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Resenha: A Menina que roubava livros, de Markus Zusak. (Youtube: O Livro da vez por David Thomas)

Análise da Obra

Informações técnicas da obra:
• Título da Obra: A Menina que roubava livros;
• Autor/Autora da obra: Markus Zusak;
• Editora da Obra: Intrínseca;
• Data de publicação: 2005.

Espírito/ Essência da obra:
• Gênero textual: Romance histórico;
• Escola Literário/Período literário: Literatura Contemporânea;
• Ambiente físico e temporal da obra: Alemanha, Pré-Segunda Guerra e durante a Segunda Guerra Mundial;
• Tipo de narrador: O Narrador desse livro é o aspecto mais curioso da obra, pois o romance será narrado pela própria Morte, em primeira pessoa. Quase que uma espécie de um “Narrador-personagem”.

Enredo:
Tudo começa em Molching, cidade fictícia na Alemanha, em uma rua chamada Himmel (que em Português significa céu, paraíso), iniciando-se o enredo num período pré-Segunda Guerra Mundial (1939) e se desenvolvendo ao longo dessa guerra. Liesel Meminger junto com sua mãe, Paula Meminger, e seu irmão mais novo, Werner Meminger, viajam de trem para Molching. Sua mãe por razões próprias precisa deixá-los com uma família adotiva. Durante esta viagem, o irmão de Liesel morre e antes de ser levada para a nova família, elas enterram o menino. Nesse momento a protagonista roubará o seu primeiro livro, “O Manual do Coveiro”. Sendo abandonada pela mãe e não sabendo quase nada a respeito do pai (somente que ele era um comunista), ela vai morar com o senhor Hans Hubermann e a senhora Rosa Hubermann, um casal muito simples e que no primeiro momento pode parecer uma péssima família para se colocar uma criança, não pelo pai, mas sim pela personalidade um pouco hostil de Rosa Hubermann. Contudo logo o leitor perceberá que a pobreza material dessa família é tão grande quanto a generosidade que existe no seu coração. Liesel desde muito cedo manifesta um grande interesse pela leitura, mesmo sendo completamente analfabeta. Com muita delicadeza e amor, Hans Hubermann vai ao longo do livro lhe ensinando a ler e a gostar cada vez mais do universo das palavras, além de muitas vezes ajudá-la a roubar os vários exemplares que ela vai adquirindo ao longo do romance, como também lhe dará outros. O papel amoroso e importante de Hans Hubermann foi essencial pois o período escolar de Liesel não era o dos melhores, a começar pelo fato dela estar em um colégio rigorosamente católico enquanto ela era luterana, além dela não saber ler e escrever, bem diferente da situação de seus colegas. Diante de todas as incertezas, medos e inseguranças, ela vai crescendo com aqueles pais acolhedores e chega o dia que ela termina o seu primeiro livro junto com o pai. Um desses roubos literários ocorrerá no dia do Aniversário de Adolf Hitler, dia que na época era quase sagrado para o povo alemão. Em homenagem ao líder nazista, toda cidade de Molching queimará inúmeros objetos ditos como imorais: coisas inúteis, objetos judaicos e claro, livros (páginas 61). Um personagem muito importante também é o vizinho que se tornará um grande amigo de Liesel, Rudy Steiner, que numa pureza infantil, um dia se pinta todo de preto para correr, numa tentativa de imitar o famoso atleta negro, Jesse Owens, seu ídolo na época. As consequências dessa atitude em plena Segunda Guerra pode-se imaginar. Liesel Meminger vai crescendo e com tempo cresce também sua alfabetização e também sua paixão pelos livros. Na noite da queima de livros, um olhar não passou despercebido pela menina, a mulher do prefeito, Ilsa Hermann. Um dia quando Liesel vai pegar roupas na casa dele, a mulher pede para Liesel entrar e lhe apresenta sua bibliotéca particular, permitindo que a garota leia todos os exemplares que desejar. Outro personagem que aparece na narrativa é o judeu Max Vandenburg. Precisando urgentemente fugir da perseguição nazista, ele consegue documentos falsos que permitem que ele viaje até a casa dos Hubermann, pois Hans Hubermann deve grandes favores ao pai dele e é claro que também temos de levar em consideração o fato de ser exatamente Hans Hubermann, um homem digno e de bom coração. Algo triste e que pode refletir um pouco o que se passava na cabeça dos judeus que recebiam ajuda naquela época é o fato de muitas vezes ele se sentir egoísta por poder dormir num porão e que comparado aos demais judeus, poder em meio a toda aquela atrocidade estar sobrevivendo, diferente dos demais que estavam sendo humilhados e assassinados nos campos de concentração, importante lembrar que esse mesmo pensamento se passava também na cabeça de Anne Frank. Outro momento que me entristeceu que aconteceu com Max Vandenburg é exatamente à noite que ele foge deixando toda sua família para trás e quase que tendo uma certeza que nunca mais os veria, nesse exato momento um nazista bate na porta da casa para prendê-los e somente ele pode escapar. Os judeus que tinham dinheiro podiam emigrar, já os mais pobres não conseguiam e eram perseguidos. A relação que vai sendo aos poucos construída ao longo da narrativa entre os quatro, especialmente entre ele e Liesel Meminger é linda. Tendo que viver escondido no porão da família, há um momento que Max Vanderburg fica muito doente. Num dos capítulos mais tristes do livro, chamado de "A Caminha para Dachau", os judeus são obrigados a caminhar por quilômetros até o campo de concentração e passam por Molching. Nesse momento, Franz Hubermann, acaba ajudando um deles e com medo de ser procurado pelos nazistas, pede a Max Vanderburg ir embora de sua casa. No final do livro, a cidade passa ser mais um dos alvos de ataques aéreos e em um desses ataques que ocorrem inesperadamente, todos ao redor de Liesel morrem, menos ela. Salva pelos livros, pelas palavras, tal como foi a ideia inicial do escritor ao escrever esse livro. Sentada no porão, lendo, ela consegue se salvar do bombardeio. No final Liesel é adotada por Ilsa Hermann e o prefeito.

• Minha opinião sobre a obra:
1. “A Menina que roubava livros” e o “Diário de Anne Frank” são duas obras que obviamente conversam demais e uma das semelhanças que podem ser facilmente observadas, é a inocência de ambas mesmo em meio a uma guerra tão devastadora e cruel;
2. Um dado que o livro nos trás e que não tem como não notar semelhanças com alguns fatos atuais é que um dos lemas da Alemanha nazista era: “A Alemanha acima de tudo” e que em 1933, noventa por cento dos alemães manifestavam total apoio a Adolf Hitler. Ou você estava com ele ou estava contra ele. Qualquer semelhança com “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” ou “ou você é de direita ou é  comunista”, pode ser uma mera coincidência;
3. “A Menina que roubava livros” me lembrou muito a leitura de “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, especialmente no trecho que narra o aniversário de Adolf Hitler, em que os cidadãos vão ao centra da cidade queimar especialmente os livros;
5. Com medo de que Max Vandenburg pudesse ser visto, os Hubermann o escondem no porão e a narradora (A Morte) vai nos contar que ele fazia suas necessidades básicas numa lata vazia e que Hans Hubermann era o responsável por despejá-la da maneira mais discreta possível. Esse fato também remeterá o leitor para alguns trechos do “Diário de Anne Frank”;
7. Max Vanderburg vai para o campo de concentração de Dachau, mas sobrevive. Interessante se pensarmos que todos que tinham chances de morrer, sobrevivem e quem tinha chance de sobreviver, morre.

• Aspectos negativas observados:
1. Uma das poucas coisas que na minha opinião pode ser objeto de crítica é o fato da narradora, a Morte, ir aos poucos nos dando spoilers dos acontecimentos futuros;
2. Há no filme pouquíssimas diferenças e foram poucas mesmo, tanto que em minha opinião poderiam ter sido evitadas. Por exemplo, no filme é Max Vanderburg quem dá à Liesel um livro em branco para ela escrever, no livro quem lhe oferece é Ilsa Hermann, a mulher do prefeito e também será esta personagem quem irá adotá-la, no final.

• Aspectos positivos observados:
1. Mais interessante que o próprio livro são as motivações do autor ao escrevê-lo. A ideia de um ladrão de livros já estava na cabeça de Markus Zusak, depois pensou em escrever sobre as coisas que seus pais tinham visto ao crescerem na Alemanha nazista e na Áustria. Consequentemente ele pensou na importância das palavras naquela época e naquilo que elas conseguiram levar as pessoas a acreditar e especialmente no que as leveram a fazer;
2. O fato do narrador desse livro ser a própria morte, em primeira pessoa, é um dos aspectos mais interessantes e curiosos do livro.

 


O Livro da vez por David Thomas
Enviado por O Livro da vez por David Thomas em 07/09/2019
Código do texto: T6739742
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
O Livro da vez por David Thomas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 28 anos
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