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“1964 - O Elo Perdido - O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista

Lendo o livro de Mauro Krenski e Vladimir Petrilákv , “1964 - O Elo Perdido - O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista “, publicado pela Vide Editorial,  conhecemos o que escreveram sobre nosso País e nossa gente, os funcionários da StB (Segurança Estatal), a polícia secreta comunista, formada pela cooperação entre a polícia comum, as forças armadas, e o Partido Comunista da longínqua Tchescolováquia.

Os dois pesquisadores realizaram seu trabalho procurando nos arquivos disponibilizados, a partir de 1996, pelo governo daquele país que, após a chamada revolução de veludo em 1989,  teve o regime comunista derrubado.

Os minuciosos relatórios dizem como brasileiros eram aliciados para trabalhar como informantes e agentes do StB que, na verdade era um braço da KGB russa. Impressiona ver como eram atraídos como passarinhos para a arapuca. Aos agentes thecos não interessavam os militantes do Partido Comunista ou pessoas publicamente tidas como “progressistas". Buscavam entre os chamados nacionalistas, que de vez em quando protestavam contra a influencia,  vista como excessiva, da cultura americana no nosso País. Isso era importante, porque tais pessoas eram consideradas isentas quando opinassem e tinham livre acesso a grupos de atividades políticas,  econômicas, bancarias, e especialmente aos órgãos governamentais.

Os futuros agentes eram atraídos pelo aceno da boa educação e da diplomacia, pela conversa aparentemente inconsequente,  uma vez que era notório estar longe deles a intenção de colaborar com a disseminação das idéias  comunistas e de ter um tipo vida como a que  acontecia atrás da cortina de ferro. Aos poucos, a curiosidade a conversa envolvente, e até a vaidade por despertar o interesse de alguém tão diferente, estreitavam os laços entre o agente estrangeiro e o incauto brasileiro, que aos poucos, ia se aprofundando e evoluindo na hierarquia da colaboração.   No início, a conversa  girava em torno da “ameaça"que representava os EUA para a cultura nacional. O Inimigo era os EUA, e o colaborador devia passar as informações para o estrangeiro bonzinho que  só queria ajudar o Brasil a se ver  livre da  influencia  nefasta.

Quando percebia, já tinha caído na arapuca, tinha aceitado dinheiro, presentes, viagens à Tchecoslováquia… estava nas mãos dos bondosos "amigos" que, veladamente, eram também ameaçadores, sabiam muito a seu respeito...

Foi assim, por meio desses recursos, que discursos escritos no estrangeiro foram feitos no nosso parlamento, artigos da mesma origem foram publicados em nossos jornais, livros  estrangeiros em defesa de Cuba com edição bancada pelo StB foram distribuídos gratuitamente em eventos e nas universidades. Veja bem, tudo isso não a favor do regime castrista, que não era nem mencionado, mas apenas em defesa do direito à não interferência de um país em outro, contra o boicote à ilha.

Dessa maneira,  comendo pelas beiradas, manipulando as consciências, a ideologia foi congregando mentes e corações. A cada dia, o ambiente cultural ficava mais próximo da simpatia pelas ideias marxistas, que já eram consideradas chiques pela maioria dos intelectuais.

O livro mostra também como os comunistas ficaram surpresos com a revolução que, praticamente num passe de mágica, lhes tirou das mãos o bolo pronto, prestes as ser devorado em 1964.

Considero dolorosos os dois últimos capítulos que  tratam de  acontecimentos ocorridos depois de 1964.  Um deles fala  do assédio e aliciamento de estudantes e professores nas universidades,  feito por agentes que se matriculavam em cursos especiais e circulavam no ambiente universitário como  integrante dele.  Contavam com a natural hospitalidade brasileira para serem aceitos, poder participar das atividades e  estimular a curiosidade a respeito do seu país e da vida no regime comunista; para estreitar "laços e convênios”.

O  outro capítulo narra como agentes tchecos ajudaram os colegas húngaros numa operação que enviou à organizações  sul-americanas  panfletos pedindo que fossem celebradas missas em memória  de uma padre católico, Torres, que se unira aos guerrilheiros  da Colômbia e  teria sido assassinado pelos americanos (segundo o documento deles). O objetivo era fazer de Torres um mártir nos círculos progressistas católicos na América Latina.

Outra parceria aconteceu na edição de dois livros de autoria de um "ativo agente colaborador do serviço de inteligência comunista na América Latina que também cumpriu o seu papel na luta ideológica entre oriente e o ocidente.” Trata-se de Töhötön  Nagy, um antigo jesuíta húngaro que imigrando para a Argentina, "abandonou a ordem dos Jesuítas, casou-se e constituiu uma família, tornou-se maçom, foi expulso da loja Estrella de Oriente 27 e, depois, tornou-se agente da polícia política húngara, com a qual colaborou até o fim de sua vida. Seu livro [Jesuítas e Maçons] demonstra a proximidade  entre as ordens de jesuítas e maçons, afirmando que estão unidas pelo progresso e reprovando a hostilidade  entre elas, foi motivado pela vontade de servir a uma ideia que considera justa. Em 1966, tornou-se agente da polícia secreta comunista em operação na Argentina, e posteriormente trabalhou na Hungria e no eixo Budapeste-Vaticano.”- pg.461 -

Um segundo livro dele, editado no  Chile, em 1968,  como nome de “Iglesia y comunismo” não  chegou a ser editado na Europa  mas os húngaros, que encabeçavam a operação, se deram por satisfeitos porque "editaram e distribuíram na América Latina um livro que, em 1968, apontava um certo parentesco entre a ideologia marxista e a religião cristã, escrito segundo as instruções do serviço  de inteligência comunista [‘Nesta missão, os amigos húngaros pediram à StB que lhes fornecessem cerca de dez páginas de um texto com o tema: “a Igreja e o Estado no país socialista”pg. 459] no qual fora aplicada "uma argumentação escolástica, ou seja, usando a arma deles”. - pg. 464 -

Concluímos, ao fim da leitura,  que a verdade sempre dói, mas também é a única que liberta. Nós, brasileiros e latino-americanos, precisamos nos despir de uma mentira que nos tem sido imposta, de maneira sorrateiramente diabólica. Usando nossa antiga boa fé, e a boa disposição, vinda da caridade cristã,  em sempre supor a bondade no desconhecido, tem jogado tantos de nós numa vida na qual não temos mais a nossa descontraída alegria de acreditar na bondade alheia.  Tudo isso  tem sido trocado por um destilar contínuo de desconfiança e revolta. Temos  sido induzidos a uma busca  para obter riquezas materiais, ou melhor, a exigir que outros,  que consideramos abjetos, no-las deem…

Enquanto isso, nossas alegres manifestações culturais religiosas, onde cultuávamos  o Único Provedor de todos os bens, têm sido substituídas por cada vez mais malucas manifestações de uma esquizofrenia que faz querer estar ligado a Deus, falar em nome dele, enquanto  procura deletar todo o amor a Ele nos corações humanos.

 E o nosso povo alegre e naturalmente feliz tem se tornado campeão em violência.  É tempo de despertar de um sonho ruim sugerido pelo demônio, o pai da mentira.  Voltemos para o verdadeiro Deus, o dos nossos  sábios antigos. Ele continua vivo e,  como sempre, disposto a perdoar. Ele pode tudo restaurar tudo. Ele é Deus.
Giselle Aguiar
Enviado por Giselle Aguiar em 10/03/2018
Código do texto: T6275984
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Giselle Aguiar
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 64 anos
23 textos (593 leituras)
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Giselle Aguiar