Páginas de São João Paulo II sobre a Ordem de São Bento

PÁGINAS DE SÃO JOÃO PAULO II SOBRE A ORDEM DE SÃO BENTO

Miguel Carqueija

 

Resenha da coletânea “João Paulo II e o espírito beneditino”. Edição Lumen Christi, Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro – RJ. Série “A palavra do Papa” volume 1, sem data. Tradução de “L’Osservatore Romano”, edição em português.

 

Este singelo livro apresenta diversos documentos assinados pelo grande pontífice que foi o polonês Karol Wojtyla, o extraordinário João Paulo II. Abre o volume a Carta Apostólica Sanctorum altrix (Geradora de santos), com data de 11 de julho de 1980, onde João Paulo II discorre sobre a notável obra de Sao Bento de Núrsia, o fundador da Europa. Com seu estilo límpido e profundo o Papa Wojtyla fala da importância que São Bento representa para a Igreja e para o mundo. “São Bento, amante das palavras de Deus, a lê não só na Bíblia Sagrada mas também no grande livro que é a natureza. O homem, contemplando a beleza da criatura, comove-se nos recessos mais íntimos do espírito, e é levado a recordar Aquele que é sua fonte e origem; ao mesmo tempo é levado a comportar-se com reverência para com a natureza, a por-lhe em evidência a beleza, respeitando-lhe a verdade.”

Canonizado pelo Papa Francisco, João Paulo II discorre sabiamente sobre a doutrina deixada pelo Patriarca São Bento, a partir de sua famosa Regra. Lembra o Papa os três fundamentos da vida beneditina: a oração, o trabalho e o exercício paterno da autoridade. Assim temos a respeitável figura do abade do mosteiro, que deve procurar “ser mais amado que temido”.

O livrinho tem ainda diversos pronunciamentos papais, a saber: Homilia na Missa de 21/3/1980 (festa de São Bento); Homilia aos beneditinos em Montecassino, dois Discursos em Subiaco, e Homilia na Praça da Resistência, ainda em Subiaco, onde declarou: “Bento foi homem de Deus, porque se esforçou por tornar a sua vida totalmente transparente ao Evangelho. De fato, não se contentou de ler o Evangelho com o fim de conhecê-lo: quis conhecê-lo para traduzi-lo, todo inteiro, em cada um dos aspectos de sua vida.” Esta é afinal a grande vocação dos santos: serem Evangelhos vivos.

O volume encerra com uma longa oração em que o Papa se dirige ao grande Patriarca do Ocidente, São Bento de Núrsia.

 

Rio de Janeiro, 11 de maio de 2021.