ZITA

Céus, como sofro jogada nesta senzala!

Eu ei de gritar para todos escutarem o banzo;

Porque meu grito ecoa pelas matas virgens;

Num céu escuro sem estrelas vivas.

Choro lagoas em forma de lagoas nuas;

Onde as serpentes rastejam em areias;

Movimentando-se meio ao som da agonia;

Pela sina do suor fosforescente da labuta lavora dos senhores.

Marcas estão pelas partes em cortes sofridos;

Em ervas banharam-me, passaram dias, noites, décadas paridas...

Sou a geração dos grão de mostardas em barco à vela...

Mar para velar corpos molhados de mar salgado;

Entre idas e vindas, formando-se um firmamento;

De uma próxima alvorada sem choro acalantado.

Sérgio Gaiafi
Enviado por Sérgio Gaiafi em 15/11/2019
Reeditado em 15/11/2019
Código do texto: T6795847
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