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Resumo de "Lógica E Conversação", de H. P. Grice

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UNIVERSIDADE   FEDERAL   DO   PIAUÍ
CENTRO   DE   CIÊNCIAS   HUMANAS   E   LETRAS
DEPARTAMENTO   DE   LETRAS
DISCIPLINA:   LINGÜÍSTICA III:  TÉCNICA  DE  DESCRIÇÃO  LINGÜÍSTICA
ALUNO:   CLÁUDIO   CARVALHO   FERNANDES



LÓGICA   E   CONVERSAÇÃO

H.  P.  Grice


(Resumo)




U F P I
Teresina   –   2001
 


LÓGICA   E   CONVERSAÇÃO


O pressuposto comum tanto a lógicos formalistas como a lógicos informalistas, de que de fato existem divergências na significação entre pelo menos alguns dos chamados símbolos formais e seus supostos análogos ou contrapartes em línguas naturais, é, em linhas gerais, um erro corrente, devido a não se prestar a devida atenção à natureza e importância das condições que governam a conversação.

Quando duas pessoas, A e B, conversam, por exemplo, sobre uma terceira, C, e uma das primeiras, B, sugere alguma coisa além do que é expressamente dito, em relação à terceira, C, tem-se o que se pode chamar de uma implicatura, que vai além do significado convencional das palavras ou se resolve nestas. Nos casos em que a significação convencional das palavras usadas determina o que é implicitado, tem-se uma implicatura convencional. Mas uma certa subclasse de implicaturas não convencionais pode surgir, sendo estas essencialmente conectadas com certos traços gerais do discurso. Tais implicaturas são chamadas de implicaturas CONVERSACIONAIS.

Os diálogos entre as pessoas apresentam-se fundamentalmente, pelo menos até um certo ponto, como esforços cooperativos em que se reconhece, em alguma medida, um propósito comum ou um conjunto de propósitos, ou, no mínimo, uma direção aceita mutuamente. Em cada estágio do diálogo, alguns movimentos conversacionais possíveis seriam excluídos como inadequados, configurando um princípio muito geral que se esperaria que os participantes observassem, o Princípio de Cooperação (PC), que pode ser assim exposto: Faça sua contribuição conversacional tal como é requerida, no momento em que ocorre, pelo propósito ou direção do intercâmbio conversacional em que você está engajado.

Na aceitação de tal princípio, pode-se talvez distinguir quatro categorias com certas máximas e submáximas mais específicas, produzindo, em geral, resultados em acordo com o PC. Estas categorias são as de Quantidade, Qualidade, Relação e Modo.

A categoria da Quantidade relaciona-se com a quantidade de informação a ser fornecida e a ela correspondem duas máximas:

1. Faça com que sua contribuição seja tão informativa quanto requerido (para o propósito corrente da conversação);

2. Não faça sua contribuição mais informativa do que é requerido.

A categoria da Qualidade apresenta a supermáxima “Trate de fazer uma contribuição que seja verdadeira”, com duas máximas mais específicas:

1. Não diga o que você acredita ser falso;

2. Não diga senão aquilo para que você possa fornecer evidência adequada.

Na categoria da Relação, coloca-se apenas uma máxima: “Seja relevante”.

E sob a categoria do Modo, inclui-se a supermáxima “Seja claro”, com as seguintes máximas:

1. Evite obscuridade de expressão;

2. Evite ambiguidades;

3. Seja breve (evite prolixidade desnecessária);

4. Seja ordenado.

Há outras máximas, de caráter estético, social ou moral, que são também normalmente observadas pelos participantes de uma conversação, podendo gerar implicaturas não-convencionais.

Para que se afirme a existência de uma implicatura conversacional ela deve poder ser deduzida, elaborada, e o seu cálculo pode ser formulado segundo o seguinte padrão geral: ‘X disse que p; não há nenhuma razão para supor que X não esteja observando as máximas ou pelo menos o Princípio da Cooperação; X não poderia estar fazendo isso a não ser que pense que q; X sabe (e sabe que eu sei que ele sabe) que posso ver que a suposição de que ele pensa que q é necessária; X não deu qualquer passo para impedir que eu pensasse que q; X tem a intenção de que eu pense, ou pelo menos quer deixar que eu pense que q; logo, ele implicitou que q’.

Há três situações diferentes em que as implicaturas conversacionais podem ser produzidas:

Grupo A: Nenhuma máxima é violada, ou pelo menos não é claro que qualquer máxima esteja sendo violada;

Grupo B: Uma máxima é violada, mas sua violação se explica pela suposição de um conflito com outra máxima;

Grupo C: Emprego de um procedimento pelo qual o falante abandona uma máxima com o propósito de obter uma implicatura conversacional por meio de algo cuja natureza se aproxima de uma figura de linguagem.

As implicaturas conversacionais podem ser particularizadas ou generalizadas. As implicaturas conversacionais particularizadas são as que exigem, para que possam ser calculadas, informações de um contexto específico. As implicaturas conversacionais generalizadas são aquelas que não dependem de especificações de um contexto particular.

As implicaturas conversacionais devem ser:

:::><::: canceláveis (Pode ser explicitamente cancelada por uma frase adicional que afirma ou implica que o falante decidiu não observar o PCc, ou pode ser contextualmente cancelada, se a forma da enunciação que usualmente veicula a implicatura é usada num contexto que torna claro que o falante está optando por não observar o Princípio de Cooperação);

:::><::: não-separáveis (Não será possível encontrar outro modo de dizer a mesma coisa que não veicule a implicatura em questão);

:::><::: externas ao sentido do enunciado - não-convencionais (Inicialmente, ao menos, os implicitados conversacionais não são parte do significado das expressões cujo uso os produz);

:::><::: não determinadas pelo dito, mas pelo dizer o dito (a verdade de um implicitado conversacional não é requerida pela verdade do que é dito – o que é dito pode ser verdadeiro – o que é implicitado pode ser falso);

:::><::: indetermináveis (pode haver várias explanações específicas possíveis, formando às vezes uma lista aberta).



BIBLIOGRAFIA


DASCAL, Marcelo (org.). Fundamentos Metodológicos da Lingüística. vol. IV. São Paulo: Campinas, 1982.


Cláudio Carvalho Fernandes
Enviado por Cláudio Carvalho Fernandes em 02/12/2019
Reeditado em 02/12/2019
Código do texto: T6808719
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Cláudio Carvalho Fernandes
Teresina - Piauí - Brasil, 55 anos
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Cláudio Carvalho Fernandes