Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Resenha: Dexter (2006) – Parte 02

Dando continuidade a análise que comecei na resenha anterior que está disponível nesse mesmo local, parto agora da segunda temporada da série, para tentar responder a seguinte questão: Seria Dexter uma pessoa com Transtorno de Personalidade Antissocial? Pois bem, na primeira temporada já dei alguns indícios que a resposta provavelmente seria não, por vários motivos, os fatores ambientais que o incentivaram a não criar vínculos afetivos, o passado traumático, as poucas experiências no que se refere a contato afetivo, etc.

Na segunda temporada já vemos o desenrolar disso tudo, se na primeira ele estava entrando em contato com questões do passado e começando a trabalhar, o que lhe permitiu se questionar sobre suas escolhas, mas sem necessariamente investir em relações afetivas mútuas, sendo a mais breve com seu irmão, na segunda vemos um desenvolvimento da personagem, que continua a investigar seu passado, tendo lembranças que explicam por exemplo que ele leu manuais de psiquiatria detalhando o transtorno de personalidade no qual se identificou, e isso o marcou profundamente, sendo nesse ponto um ótimo exemplo do perigo dos diagnósticos feitos de maneira apressada e sem nenhum profissional orientando.

Sobre sua necessidade de matar, é interessante o que vemos na segunda temporada, um Dexter que ao ter entrado com seus sentimentos e novamente ter investido em terapia de modo inconsciente, dessa vez através dos Alcóolicos Anônimos, tem sua primeira relação afetiva real com Laila, e ao ter esse contato e experimentar intimidade com outra pessoa, vê sua necessidade de matar sumir, dando a entender que o que ele lia como “passageiro sombrio” nada mais era do que como já mencionei no texto anterior, uma dificuldade em entrar em contato com os próprios sentimentos e com outras pessoas, com medo de não ser aceito.

Pode-se então pensar que seu desejo de matar estava relacionado antes de qualquer coisa a uma necessidade de contato afetivo, como foi na violência o modo como ele sempre experimentou suas relações familiares, acabou levando isso como um modo de expressão. Isso se percebe em outro aspecto interessante, a maneira como ele lida com o código do Harry, que vai se modificando até que ele se torne autônomo e passe a seguir seu próprio código, desenvolvendo uma responsabilização pessoal sobre seus atos e se assumindo um assassino por escolha, essa mudança de posicionamento existencial não se dá à toa, ela ocorre após Dexter confrontar as memórias de seu pai e descobrir que ele se matou quando percebeu o que havia feito com o filho adotivo, transformando-o em um assassino, esse movimento fez com que Dexter fechasse a Gestalt aberta em relação ao pai, compreendendo que o código não era uma verdade absoluta, e o próprio pai se arrependeu dela depois, mas o próprio Dexter gostava do que fazia, tornando-se algo dele.

Por fim ,pode-se também notar que o “passageiro sombrio” podia ser facilmente confundido com um comportamento compulsivo, que se caracteriza por uma atitude ritualizada que normalmente esconde alguma angústia não trabalhada, no caso dele, ao confrontar essa angústia, a compulsão sumiu, deixando de ser um comportamento com motivações inconscientes para se tornar totalmente consciente e por escolha própria.

Em suma, a segunda temporada vem para responder a questão levantada no começo da série, Dexter não tem nenhum transtorno mental, ele apenas teve estímulos que o levaram para tal lugar, e após confrontá-los, como já foi mencionado, ele assume a responsabilidade de tudo e passa a viver sua vida plenamente, tendo consciência de que isso ainda vai lhe colocar em uma situação complicada posteriormente. No que se refere ao desenvolvimento da personagem, é interessante que nas duas primeiras temporada vemos um Dexter que começou a se conhecer, teve seus primeiros insights, suas primeiras relações, e pode enfim seguir sua vida, tendo outros relacionamentos, constituindo família, etc.
Thales Coêlho
Enviado por Thales Coêlho em 09/01/2021
Código do texto: T7155868
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2021. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Sobre o autor
Thales Coêlho
São Luís - Maranhão - Brasil, 29 anos
1506 textos (89675 leituras)
4 áudios (59 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/01/21 22:24)