Nota sobre "Rambo IV"

Parece que, para John Rambo, uma vida sossegada consiste em capturar najas e navegar às beiras d'uma viscosa guerra civil. Cuidava ele da própria vida exótica quando foi abordado por missionários desejosos de alugar seu barco para levar remédios físicos e espirituais a uma vila em zona de matança. Sabendo muito bem do inferno que existia rio acima, o veterano nega o passeio até aceitá-lo.

As coisas, é claro, amargam, e não demora para a familiar tríade tiro, porrada e bomba dançar pela tela.

"Rambo IV" não é um filme fácil de assistir. Logo no início alguns resultados brutais do instinto carniceiro que pode acometer tiranos e seus comandados são mostrados sem cerimônia, e a violência presente no longa é a mais visceral da série até o momento. Além disso, a obra é permeada por um ceticismo melancólico em relação à natureza humana; a impressão é que estamos presos, em geral, à pior versão de nós mesmos, e que esse cárcere fétido e abandonado manterá cerradas as grades imundas de sangue até o final dos tempos.

Brilha, contudo, encarnada em Sarah, personagem de Julie Benz, a esperança tênue, mas suficiente para animar a chama vital de corações que ainda não se resolveram completamente à maldade e à selvageria, de que a condição humana não precisa ser assim.

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Yuri Mayal

Bragança Paulista, 2022

YIM
Enviado por YIM em 08/01/2022
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