lutas se deram contra a desigualdade social, o preconceito racial  e os desmandos da Guerra do Vietnã.  "Eu tenho um sonho" foi o seu maior discurso como ativista, na Marcha sobre Washington, demonstrando a sua vontade de um dia ver todos os negros e brancos norte-americanos de mãos dadas. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1964. Por sua posição multiétnica foi assassinado em 04/04/1968, com 39 anos de idade.

A história nos mostra inúmeros outros casos no Mundo, em que lutar contra a desigualdade social ou racial significa preparar o próprio calvário.  Foi o caso de Abraham Lincoln, presidente dos EEUU, que em 1863 decretou a Abolição da Escravatura do seu país, impondo, porém, aos proprietários de escravos o dever de indenizá-los com TERRA, GADO e NUMERÁRIO.  No dia seguinte à abolição, os ex-excravos se tornaram cidadãos norte-americanos.  Houve esperneada reação por parte dos grandes proprietários de terra, em plena Guerra de Cecessão (1861/1865).  Como consequência, Lincoln foi assassinado em 14/04/1865.  Fundara-se, exatamente nesse ano, a, ainda cada vez mais forte e vigente, ku-klux-klan.

São esses alguns dos mártires de nossa história que lutaram contra a desigualdade social ou a discriminação étnica.  O cinema até nos mostra, aqui ali, algum outro caso verídico.  Recomendo o filme norte-americano "Hoffa - um homem, uma lenda", de Jack Nicholson (Hoffa) e Dunny DeVito (direção).  Um líder sindical é envolvido em tramas, preso e desaparecido (sacrificado) quando alcançou a liberdade. 

Lula entrou nessa fria.  Preso, noutras vezes, enquanto líder sindical, por lutar pela volta à democracia do seu país, teve o seu martírio adiado.  Bem que não devia eleger-se presidente.  Por outro lado, bem que ainda cogitaram impedi-lo.  No caso atual, tentou provar sua inocência apontando inclusive o pouco caráter e a infâmia de seus acusadores/delatores.  É só perguntar aos pernambucanos quem é o tal Pedro Correia Neto, tão elogiado por um dos julgadores.  Os seus algozes, claro, não o ouviram e se desculpam alegando que lhe deram amplo direito de defesa.  Ora, ora, se o seu caso se assemelha a alguma das situações acima, de que vale o direito de ampla defesa num jogo de cartas marcadas?   De que vale apelar para a Constituição desdenhada?  A história nos mostrará:  o "blog" da farsa, o gabinete da farsa, a infâmia testemunhal da farsa, a farsa.
Quem viver, verá ! . . .

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INTERAÇÃO DE LINGUAGEM HISTÓRICA E CARÁTER HUMANITÁRIO:
 
01/02/2018 22:59 - Mark Scoat
De fato, é muito grande a semelhança entre os casos de Mandela e Lula. Mandela lutava contra um apartheid racial que sufocava terrivelmente a imensa maioria do povo de seu país, a África do Sul e, por isso, foi julgado e condenado sem provas à pena de prisão. Já o ex-presidente Lula sempre lutou também contra um apartheid social que tem historicamente vitimado a imensa maioria do povo brasileiro e, igual a Mandela, também foi julgado e condenado sem provas à pena de prisão. Porém, como todos sabem, uma imensa pressão internacional libertou Mandela que depois foi eleito presidente de seu país. A mesma coisa pode acontecer agora com Lula. O povo brasileiro já sabe que não pode contar com o sistema judiciário brasileiro, pois este já está inteiramente comprometido com a farsa que se instalou no Brasil. Mas, pressões internacionais pela volta dos direitos democráticos no nosso país podem sim reverter este teatro de horrores em que se transformou a socidade brasileira. É a nossa última esperança.
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Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 01/02/2018
Reeditado em 18/03/2018
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