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SPARTACUS

O cinema e a literatura dos tempos modernos recriaram a figura lendária porém histórica de Spartacus, escravo e gladiador do Império Romano, que se rebelou e durante anos liderou um exército de ex-escravos que desafiou o poder de Roma.

A novela de Howard Fast serviu de base ao épico norte-americano lançado em 1960 e cujos bastidores ficaram bem conhecidos. Pelo que consta foi Edward Lewis, produtor de reputação, quem adquiriu os direitos de filmagem do livro original e obteve o apoio do ator Kirk Douglas, dono de uma pequena empresa produtora. Douglas quis interpretar o papel-título de “Ben-Hur”, o épico bíblico e romano de Sam Zimbalist, lançado em 1959. Ofereceram-lhe, porém, o de Messala. Douglas recusou. Como se sabe, Charlton Heston fez Ben-Hur e Jack Hawkins, Messala. Kirk Douglas quis fazer o seu próprio épico romano. Assim, da vaidade de um ator-produtor saiu esse filme grandioso, grandiloquente, mas algo perdido nos diálogos, por vezes bem fracos.

Há difíceis cenas de batalha e uma meticulosa recriação de trajes, costumes, cenários e interiores daquela época anterior a Cristo. A história é romanceada e, claro, em grande parte inventada. O conhecido diretor Anthony Mann foi inicialmente contratado mas, tendo dirigido (ao que se diz) somente uns 15 ou 20 minutos da projeção, afastou-se ou foi afastado por alguma incompatibilidade; só então Stanley Kubrick entrou na jogada.

Costuma existir, nos épicos passados na Antiguidade, alguma coisa de artificial, de inconvincente. Uma rápida pesquisa mostra que na história real de Spartacus há muito mais a ser dito, talvez por isso é focalizado também em seriados. Este trabalho aborda muito o romance entre Spartacus e Varínia (Jean Simmons). Júlio Cesar comparece na trama, interpretado por John Gavin, mas seu papel é secundário. Ele ainda não era imperador. Peter Ustinov, como o negociante de escravos Batiatus, está algo cômico. O veteranos Charles Laughton faz um balofo e relaxado Senador Gracchus. O grande inimigo de Spartacus, Crassus, é vivido por Laurence Olivier.

O elenco é, de fato, maiúsculo. A trilha sonora me pareceu fraca. A mensagem libertária de Spartacus — ninguém deve ser escravo — é extraordinariamente válida e vigorosa. Como Spartacus dá a entender na derrota, só o fato de haver lutado valera a pena: a semente da liberdade estava plantada. Na vida real um herói não precisa vencer — precisa testemunhar.

A assinalar ainda, os créditos de abertura são do grande Saul Bass e o roteiro de Dalton Trumbo, que durante anos , por razões políticas, esteve na “lista negra” de Hollywood e só podia assinar sob pseudônimo, sendo que Kirk Douglas teve a coragem de romper o tabu. Além dos nomes citados no elenco vale lembrar Woody Strode como o gladiador Draba e Herbert Lom como Tigranes, o pirata. “Spartacus” recebeu quatro Oscars: melhor ator coadjuvante (Peter Ustinov), melhor direção de arte colorida, melhor figurino colorido e melhor fotografia a cores.
Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 29/06/2020
Código do texto: T6990990
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Sobre o autor
Jeovan Rangel
Porto Seguro - Bahia - Brasil
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