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O Irlandês
 
Martin Scorsese sempre foi um diretor excepcional desde a década de 70, passando pelos anos 80 com seus melhores filmes, em minha opinião: “Taxi Driver”, “Touro Indomável”, “O Rei da Comédia”, “Depois de Horas” e “Os Bons Companheiros”, esse último um filme de máfia que eu achava ser o definitivo de sua carreira. Mas depois ele ainda faria “Cassino” antes de voltar para o universo mafioso em “O Irlandês”, o filme mais longo de sua carreira com a duração de 3 horas e meia contando a história de Frank Sheeran (Robert De Niro), o irlandês do título, um veterano de guerra cheio de condecorações que concilia a vida de caminhoneiro com a de assassino de aluguel número um da máfia, se tornando o braço-direito de Jimmy Hoffa, famoso líder sindical norte-americano. O filme é baseado no livro de Charles Brandt, lançado em 2005 e além de Robert De Niro, conta ainda com Al Pacino e Joe Pesci. O problema do filme não é sua duração, que passa voando quando se tem na mão um roteiro brilhante (Steven Zaillian) e atuações corretas do elenco principal, conservadoras, mas corretas. Nada muito novo na carreira de Robert De Niro, mas o destaque vai para Joe Pesci como Russell Bufalino com seu olhar melancólico e atuação apática propositadamente e Al Pacino como Jimmy Hoffa como contraponto de Russel, com energia e um tanto tresloucado sem papas na língua. São quarenta anos de história com tantos coadjuvantes que Scorsese tem de fazer um exercício para indicar para o telespectador quem é a pessoa em cena, quando e como morreu, não que isso importe para quem está assistindo ao filme. Surpreende também o uso que o diretor faz de CGI para rejuvenescer seu elenco, técnica mais utilizada em filmes, que segundo Scorsese, “não são cinema”. (Aqui abro um parêntesis para dizer que não sou fã dos filmes da Marvel, mas Cinema, no pleno sentido envolve diversão, nem sempre tem de envolver filmes que busquem a necessidade de fazer o público refletir sobre algo. Às vezes o que a pessoa quer é passar duas horas na frente da telona e esquecer-se do mundo lá fora. Interessante que Scorsese não falou mal de Star Wars, talvez porque tenha feito uso da técnica de CGI da Industrial Light & Magic, de George Lucas). Nada mais paradoxal, sem falar que o filme só não foi direto para o streaming porque espera-se que ele ganhe prêmios, e por isso, teria de passar em alguns cinemas antes de ir para a Netflix. Nessa Scorsese errou feio, mas nada que tire o brilho de seu filme que é acima da média da maioria, ainda que não seja seu melhor trabalho. O filme é até chato às vezes, com a câmera lenta desnecessária, mas ao menos não temos uma violência explícita. Ela é mais estilizada e às vezes até falsa, acho que de propósito. Se o filme merece algum prêmio como o Globo de Ouro e o Oscar, em minha opinião deveria ser para a fotografia e edição, trabalhos primorosos de Rodrigo Prieto e de Thelma Schoonmaker respectivamente, além de roteiro adaptado e ator para Al Pacino e/ou Joe Pesci. É esperar para ver.
Parzival
Enviado por Parzival em 30/11/2019
Código do texto: T6807264
Classificação de conteúdo: seguro

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Parzival
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