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Brasil democracia tóxica

*Eugenio Ibiapino


 O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou na quinta feira, dia 13 de junho, que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero passe a ser considerado crime. Por 8 votos a 3, os ministros determinaram que a conduta passasse a ser punida pela Lei do racismo 7.716/89 Segundo o texto constitucional este tipo de crime é inafiançável e imprescritível com penalidade que vai de um a cinco anos prisão e em alguns casos multa.
Foi preciso recorrer a essa instancia porque o congresso e o Senado viraram as costas para os direitos humanos da comunidade lgbti, se acovardando a uma ideologia conservadora, heteronormativa que renega os direitos humanos não somente para os lgbtis como para outros seguimentos sociais como os índios, pessoas em situação de rua, sem teto, sem terra, dentre outros.
Após a aprovação dessa lei, um deputado Paulista, evangélico da bancada BBB (bala, boi e bíblia) quer almeja ser vice-presidente de Jair Bolsonaro em uma futura eleição presidencial reuniu os seus pares para elaborar uma lei similar sobre o tema, dando carta branca para os pastores, ou seja, dando uma falsa legalidade ao discurso de ódio lgbti proferido pelos religiosos nos seus púlpitos contra a comunidade lgbti, garantindo assim que este tipo de discriminação não fosse tipificado crime e sim como “liberdade religiosa”.
Lamentavelmente este deputado conta com a leniência e complacência de alguns “dirigentes” do movimento LGBTI que no afã de fazer a politica da ”boa vizinhança” quer a qualquer custo voltar para a superestrutura do poder central e assim disposto a negociar a mudança da lei contra a lgbtifobia. Contudo eles se esqueceram de que os direitos humanos são inegociáveis, porque os lgbtis já são mortos civilmente porque tem sua cidadania vilipendiada todos os dias neste país.  Está e na hora do conjunto da sociedade começar a refletir sobre a forma errada que trata os seus homossexuais.
Vamos aqui refletir que o direito a liberdade religiosa e mesmo a liberdade de expressão de pensamento constituem um grande avanço para a humanidade e não pode agora ser instrumento de deturpação e negação dos direitos humanos de uma comunidade que a cada vinte e quatro horas têm um dos seus, executado por motivo de ódios e intolerância.
Os Estados brasileiros continuam ignorando a proteção legal e social de milhares de pessoas que cotidianamente são julgadas como se fosse gente de quinta categoria. Enquanto isso, os grupos lgbti+ “organizados” não conseguem dar uma resposta politica assertiva contra esse descaso social porque não consegue politizar os seus pares, já que sua preocupação maior é com as paradas lgbtis, que hoje são verdadeiros carnavais fora de época, os dirigentes são cooptadas pelos governantes e assim suas ações, não conseguem refletir o clamor da maioria que é trabalhadora e está excluída da maioria dos benéficos e direitos sociais.
 A ascensão de Bolsonaro ao poder é uma prova dessa despolitização não somente da comunidade lgbti+ como dos outros seguimentos sociais como negros. Mulheres, jovens dentre outros. Enquanto cada um não entender que sua luta não pode ser vitoriosa isolada dos demais seguimentos oprimidos, vamos fazer protestos em vão, ser uma voz que clama no deserto.
 A luta contra a opressão precisa ser aliada as outras lutas sociais, valorizando o poder social dos sindicatos, associações de moradores, movimento negros, movimento dos moradores de rua, povos das florestas, movimento pela posse da terra dentre outros. Precisamos olhar o mundo além da nossa sexualidade e urgentemente unir a luta pela diversidade cultural/sexual e com nossas plumas e paetês ser um aliado fiel das outras demandas do nosso mundo contemporâneo, tais como: Preservação das florestas, controle social das forças de segurança, lutar por politica pública para combater o efeito estufa do planeta, manutenção da escola publica do ensino fundamental até Universidade, um SUS que consiga colocar em prática os seus princípios fundamentais; Universalização, equidade, integralidade dentre outras demandas contemporâneas importantes. Para isso é imprescindível apostar na unidade entre estes setores sociais.
O STF apontou uma saída para os crimes de lgbtifobia, mas os Estados continuam sendo governados por pessoas comprometidas com um Brasil retrogrado, com um recorde de desempregados nunca antes visto na história brasileira, e com um eleitor que prefere votar não baseado em propostas politicas e sim em fake News.  O Brasil segue descendo a ladeira com o desmascaramento de juízes envolvidos em falcatruas jurídicas que contribuíram com a eleição de um presidente neonazista declarado, com um índice de feminicidio que aumenta assustadoramente, enfim o recrudescimento do caos social e politico, deixando cada vez nossa democracia mais tóxica.
A lei 7.716/89 precisa sair do papel e aquele quem bate e executa LGBTI precisa ter a certeza de que vai ser punido severamente. Pena que este tipo de crime assim como o racismo e o machismo começa muitas vezes em nossa propia casa. “Precisamos acabar com essa “naturalização” e banalização dos crimes de ódio neste país”. A democracia está tóxica e todos morreremos um pouco a cada dia por causa dessa toxidade politicamente orquestrada pele poder central, incluindo os juízes da operação lava a jato, os militares, congresso e o senado Federal.
.Contudo não basta apenas punir os criminosos é preciso ter politica publica ara prevenir este tipo de crime, haja vista que essa barbaridade vivida no Brasil é sem duvida o resultado das nossas relações sociais que se esqueceram da educação, do respeito e da importância que cada um significa para este planeta.
A cura para toda essa toxidade está dentro de cada um de nós.  A manutenção do Estado de direito, a  livre expressão de pensamento, e a unidade dos setores sociais silenciados são as principais armas de se combater essa “democracia” tóxica e neonazista.
• Jornalista
Eugenio Ibiapino
Enviado por Eugenio Ibiapino em 06/09/2019
Reeditado em 06/09/2019
Código do texto: T6738894
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Eugenio Ibiapino
Nova Iguaçu - Rio de Janeiro - Brasil
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/09/19 08:17)
Eugenio Ibiapino