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GERAÇÃO ABANDONADA


Era manhã de sol, céu azulado,
Quando um simplório esquife à sepultura,
Levando um corpo, intrêmulo, é baixado.
Um silêncio... Nenhum pranto e tristura.

Quase ninguém sabe de quem se trata,
Sequer um quisto alguém na despedida.
Há anos vil soledade a arrebata
Quando, por rejeição, posta em guarida.

Na velhice viveu, quando deixada
Sem data venia, ali parte da vida,
Nenhuma vez sequer houve passada

Da parentela à tênue alma dorida.
Teve seu quisto alento, abandonada
Do albergue à cova, na eterna dormida.

                     *********


ILUSTRE AMIGO E POETA RICARDO CAMACHO

*** FÉRETRO DO SILÊNCIO ***

Ali, resume-se uma história antiga...
Sobre o mármore sujo a caixa hedionda
Conserva-se impassível... na alma estronda
Um tédio cognoscível da cantiga!

Esse espetáculo vetusto atinge
A transcendência doutros corpos mudos,
A naturalidade sã do estudo
Compreende todo o cinza que restringe!

... Dali parte o feliz defunto, velho,
Por finas entrelinhas do evangelho,
Tal como a história mínima e esquecida!

E por mão calejada o corpo some,
No cemitério a névoa deita insone
E a Bicharia rói - lã aquecida!

POETA CARIOCA, 16/04/2018


DiltonRB
Enviado por DiltonRB em 16/04/2018
Reeditado em 16/04/2018
Código do texto: T6310355
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
DiltonRB
Belém - Pará - Brasil
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