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ESTILO BARROCO NA CANÇÃO BRASILEIRA - CBH


 
1---A quem interessar possa (uma provável professora de Português ou namorada de "um português", dono da língua, continuador de CAMÕES e PESSOA):
 
2---BARROCO - Tendência sensualista, caracterizada pela busca do detalhe num eagerado rebuscamento formal.   -----   "Dualismo, oposições-contrastes-contradições, estado de conflito e tensão, oriundos do duelo entre o espírito cristão, antiterreno, teocêntrico X o espírito secular, racionalista, mundano que caracterizam a essência do espírito barroco.  Daí, uma série de antíteses:  ascetismo e mundanidade;  carne e espírito;  sensualismo e misticismo;  religiosidade e erotismo;  realismo e idealismo; naturalismo e ilusionismo;  céu e terra  -- verdadeiras dicotomias, violentas desarmonias, tradutoras de tensão entre  as formas clássicas e a ética cristã, entre as tradições medievais e o crescente espírito secularista." = AFRÂNIO COUTINHO
 
3---Em todo caso, meu contemporâneo! EU, paulista Ariano, era ainda um gurizinho, e ELE, carioca Geminiano, já produzia sucessos.  Assisti por acaso a uma palestra sobre BARROCO na LITERATURA BRASILEIRA MODERNA e ouso aqui reproduzir anotações expostas no quadro-de-giz, (Não reparei saia jeans curta da professora alta, camélia no decote da blusa, unhas alaranjadas, cabelo platinado.  Distraído, sabem...)
 
4--POEMA - Gênero lírico ----- leitura-interpretação-teoria ----- divisão em 3 partes, cada uma com seu assunto:  1-de "Se uma..." até "...tanto rezar." - a mulher que reza / 2-de "Se a outra..' até "caminhar." /3-de "Mas toda..." até "que dia..." - o encontro das duas mulheres.
 
5--UMA - Mundo religioso:  valorização do espírito, circunspecção, rezas sem conta, vida é rosário, lágrimas  X  OUTRA - mundo material:  indiferença pelas coisas espirituais, par indeterminado, vida é dança, sorriso forjado ----- UMA & OUTRA - calçada para caminhar.
 
6--OPOSIÇÃO DE IDEIAS - Na caracterização de ambas as personagens, fundamentalmente cada traço atribuído a uma corresponde outro, de sentido oposto, à outra mulher ------ poema todo marcado pela predominância de antíteses.
 
7--FIGURAS DE ESTILO - 1-ANTíTESE - efeito poético resultante dessa oposição para ressaltar as contradições entre elas;  palavra 'sorriso' com diferentes conotações:  início, alegria proibida, em seguida, recurso profissional ----- apesar da antítese que caracteriza a vida das duas mulheres, um traço de identidade entre elas nos versos 8 e 9, "chorar" ----- signo (palavra) "conta', dois significados:  verso 10, cada uma das esferas que compõem o rosário;  verso 11 número de vezes ----- antítese entre uma e outra desfeita ao final:  "...olhandose com a mesma dor." /// 2-METÁFORA em antítese - para a religiosa, vida - um rosário; para a prostituta, vida = uma dança. /// 3-ALITERAÇÃO - recurso poético em "Que a Sorte Sempre Separou..."
 
8-IDENTIFICAÇÃO DE CAUSA E CONSEQUÊNCIA - causa, ausência de sorrisou;  consequência, ganhar o paraíso / causa, sorriso forjado;  consequência, conseguir o par.
 
A "uma" espera o paraíso, versos 10 e11:  "Pra que tanta conta / Já perdi a conta de tanto rezar..." ----- A "outra" não tem autonomia de sua própria vida, conotação disso nos versos 16 e 17:  "A vida é sempre aquela dança / onde não se escolhe o par..." -----  Verso 22:  "Tem tanta calçada para se caminhar." -- Paraíso = céu, éde X danada = maldição, condenação ao inferno. ----- Palavra "conta", verso 10 = palavra "calçada", verso 22 -- conta e calçada denotam vida.
 
9-EXPRESSÃO DE SENTIMENTO - de "uma", versos 31 a 33:  "Que dia! (...) tanto rezar!" - de  "outra", de 34 a36:  "Que dia! (...) se caminhar!" - das "duas", versos 37 a 41:  "Que dia!  Que dia..."
 
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10---TEMPO (antigo) do BARROCO - Esse estilo de época teve como um de seus berços a Espanha, país que passara a controlar vários territórios, colônias antes pertencentes a Portugal, entre eles o Brasil - assim, a unificação ibérica serviu para ampliar a área de influência desse estilo de época.  A árvore genealógica da dinastia portuguesa no século XVI demonstra o direito de FILIPE II, rei da Espanha, à também coroa de de Portugal, sucessão polemizada que teve início em 1578. com o desaarecimento de D. Sebastião, jovem monarca de Portugal a Batalha de Alcácer-Quibir (norte da África) e culminou em 1580, com a unificação das coroas ibéricas sob o comando de Filipe II.  Ele tentou bloquear economicamente a Holanda, bloqueando sua participação no transporte, refino e distribuição do açúcar brasileiro;  aí, a Holanda resolveu então buscar o produto na origem, invadindo a Bahia e Pernambuco. / Ao serem expulsos do Brasil, passaram a produzir açúcar nas Antilhas a preços mais competitivos no mercado internacional, o que ocasionou o fim da cana-de-açúcar no Brasil.
 
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LEIAM meu trabalho "Características das escolas ou estilos literários".
 
NOTA DO AUTOR:
 
"Umas e outras" - Chico Buarque de Holanda, 1969.
 
                                              F  I  M



 
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 21/07/2018
Código do texto: T6395891
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 51 anos
666 textos (26027 leituras)
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Rubemar Alves