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Osso duro de roer

Pessoas que sobrevivem diante de situações que beiram a falta de condições mínimas que um ser humano necessita para se equilibrar diante da sociedade, que por condição sócia- econômica tem suas preocupações básicas como comer, morar e viver, colocados a prova todos os dias, onde matar ou morrer são as opções. Diante de um cenário hostil transformam-se em juízes capazes de decidir sobre a vida de qualquer um que possa colocar em risco a sua própria vida. Este é o cenário ao qual um oficial sai pra ruas e com isso encara os traficantes, algumas vezes misturados com pessoas normais outras vezes disfarçados de pessoas normais. Claramente eles não têm autorização para matar, eles têm autorização para sobreviver.
Essa talvez seja a maior crítica dentro do filme, pessoas estão sendo criadas para combater pessoas, que já foram criadas por um sistema que lhes permitem ter poder, respeito e dignidade. Quando não se consegue garantir um mínimo de dignidade é inevitável problemas com essa grandeza social, talvez a origem do tráfico tenha buscado apoio justamente na falta de perspectivas e com preocupações básicas de sobrevivência. Todos fazem parte do mesmo ciclo que alimenta a guerra, os traficantes e a policia. A quem responsabilizar nesse momento? O Governo que não tem força nem vontade política para promover mudanças eficazes, a classe média que sustenta financeiramente ou os miseráveis que são recrutados pelo crime!
Hipocritamente podemos chamar de mal necessário, tecnicamente podemos chamar de solução, o fato é, ninguém entra em uma guerra por diversão, todos são motivados por condições especificas; os traficantes odeiam a policia e sem perspectivas sociais são excluídos do sistema pelo sistema e por eles mesmos; o BOPE instituição criada para treinar pessoas em como reprimir, eliminar e gerenciar soluções que garantam o controle é classificado como exceção beirando a condição de excluídos. Os motivos que colocam ambas as partes em conflitos permeiam as drogas como contravenção, os direitos humanos para bandidos, as ONGs para blindar e proteger traficantes, os políticos sócios do tráfico, policiais corruptos e nós que por omissão estamos decretando a moratória social. Qual comportamento nós podemos esperar de pessoas cada vez mais expostas a ferida da sociedade?
Vivemos uma época onde nossos conceitos estão sendo colocados a prova, pagar para um policial tomar conta do seu estabelecimento não é suborno é só um incentivo, comprar produtos piratas não é sonegação de impostos é só uma economia no orçamento, usar drogas não é um vício é só uma diversão, matar não é crime desde que seja em defesa do cidadão, as leis são para todos desde que esses todos não sejam a lei e por fim criar uma policia especial (acima da lei) não é autoritarismo é simplesmente um mecanismo de defesa de uma instituição que perdeu totalmente o controle sobre suas atividades. Quantas pessoas corrompem e são corrompidas com a desculpa do “capitão Fábio” que tem filhos e precisa sustentar sua família, quantos “capitães Nascimento” brigam internamente contra o processo de desumanização a que estamos expostos, e consideram um assassino de assassino um herói. A indignação do “capitão Nascimento” quando sobe o morro talvez tenha suas origens nesses conflitos e as resposta estão na fragilidade dos sentimentos, nos medos e nos desafios dos profissionais que travam a guerra constante contra o tráfico, retratando a violência como ela é no dia-a-dia.
CryFreeMan
Enviado por CryFreeMan em 25/11/2007
Código do texto: T751567
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Sobre o autor
CryFreeMan
Ourinhos - São Paulo - Brasil, 42 anos
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