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APENAS UM CANTO


Eis o negro acorrentado
Sofrendo o seu dissabor,
No navio vem assustado
Vivendo imensa dor.

No peito a angustia berra!
Privado da liberdade,
Nunca mais verá a sua terra
E a saudade o invade.

Este sofrimento agora
Oprime e faz lembrar,
O negro amarrado chora
E começa a cantar:

"Deus ilumina onde estou,
Protege a minha gente!
Pra longe sei que eu vou...
Escravo, sendo inocente!

Seremos sacrificados,
Com todos os companheiros.
Mas nossos filhos amados,
Não os deixai prisioneiros!"

Um lamento derradeiro
Pois é hora de parar,
O seu dono e carcereiro
Já está para chegar.

E quando chega o patrão
Castiga sem piedade,
Calando a sua canção
Com chibatada covarde.

É assim a sua vida
Sem prazeres e alegrias,
Ganhou desde a partida
Dissabores e agonias.
Neusa Stocco (Aneusapoesias)
Enviado por Neusa Stocco (Aneusapoesias) em 13/10/2008
Reeditado em 20/11/2008
Código do texto: T1225916
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Neusa Stocco (Aneusapoesias)
Curitiba - Paraná - Brasil, 71 anos
905 textos (123852 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 14/05/21 17:48)
Neusa Stocco  (Aneusapoesias)