A Filha Perdida (Netflix)

 

Maggie Gyllenhaal nunca foi exatamente uma atriz brilhante, mas sua estreia na direção mostra que detrás das câmeras ela pode chegar lá. Seu primeiro filme é a versão do livro de Elena Ferrante “A Filha Perdida”, disponível na Netflix, com roteiro também de Gyllenhaal, inclusive vencedora desse prêmio no Festival de Veneza. É claro que há algumas diferenças entre o livro e o filme, até porque sempre uma adaptação para o cinema muda ou deixa detalhes de lado para uma história mais fluida na tela. Mas no caso específico de “A Filha Perdida” isso é compreensível. Não é fácil entender as personagens de Ferrante, especialmente Leda, seja na sua versão mais nova (Jessie Buckley) ou mais velha (Olivia Colman), aliás, grande parte do sucesso da trama se deve às interpretações dessas atrizes, além da direção sensível e no tempo certo de Gyllenhaal. Pela primeira vez vejo um papel decente para Dakota Johnson, que vai bem no filme. Temos Ed Harris em papel coadjuvante correto e Olivia Colman excelente, como sempre. Mas, na minha opinião, o filme é de Jessie Buckley, que mostra uma Leda perdida com a maternidade, com dificuldades visíveis e outras nem tanto, e vendo sua atuação, entendemos porque a Leda madura, de Olivia Colman, age de modo até irrefletido, com poucos, ou quase nenhum momento de alegria ou tranquilidade. Parece sempre estar tensa, além de tomar algumas decisões totalmente egoístas, a antítese da mãe que normalmente esperamos ver. Acredito que Maggie Gyllenhaal tem chances no Oscar, como diretora ou roteirista e, além de Colman, que deve ser indicada como atriz principal, espero sinceramente que Jessie Buckley seja indicada e vença como atriz coadjuvante.

Parzival
Enviado por Parzival em 08/01/2022
Código do texto: T7425019
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2022. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.