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O abacaxi chinês de Samuel Bronston

Resenha do filme "55 dias em Pequim" (55 days in Peking) - Bronston Estúdios, Madrid, produção norte-americana de 1963; 148 minutos, Super-technirama e Technicolor. Produção: Samuel Bronston. Direção: Nicholas Ray. Roteiro: Philip Yordan e Bernard Gordon. Música: Dimitri Tiomkin. Fotografia: Jack Hildyard. Tema "So little time", de Paul Francis Webster e Dimitri Tiomkin, interpretado por Andy Williams. Elenco: Charlton Heston (Major Matt Lewis), Ava Gardner (Baronesa Natasha Ivanoff), David Niven (Sir Arthur Robertson), Flora Robson (Imperatriz Tzu-Hsi), Harry Andrews (Irmão De Bearn), John Ireland (Sargento Harry), Leo Genn (General Jung-Lu), Robert Helpmann (Príncipe Tuan), Paul Lukas (Dr. Steinfeldt), Elizabeth Sellars (Lady Sarah Robertson), Massimo Serato (Garibaldi), Nicholas Ray (ministro norte-americano).

Samuel Bronston já era antigo no cinema quando realizou essas superproduções épicas. Ora, antigamente os medíocres disfarçavam a má qualidade de seus filmes com cenários milionários, figurinos, figurantes e elencos estelares. Hoje utilizam efeitos especiais. 
"55 dias em Pequim" é descaradamente colonialista e passa-se em 1900, quando nada menos de oito potências (!) ocupavam partes da China. A imperatriz dá força à chamada Revolta dos Boxers, os personagens centrais acham-se ilhados em seu território diplomático na capital chinesa.
Os personagens "bons" (porque os chineses são os vilões) não fazem nenhuma tentativa de sequer justificar sua posição de invasores. O Major Matt, vivido por Heston, e o embaixador britânico (David Niven, muito bom ator) têm algumas briguinhas mas se entendem bem na maior parte do tempo. Ava Gardner faz uma aristocrata russa meio trampolineira. Artistas ocidentais fazem chineses. No fim das contas o filme é uma afronta aos chineses.
Bronston e Ray repetem o descalabro que foi "O Rei dos Reis" em 1961. Aliás a carreira de Nicholas Ray parece que foi praticamente detonada aqui, ele nem terminou a filmagem e teve de ser substituído. Samuel Bronston acabou falindo depois que fez "A queda do Império Romano (sic).
Charlton Heston é um ator carismatico mas seu personagem é antipático.

 
Miguel Carqueija
Enviado por Miguel Carqueija em 05/01/2021
Código do texto: T7152970
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Sobre o autor
Miguel Carqueija
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 72 anos
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Miguel Carqueija