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Coringa

Duas perguntas vieram à minha mente ao assistir “Coringa”.
1 - Arthur Fleck é vítima da Sociedade, cujo descaso para com as pessoas parte não só do Estado, no caso específico de cidadãos com algum tipo de transtorno mental, mas também do seu semelhante, que simplesmente dá de ombros para os sentimentos dos outros?
2 – Ser tratado com tanto descaso justifica ações violentas para com pessoas insensíveis que riem da desgraça alheia, que humilham em palavras e ações pessoas vistas como diferentes?
Bem, em conclusão (é só minha opinião), acho que a resposta da primeira pergunta é SIM. Fleck é vítima da Sociedade como um todo. Ele seria mais um número na lista de pessoas marginalizadas, tratadas com descaso, que aparentemente até tem a compreensão de assistentes sociais e médicos que lhe entopem de medicamentos para controlar sua doença mental, que é uma patologia possível, pois acomete uma porcentagem pequena, mas que existe no mundo real, doença que o estresse e a ansiedade fazem a pessoa rir compulsiva e nervosamente e de modo involuntário. O filme não identifica a doença, apenas fica demonstrado no cartão, entregue por ele para uma passageira no ônibus, que ele ri em ocasiões inoportunas devido a uma condição médica. É importante lembrar que o filme se passa no início dos anos 80, mais precisamente em 1981, como mostram os cartazes dos filmes no cinema nas cenas finais, todos de 1981: “Um tiro na noite”, “Excalibur”, “As duas fazes de Zorro” e “Arthur, o milionário sedutor”. Certamente nessa época pouco se sabia sobre problemas mentais e como tratá-los. Se até hoje alguns são chamados de loucos, imaginem naquela época.
Sobre a resposta da segunda pergunta creio que seria um retumbante NÃO. Bem, não é o problema mental que faz o coringa tornar-se violento. A doença o faz rir involuntariamente, o que provoca nos outros estranhamento e antes de saber o que se passa com Fleck, as pessoas tomam as risadas dele como provocativas, o tratam com desdém e até violência. Muitos que sofrem com tais atitudes das pessoas supostamente “normais” não se tornam violentos. Têm noção de que a violência em si nada resolve e são resilientes.
O mesmo não acontece com o Coringa. Além de perturbado, ele demonstra uma personalidade narcisista e sociopata, apesar do corpo frágil, o que acaba gerando certa simpatia por parte do público. A atuação de Joaquim Phoenix é de tirar o chapéu. Ele cria um Coringa totalmente diferente dos já vistos no cinema e o faz com maestria trazendo toda a ambiguidade do personagem. Não é surpresa que o filme tenha conseguido prêmios e que o ator esteja cotado para os prêmios que ocorrerão no início do ano. Acho bastante possível Phoenix ganhar o Oscar e o Globo de Ouro, dois dos principais prêmios no início de cada ano. No mais, talvez ganhe alguns prêmios técnicos. Mas independente disso, o fato é que “Coringa” é um filme único sobre um personagem que não havia sido tratado com tantos detalhes como nessa versão. Dizem que o filme terá sequência, o que seria interessante. Aguardando...
Parzival
Enviado por Parzival em 02/12/2019
Reeditado em 03/12/2019
Código do texto: T6809227
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Parzival
São Paulo - São Paulo - Brasil
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