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SEMINÁRIO DE LITERATURA - ARCADISMO


 
1---ÉPOCA --- Século XVIII - época de iluminismo e cientificismo, tudo se quer saber - preocupação didática, até aí, livros não ao alcance de todos.  NEWTON, lei da gravitação universal, teoria corpuscular da luz, cálculo infinitesimal, teoria das cores:  negro = ausência, branco = soma de todas as cores. / LAVOISIER, transformação da natureza, "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" / BUFFON, tudo evolui, "homem no ápice da espécie".   -----  Utilização da imprensa, divulgação, maior público ledor / nota política:  culminou com a Revolução Francesa, 1789 - nota artística:  desorganização da corte como centro cultural, novos "protetores" e patronos  - nota estética, fundamentos em ARISTÓTELES, mimesis da natureza, que é sóbria, regular, harmoniosa, o "decantar" da paz, pintura de bucolismo e quietude / teorias:  aristotélica (harmonia) + platoniana (ideal) / ao imitar objetos da natureza, a arte caminha guiada pela razão, que não visa reproduzir, como mais tarde queriam os naturalistas, mas, ao contrário, aprender a forma imanente, ou seja, uma verdade ideal:  de Aristóteles, "arte é a imitação da natureza" / não mais aristocracia, surgimento da burguesia, público burguês consumidor, novo poder social, "melhoria da sociedade pelo saber = melhoria da sociedade" (D'Alembert), máquina iluminando o homem - física, a ciência do momento, também novas noções de biologia e química (Lavoisier).
 
ARCADISMO - partes em dualidade:  naturalista (bucolismo) e humanista (burguesia).   -----   Novo poder social - aristocracia se defende, burguês quer ser aristocrata com ideias burguesas;  pintura retrata cenas burguesas, cotidiano, donzela burguesa à janela é diferente da donzela aristocrata no alto da torre.
Duas correntes para o ARCADISMO  - DESCARTES - do século XVII, floresceu no século XVIII, racionalismo "Penso, logo existo"   e  BACON, empirismo, conhecimento através da experiência sensível.   -----   VOLTAIRE, DIDEROT, D'ALEMBERT - enciclopedistas e ideias da época, exemplo negando Deus etc.  --- VOLTAIRE, chefe enciclopedista - racionalista, teatro dionisíaco, Revolução Francesa.  ---  ROUSSEAU, outra corrente ao lado - naturalista, "o estraga o homem bom é a sociedade".   -----   Racional - naturalista - naturalidade, espontaneidade, sentimentalismo;  deste sentimento, surgirá o ROMANTISMO.
 
2---ARCADISMO EM PORTUGAL --- ÉPOCA --- "Robinson Crusoé", de DEFOE, 1720, homem solitário (consequência do surgimento de uma nova classe social, a burguesia) perdido numa ilha supera a natureza / "Gulliver", de SWIFT, 1726, sátira baseada no realismo fantástico de mentalidade pré-iluminista, um homem comum, gigante entre anões, habitantes da terra de Lilipute.   -----   Surge o Arcadismo em Portugal  (fusão de Itália e França) - iluminismo, espírito da época, cientificismo racional + neoclassicismo, arte, âmbito artístico mais externo + arcadismo, limitação, convenção particular.  --- Política:  liberalismo (povo com todos os direitos) e despotismo esclarecido (rei paternal);  D. JOÃO V importou e exportou intelectuais;  reforma da Universidade de Lisboa --- influência em Portugal:  CORNEILLE, RACINE e BOILEAU  + arcádia italiana.   -----   Toda uma época de transição:  linha apolínea, belo + linha dionisíaca, crítica - em Portugal, BOCAGE, as duas linhas.   -----   Arcadismo, recurso de despersonalização:  poeta = pastor, ou seja, poeta relega poder emocional a um simples pastor - imitando os antigos, estabelece padrões gerais, abolindo o individual;  natureza de lugar - comum (imitada e repetida, é natureza de epiderme);  repetições do que já se disse antes.   -----   Século XVIII, não saudosismo, porém crença no futuro ideal (utopia).  Artes plásticas, influência da Academia dos Bem Encaminhados (Bolonha, Itália) - ideal estava nos gregos (princípio da educação do artista), beleza ideal era a grega / predomina a linha (intelectual) sobre as cores (emocional) / época das descobertas de Pompeia e Herculano, daí a movimentação grega.   -----   Neoclassicismo segundo VÍTOR MANUEL - período assincrônico - conturbação e várias correntes:  neoclássicos, pré-românticos e rococó (nesta, não muita literatura) - restauração do espírito renascentista, imitação de gregos e romanos - ensaios morais, diálogos filosóficos, enciclopedismo, preocupação com problemas sociais, intenção didática e crítica da literatura.   -----   Em textos variados - racionalização da natureza:  absorvente, quase atuante, pré-romântica (BOCAGE), e absorvida, "fugere urbem", participação (CORREIA GARÇÃO).  De um modo geral em diversos autores:  dualidade barroca de claro X escuro;  liberdade formal, sem medidas e rima, gênero clássico opondo-se ao 'espartilho' formal barroco;  "Se a rima como escravo, te traz preso, perdida a liberdade..." / linguagem campestre, elemento pastoril, valorização da natureza (rio não dá inspiração, mas ganha inspiração estar junto ao rio), mulher mitificada e cristalizada no tempo pelo ideal  / barroco:  metáforas, escola de elite, código inacessível ao grande público.
 
Alguns poemas --- BOCAGE - 1 - "A loura Fílis na estação das flores,  comigo passeou (...) trazia ao lado as Graças (...) Tormento abrasador, negro ciúme........." - arcadismo, as Graças - árcade, novidade na posição lírica, ciúme altamente declarado, elemento romântico individualista, Inferno clássico  //  2 - "Já no calado monumento escuro (...) Em cinzas se desfez teu corpo bonito (...) oh Nise, o doce........." - início clássico, depois aspecto pré-romântico, morte da amada;  conclusão do pensamento em desespero romântico, visão do "morrer por amor" // 3 - "Fitei-me nos sorrisos da ventura........." - alguma coisa clássica (arcadismo) + romantismo em "como fui louco!" - selva escura e poeta absorvido na natureza, romantismo em sepultura, semântica adjetivada, nível fônico nas vogais escuras, rimas //  4 - "Choro versos meus desentoados........." - sem arte, fora de artesanato, não barroco exagerado porque poeta cansado de sofrer, desventura personalizada, tudo negativo - vocábulos não muito comuns ao código da época, poesia mais individual que a de GARÇÃO //  5 - "Os garços olhos em que Amor brincava, (...) As longas tranças (...) As lindas faces........." - cuidado fomal, mulher mitificada, sepultura, morte da amada   -----   GARÇÃO - "Epístola" - poesia burguesa ao mesmo tempo "cume" do Parnaso (cotidiano, poesia clássica.)
 
                                              F  I  M
 

Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 16/11/2019
Código do texto: T6796217
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
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Rubemar Alves