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Teoria Literária #044: Como compor Rorschachesia

Como compor Rorschachesia
Teoria Literária #044

Rorschachesia é um estilo literário criado pelo Poeta Bosco Esmeraldo em 07/09/2014.
Consiste em buscar sentido significativo em torno de si, de sua cultura sócio-familiar (background), através de conexões possíveis ao visualizar algum mosaico, borrões de trinta ou morfo, nuvens, sombras, manchas diversas, nódoas, sinais, rugas, cicatrizes, fragmentos, réstias, fotografias, folhas, etc.

É possível extrair “imagens” poéticas a partir de uma estrofe já escritam dando continuidade às demais, a partir das figuras ou entrelinhas das estrofes antecedentes.

Pode-se ainda fazer essas conexões em abstrações tais como visões, pensamentos, lembranças, qualquer coisa que lhe faça sentido ou não, mas que lhes traga à mente inspiração para uma nova poesia.

Embora apresente aqui um modelo padrão para a construção deste estilo poético, o Poeta tem a liberdade de criar sua Rorschachesia no formato atípico, não se prendendo às regras de métrica, embora seja desejável uma poesia metrificada e bem ritmada.

Evite-se pleonasmos, silabadas e solecismos, procurando manter a ortografia e a prosódia.

O nome deste estilo é uma homenagem ao Psiquiatra suíço Hermann Rorschach, desenvolvedor da técnica de avaliação psicológica pictórica, comumente denominada de “Teste do Borrão de Tinta”, “Teste Projetivo”, ou mais recentemente de “Método de Autoexpressão”.

Regras Básicas:

1. Quanto à estrofação admitem-se dois formatos:
    a) 4 tercetos e um monóstico ou
    b) 4 quartetos e um dístico.
2. Quanto à métrica:
    a) Simétrica:
        Admite-se contagem silábica em tetra, penta, hexa, enea (sete) e
        decassílabos, sendo esta definida no primeiro verso permanecendo
        até o último verso.
    b) Assimétrica:
        Versos livres, a gosto do poeta.
3. Quanto à rima utilizar as coincidentes conforme padrão logo abaixo. Pode-se fazer uso, sem abuso da aliteração* ou assonância** internamente aos versos, dando a ideia de eco:
    a) Nos tercetos + monóstico:
        ABA – BCB – CDC – ABC – D (D = verso branco).
    b) Nos quartetos + dístico:
        ABBA – CDDC – EFFE – ABCD – EF
4. Não se atemorize por regra essa ou aquela. Ela tem o intuito de nivelar todos os utilizadores do estilo, mantendo o padrão. Porém, na prática, vemos que não são difíceis quanto se parece à primeira vista. Ouse tentar fazer, pelo menos, um e verá que é tão fácil quanto partir um queijo com uma faca afiada.

Exemplo 1:
Observando uma nuvem, vejo diversos formatos que trazem à minha mente, fatos ocorridos em meu passado, recentemente ou mesmo uma ideia surgente momentaneamente. Talvez um carneiro dando uma marrada no traseiro de alguém. Daí você lembra de que em sua infância, passando férias com seus avós, foi perseguido por um carneiro ou cabrito e tal. Então você recria a história. Escolhe em tercetos + monóstico (3T1M).
Então temos o seguinte.

Rorschachesia 001: DÓI SÓ DE LEMBRAR
Rimada: ABA – BCB – CDC – ABC – D*
Hexassílabos

Um dia na fazendo
dos avós fui passar
boas férias. Só vendo!

Saímos a caçar...
Ah! Quantas aventuras!
Quis cabritos laçar.

A maior desventura...
Assanhar formigueiro...
Sentindo a cornadura.

Cabra-mãe vem correndo,
por trás, em fechadura
rendeu-me mor berreiro.

Mexe com quem 'tá quieto!

********************************
(*)   Lembre-se que a rima D é branca.
(**) Monope – com um olho só.

********************************
Exemplo 2:
Utilizando o formato 3 quartetos e um dístico (4Q1D).
Puxando aqui em minha mente, lembro ia a uma tertúlia em Missão Velha - CE, sede do município onde nasci. Passava por duas catacumbas e um enorme pé de unhas-de-gato. Escolho a métrica eneassílabo. Noite escura. Quando passava por baixo da Unha-de-gato, uma galha quebrada cravou-se em supercílio e na calda da égua que em montava. O restante eu conto em versos...

**************************************

Rorschachesia 002: PEGO NA UNHA-DE-GATO
Rimada: ABBA – CDDC – EFFE – ABCD – FE
Eneassílabos

Sábado, à tertúlia, decidiram...
Numa égua arisca toda no jeito,
bem-vestidos, galopando no eito,
Galopam na estrada. Assim partiram.

Dispararam de chote a galopes,
alegres, alegres, com muita animação...
Mas temendo ver assombração,
pela catacumba, vão monopes.

No breu da noite, a escuridão,
Unha-de-gato, no supercílio
encravada. Ah! Mas que empecilho!
Égua arisca, derruba um no chão.

Ainda bem, que só as estrelas viram,
Que coisa! Quase que rasga o peito...
Na tertúlia, a dançar, mor Ibope...
Esqueceram toda contusão.

Dançaram sem perder o estribilho
Pegos n'unha-de-gato... Dição

**********************
Alelos Esmeraldinus
Enviado por Alelos Esmeraldinus em 07/09/2014
Reeditado em 30/09/2015
Código do texto: T4953059
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alelos Esmeraldinus
Gama - Distrito Federal - Brasil, 95 anos
3767 textos (172814 leituras)
206 áudios (13661 audições)
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Alelos Esmeraldinus