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Nota sobre "O Tiro", conto de Alexander Pushkin

Sílvio, duelista apresentado por Pushkin em “O Tiro”, podia até ser um sujeito bravo, destemido, mas era também um personagem perdido na vida e carcomido pela inveja. O interior de sua casa, simplório e com as paredes cravejadas de tiros, era um espelho de seu próprio mundo interno, e seus dois únicos luxos, o champagne, que lá fluía como rio, e a coleção de pistolas, eram o alimento de sua alma ébria do desejo de vingança.

Antigamente Sílvio era o maioral entre seus colegas militares, foi assim até a chegada de outro sujeito tão carismático quanto ele, porém mais jovem, mais rico e esmerado em tudo quanto fazia. Esse novato tentou se aproximar de Sílvio mas foi rejeitado, só que o sujeito lidou tranqüilamente com a rejeição, o que feriu profundamente o ego do ex-maioral. Sílvio passou a provocá-lo, todavia as provocações eram retribuídas com tiradas ainda mais espirituosas, e Sílvio não agüentou: cego de inveja, ao ver o rapaz receber atenção especial de uma moça com a qual tinha um caso, resolveu dizer uns desaforos ao rival e foi esbofeteado. Os dois marcaram um duelo para acertar a questão, mas Sílvio não se animou a disparar, pois seu adversário comia cerejas, aparentemente indiferente ao próprio destino. Sílvio, então, resolveu esperar até que o outro tivesse algo a perder, até que ele temesse a morte, para descarregar seu tiro.

Ou seja, Sílvio esnobou o cara, provocou-o largamente, deixou de concluir o duelo por capricho e se enterrou numa vida embalada pelo ressentimento e pelo desejo de vingança.

É como já ouvi um dia: “Quem lasca nossa vida é nóis mesmo.”
Yuri Igor
Enviado por Yuri Igor em 05/10/2020
Código do texto: T7080535
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Sobre o autor
Yuri Igor
Bragança Paulista - São Paulo - Brasil, 34 anos
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