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Claustrofobia

Quase morro sufocado
 Comprimido e imprensado
  No canto do elevador.

Algum tênis mal lavado
 Recendeu pra todo lado
  O seu imenso fedor.

Um magricela emproado,
 Mauricinho enfatiado
  Na garvata furta-cor,

Ao tossir, meio engasgado,
 Não percebia, coitado,
  Que seu bafo era um horror.

No canto, uniformizado,
 O faxineiro calado,
  Ao pé do ventilador,

Com o sovaco mal lavado
 Nem ouviu o meu chamado,
  Pedindo defumador.

O síndico, hostilizado,
  Queixava-se do Atestado
  Que lhe trouxe o Contador;

Com o tornozelo engessado,
 Um senhor mal amparado
  Gemia pleno de dor.

Todo o grupo angustiado
 Com o elevador parado
  Por quebra de um disjuntor.

Enfim, o doutor chamado:
 Meio-mundo asfixiado
  Com o pum do zelador.

       Bom Jardim -RJ,
        em 21/08/2007
Vitório Sezabar
Enviado por Vitório Sezabar em 22/08/2007
Código do texto: T619286
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Sobre o autor
Vitório Sezabar
Bom Jardim - Rio de Janeiro - Brasil
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