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FOLCLORE III- FRAGMENTOS DE ENTREVISTA (final)


 
4---CONTOS TRADICIONAIS  -  CAIPORA - No Nordeste, também conhecido como CAAPORA (do tupi 'caa', mato, 'pora', habitante), é o protetor dos animais selvagens da floresta, deixando de lado os domésticos e as aves.  Aparece sob a forma de um moleque ou índio pequeno, forte, escuro, peludo, ágil, fumando cachimbo, tocando um bando de porcos-do-mato ou queixadas, montado no maior deles, reinando sobre tudo o que existe na mata.  Diz-se que quem o encontra fica infeliz nos negócios e em tudo o que empreende, daí a expressão "estar caipora", sem sorte.  Em jornada noturna, a defesa é a pessoa andar com um tição flamejante pois ele foge instintivamente da claridade.  Para muitos sertanejos, é a alma de índio bravo que morreu pagão;  em outras versões, é uma índia pequena e forte, ora jovem ora velha, que fuma e bebe pinga.  Persegue os caçadores malvados que matam os animais com crueldade ou perseguem as fêmeas com filhotes;  protege os animais e até os ressuscita.  Faz um barulho infernal e bate nos cachorros, apavorando os homens que largam as armas e fogem.  Aceita a oferta de pinga e fumo - caçar não é proibido, desde que o caçador mate por necessidade, não maltrate filhotes, animal que esteja sozinho ou o último do bando.  Assemelha-se a outros personagens míticos, como o yastay argentino, que guia manadas de guanacos (família dos camelídeos) e vicunhas (camelídeo menor), ruminantes que vivem na Cordilheira dos Andes, defendendo-os da dizimação e só deixando livre a ação do caçador em troca de milho ou coca.  -----   SACI-PERERÊ - Crendice originária dos vestígios de influência afro-amerindia na colonização brasileira; logo, fusão de 3 culturas:  indígena, europeia e africana - imagem de um pequeno demônio astucioso, que exprimia o sonho de liberdade do escravo, quanto a uma presença vingadora sobre a tirania de senhores e capatazes, resultado compreensível, mas contraditório, pois o saci meteu mais medo aos escravos que aos arrogantes senhores.  Personagem bastante difundido de norte a sul, através de numerosas variantes:  Saci-cererê, Martim-cererê, Mati-taperê, Matinta-pereira e outras, às vezes uma velha, pássaro ou negrinho, assovio forte que parece dizer "matinta-pereira",  Aparece e desaparece no mato no meio de um redemoinho de vento.  Adora espantar o gado dos pastos, apagar lampião, aumentar o fogo do fogão para queimar comida, azedar o leite, causar febres nas pessoas, gorar os ovos das ninhadas, matar animais, destruir lavouras, derrubar árvores, perturbar os viajantes pedindo fumo e os fazendo errar caminhos (os roceiros costumam colocar fumo para o saci nos galhos das árvores, a fim de afastar suas diabruras) etc.  Para pegar um saci, usa-se um rosário, uma peneira sobre o redemoinho ou três nós num pedaço de palha;  depois, tirar a carapuça e prendê-lo dentro de uma garrafa.   -----  TUTU ou BICHO-PAPÁO - Vários nomes regionais, como Tutu-Zambê, Cambê ou Zambata (parece provir do quimbundo 'azumbi', espectro-duende-fantasma, com intercorrência de 'zameta', cambaio ou torto, que tem a perna torta ou aleijada), Tutu-Marambaia ou Marabá, Tutu-do-Mato ou Bicho-do Mato.   É um animal informe e negro, não descrito nem há alusão a detalhe físico, que aparece nas cantigas de ninar das amas de todo o Brasil e faz a criança adormecer sob o império do medo.  O nome é uma corruptela da palavra 'quitutu' do idioma quimbundo ou angolês, significando "papão", "ogre" de onde correlatamente decorrem sinônimos de 'temível', 'poderoso' e 'assustador'.  O 'papão' e o briguento pedem a mesma forma etimológica da fala negra.
 
FONTES:
 
Diversos recortes  /  "Mitos brasileiros - Cadernos de folclore", v. 6 - Rio, MEC, sem data.
 
                                              F  I  M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 05/07/2018
Código do texto: T6382514
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 51 anos
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Rubemar Alves