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CANTADORES, REPENTISTAS E VIOLEIROS - PARTE II


 
Cantadores do Nordeste  -  MANUEL BANDEIRA homenageia colegas de literatura de cordel.   -----   O que é literatura de cordel?  É a "literatura  do povo para o povo", na definição do folclorista ALCEU MAYNARD DE ARAÚJO.  O nome 'cordel'  nos veio de Portugal devido ao costume de, lá como aqui, pendurar folhetos em cordéis   (cordões, barbantes) a fim de serem vistos pelos fregueses, folhetos em geral de 8 páginas que narram estórias de amor, aventura, crime, acontecimentos recentes na região ou há muitos séculos na Grécia Antiga, na Europa medieval ou simplesmente na imaginação criativa dos povos.   -----   Muitos poetas também fazem DESAFIO , disputa em versos rimados, feitos de improviso em que demonstram incrível criatividade e talento.  Daí, a admiração de MANUEL BANDEIRA por eles.
 
"Anteontem, minha gente, / Fui juiz numa função /  De violeiros do Nordeste / Cantando em competição. / 5.  Vi cantar Dimas Batista / E Otacílio seu irmão. / Ouvi um tal de Ferreira, / Ouvi um tal de João. / Um, a quem faltava un braço, / 10. Tocava cuma só mão; / Mas como ele mesmo disse / Cantando com perfeição, / Para cantar afinado, / Para cantar com paixão, / 15. A  força não está no braço: / Ela está no coração. / Ou puxando uma sextilha / Ou uma oitava em quadrão, / Quer a rima fosse em inha, / 20. Quer a rima fosse em ão, / Caíam rimas do céu, / Saltavam  rimas do chão! / Tudo muito bem medido / No galope do sertão. / 25. A Eneida estava boba, / O Cavalcanti bobão , / O Lúcio, o Renato Almeida, / Enfim, toda a Comissão, / Saí dali convencido / 30. Que não sou poeta não; / Que poeta é quem inventa / Em boa improvisação, / Como faz Dimas Batista / E Otacílio, seu irmão; / 35. Como faz qualquer violeiro / Bom cantador do sertão, / A todos os quais, humilde, / Mando a minha saudação!"
 
Exemplos de métrica:
 
Observem ritmo desejado e melodia pretendida pelo poeta - métrica é a medida do verso ou linha - chama-se metrificação ou escansão - as sílabas métricas ou  poéticas  (sensação auditiva) diferem das sílabas gramaticais  (escrita gráfica) -  a contagem termina na última sílaba tônica de cada verso   -   hiato, duas sílabas átonas são combinadas como uma única sílaba métrica.
 
"An / te / on / tem / mi / nha / gen / te  (...)  Can / tan / do em / com / pe / ti / ção  (...)  E O / ta / cí / lio, / seu / ir / mão."
 
Dois hiatos  -  do em, E o
 
MANUEL CARNEIRO DE SOUSA BANDEIRA FILHO  (1886 / 1968) - signo Áries de 19 de abril - poeta, escritor, crítico literário e de arte, professor universitário e tradutor.  Não tomou parte da Semana da Arte Moderna, São Paulo, 1922, 'gazeteou, esgueirou-se, safou-se, escafedeu-se', mas enviou para recitação no palco seu poema "Os sapos".........  BILAC-parnasiano (1865  / 1918) pode ter estado presente em espírito, vaia e apupos na torrinha do teatro, na mão cestinho com ovos como "resposta".
 
                                     F  I  M
 
 
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 01/12/2019
Código do texto: T6808038
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 52 anos
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Rubemar Alves