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JOGO DE CENA

(Brasil, 2007)
Direção: Eduardo Coutinho
Elenco: Marília Pêra, Fernanda Torres, Andréa Beltrão, Mary Sheyla, Gisele Alves Moura, Débora Almeida, Sarita Houli Brumer, Lana Guelero, Jack Brown, Maria de Fátima Barbosa, Aleta Gomes Vieira, Marina D’Elia, Claudiléa Cerqueira de Lemos

Sinopse: Anúncio de jornal: "Convidamos mulheres com mais de 18 anos, residentes no Rio de Janeiro e que tenham histórias para contar para fazer um teste para um filme-documentário."

Depois de subir as escadas no escuro, Mary Sheyla chega ao palco de um teatro com poltronas vermelhas vazias. O diretor está do lado esquerdo do palco, atrás das câmeras e dos aparelhos de luz e captação de som. Mary se senta do lado direito e começa a falar a história de como sempre desejou ser atriz, desde pequena, quando sonhava em ser paquita da Xuxa, apesar de ser negra, e de como descobriu, assistindo a uma matéria no Vídeo Show, o grupo de Teatro "Nós do Morro", no bairro do Vidigal. Mary entrou no grupo apesar de não pertencer àquela Comunidade, aprendeu a interpretar e atualmente trabalha como atriz. A pedido do diretor, Mary recita uma fala da personagem Joana da peça Gota D´Água, de Chico Buarque.

Gisele Alves Moura chega ao palco ofegante. A história que ela começa a contar é sobre uma gravidez indesejada que a impediu de realizar seu sonho de morar em outro país. Gisele conta também como, anos depois de ter tido Taís, sua primeira filha, engravidou novamente e teve uma experiência traumática com seu filho Vítor. A história contada por Gisele com serenidade, apesar de conter aspectos trágicos, também é interpretada pela conhecida atriz Andréa Beltrão, que se emociona e chora durante a narrativa.

Débora Almeida, uma babá mineira, conta a história de seu relacionamento-relâmpago com o Despachante Maurício em São Paulo que originou sua filha.

A atriz Fernanda Torres conta a história do dia em que passou por uma  grande aflição para  compreender os simbolismos do candomblé com a ajuda de uma tia mãe de santo.

Sarita Houli Brumer fala com os nervos à flor da pele de sua dificuldade de relacionamento com sua filha que mora nos Estados Unidos, e de como ela se emociona com o filme Procurando Nemo. A atriz Marília Pêra interpreta o depoimento de Sarita e revela um segredo que utiliza quando precisa derramar lágrimas diante das câmeras: um líquido chamado "cristal japonês".

Lana Guelero conta a história de como a vida festiva que tinha com um casal de filhos foi abalada por uma tragédia, consequência da violência urbana.

Jack Brown fala de como é ser cantora de rap e lésbica.

Maria de Fátima Barbosa conta sobre suas experiências amorosas e reclama que "homem tá escasso no mercado".

Aleta Gomes Vieira conta a origem do seu nome, que era uma personagem da HQ do Príncipe Valente. Ela conta como foi que engravidou com 20 anos, sozinha e sem dinheiro, e como isso frustrou seus planos de viajar. Fernanda Torres, que interpreta o depoimento de Aleta, comenta como é difícil interpretar uma personagem real, que é como um parãmetro a ser alcançado, que não existe quando a personagem é fictícia.

Marina D’Elia, atriz de teatro (e agora também cinema), fala de uma imensa dificuldade de relacionamento que teve com seu pai, que queria que ela fosse médica, e de como a morte dele afetou-a profundamente.

Andréa Beltrão fala da saudade que sente do cheiro do perfume da babá Alcedina.

Claudiléa Cerqueira de Lemos conta a história de como a vida festiva que tinha com um casal de filhos foi abalada por uma tragédia, consequência da violência urbana.

Sarita Houli Brumer retorna para mudar a impressão de vida trágica que acha que deixou com seu depoimento anterior e fala da paixão dos pais por música, terminando por cantar "Se essa rua fosse minha".

Algumas são as mulheres que responderam ao anúncio, algumas são atrizes conhecidas, outras são atrizes desconhecidas. Alguns depoimentos são fatos narrados por quem os viveu, outros são interpretações dramáticas destes depoimentos. Mesmo nos depoimentos feitos por quem viveu os fatos narrados há interpretações dramáticas, porque há a intenção de interagir emocionalmente com o diretor, e em última instância, com o espectador. Há narrações de sonhos em alguns depoimentos, o que torna ainda mais intrigante a experiência de saber o que é verdade, o que é invenção, e se isso faz diferença ou não.
AIRTON SHINTO
Enviado por AIRTON SHINTO em 09/11/2007
Reeditado em 13/11/2007
Código do texto: T730861
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Sobre o autor
AIRTON SHINTO
São Paulo - São Paulo - Brasil
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