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O herói (*)

Todos nós que estamos trilhando, ou querendo trilhar, o caminho da escrita narrativa para o audiovisual sempre encontramos explicações em livros que falam sobre a trajetória do herói. Joseph Campbell, Christopher Vogler, Robert Mckee, Syd Field e Linda Seger – só para citar alguns – são nomes que sempre constam na bibliografia que qualquer roteirista deve ler ou já leu. A trajetória do herói clássico ainda empolga multidões milenarmente, basta lembrar Aquiles ou Odisseu (Ilíada e Odisseia, respectivamente) de Homero.

Por mais avanço da tecnologia que tenha havido, ainda somos fascinados por aquele herói que é chamado para viver uma aventura, desbravando mares, encontrando inimigos, aliados, ajudantes, e que no final da jornada terá seu misbehavior corrigido, e ele sai transformado dessa jornada incrível.

Indiana Jones é um marco.
Mas ele não está sozinho, basta lembrar de Star Wars, que tem uma legião de fãs no mundo inteiro; e como não se emocionar com "A cor púrpura" com a maravilhosa Whoopi Goldberg?

O Oscar 2018 foi para dado a uma história que alia amor, fantasia e a trajetória de uma heroína: "A forma da água", escrita pela dupla Guillermo del Toro e Vanessa Taylor.

Contudo, e quando a história que vemos tem mais de um herói? E quando você vai ao cinema para ver um filme cabeça e sai sem entender nada, e ainda é obrigado a se calcar no achismo para não fazer feio perante os amigos e parentes?

Afinal, você gosta, estuda e trabalha, ou quer trabalhar, com cinema/televisão, certo?

Bem, nessa minha caminhada no audiovisual fui apresentada, pelo Zé Carvalho (professor universitário, roteirista e dramaturgo), a dois nomes que me ajudaram – e ainda ajudam – a atender quando a história não tem a figura do herói clássico: David Bordwell e o português João Maria Mendes, que está para se aposentar – ele é professor universitário na Terrinha.

Bordwell tem alguns livros em português, mas sua bibliografia em inglês é grande. João Maria, apesar de termos a mesma língua, tive que encomendar seus livros pela Livraria Cultura, porque não tinha no Brasil.

Um autor complementa o outro, e aí começamos a entender que uma história pode ser contada de três formas: 1º campo (herói clássico), 2º campo e 3º campo.

Há também a possibilidade de a história ser híbrida, uma estrutura de 1º campo com personagens do 2º campo, por exemplo. Fascinante isso!

Se você quiser se aprofundar na sua escrita, se quiser trabalhar para ter escolhas conscientes, este é o caminho: estudo, dedicação e escrita. O exercício da escrita, sempre, é fundamental.

Infelizmente, vejo que no Brasil as pessoas não acreditam na educação. Pensam que a busca da carpintaria dramatúrgica vai tolher sua criatividade.

Repito: não somos um povo que acredita em educação. Isso me deixa triste, mas é essa a realidade.

Mário de Andrade dizia:
“Errar por convicção, nunca por ignorância”.

Esse é o lema que norteia minha busca profissional.
É o conhecimento que me dará opção de escolha: eu quis errar, e ponto. Quis desconstruir o que é status quo, e é isso mesmo o que todo artista almeja fazer.

Afinal, como já disse o poeta:
“A arte existe porque a vida não basta”.

* Texto publicado no dia 25 de março de 2018 no Grupo Scrotumwhiter  /facebook.
Carla Giffoni
Enviado por Carla Giffoni em 10/07/2018
Código do texto: T6386511
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Sobre a autora
Carla Giffoni
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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