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Historicamente pensado: os farrapos e a decadência do governo vigente

Jazia trinta e três anos desde a derrocada do militarismo contumaz no perímetro brasileiro. O aniversário de 18 anos do segundo milênio no calendário gregoriano no Brasil foi marcado por uma disputa eleitoral baseada tão somente em falácias e retóricas retrógradas. A esperança da atroz extrema-direita se erguia diante de um modo de governo de antemão fadado ao fracasso, liderado por uma personalidade não muito estranha: um político ultrapassado, sem propostas coerentes, com espírito totalitário e, como se não bastasse, um piloto de fuga dos debates nacionais - quase uma hégira da oratória, que me perdoe Maomé.

O movimento de aversão ao partido opositor gerou uma das maiores bolas de neve da história da nação: a eleição de um filhote de opressor. A escassa comunicação sadia e o ímpeto dos governos anti-democráticos eram explícitos nos gestos, no olhar caído e na boca sem cor do chefe de Estado. A posse regada a tiros de canhão e soldados em fardamentos quase-que-escocês foi transmitida no meio de um oásis amedrontado das minorias e de um bálsamo do homem branco privilegiado de direita.

As primeiras tomadas de decisões já impunham aos pátrios a exclusão das massas sociais de menor interesse ao governo e, por outro lado, a alavancada abrupta dos projetos econômicos - de pouco jubilo - inspirados em potências inversamente proporcionais ao Brasil. A fomentação de práticas não condizentes com um país latino-americano, marcado por lutas históricas, gerou um cenário de ineficiência governamental gritante. A nossa ainda recente democracia estava ameaçada.

Foram dois, há dois. As incertezas miscíveis em previsões dos próximos dois anos causam assombro e atrofiamento das mentes esperançosas. Os farrapos de um governo inconsequente perpetuam nos idos dos tempos e marcam páginas nos livros que a história não hesitará em recordar. A decadência do governo vigente é clara aos que, criticamente, estão dispostos a ver. Há ainda muitos cegos da verdade, ludibriando até a si próprio quando tenta acreditar no inacreditável. A articulação política afasta a queda. A ascensão da necropolítica, do autoritarismo, das ameaças ambientais e da opressão à liberdade marcam os trapos de um comando descontrolado e necessitado de reforma.
Anna Karenina D
Enviado por Anna Karenina D em 06/01/2021
Código do texto: T7153737
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Sobre a autora
Anna Karenina D
Rafael Godeiro - Rio Grande do Norte - Brasil, 17 anos
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Anna Karenina D